Caracas - Manifestantes da oposição na Venezuela entraram em confronto com a polícia na manhã deste sábado, nos preparativos de um comício que pretende pressionar o presidente Nicolás Maduro, enquanto a eletricidade permanece intermitente, depois do pior blecaute do país em décadas.
Dúzias de manifestantes tentaram caminhar em uma avenida de Caracas, mas foram movidos às calçadas pela tropa de choque da polícia, levando-os a gritar contra os policiais e empurrar seus escudos. Uma mulher foi atingida com spray de pimenta, de acordo com uma emissora local.
A nação da Opep entrou na escuridão na noite de quinta-feira (leia mais abaixo), no que o governo do Partido Socialista chamou de sabotagem patrocinada pelos Estados Unidos, mas críticos da oposição ridicularizaram o blecaute como o resultado de duas décadas de administração ruim e corrupção.
NAS RUAS
Ontem o governo de Maduro e a oposição da Venezuela foram às ruas.
Nicolás Maduro, e o opositor Juan Guaidó incentivaram os seus apoiadores a irem para as ruas, em uma nova escalada de tensões.
Maduro, que convocou os seus seguidores para uma marcha "anti-imperialista", quando completam quatro anos desde que os Estados Unidos declararam que a Venezuela era uma ameaça para a sua segurança, atribuiu o apagão a uma "guerra elétrica" promovida pelo "imperialismo norte-americano". Aparentemente pouca gente se dispôs a ir, ao menos em Caracas, para as ruas e, as forças militares foram insuficientes para tirar os opositores da rua, disseram ontem correspondentes da Globo, no Jornal Hoje.
"Seguimos em batalha e vitória frente a permanente e brutal agressão contra o nosso povo. Hoje, mais do que nunca, somos anti-imperialistas. Jamais nos renderemos!", escreveu Marudo no Twitter. O presidente não fez nenhuma aparição pública durante o apagão, mas era esperado que compareça à manifestação chavista no centro de Caracas, ontem à noite.
GUAIDÓ
"Convoco todo o povo venezuelano a nos expressarmos maciçamente nas ruas contra o regime usurpador, corrupto e incapaz que deixou o nosso país às escuras", disse, em uma mensagem pelo Twitter, na sexta-feira, o presidente do Parlamento, Juan Guaidó e ele próprio foi às ruas aparecendo em um palanque improvisado na avenida Vitória, centro de Caracas. As forças do chavismo não teriam permitido a implantação de um palanque oficial.
Guaidó se autoproclamou presidente interino do país em 23 de janeiro, invocando artigos da Constituição, e foi reconhecido pelos Estados Unidos, Brasil e dezenas de países, que acusam o presidente Nicolás Maduro de ganhar a reeleição em eleições fraudulentas.
ENFRENTAMENTOS
Opositores ao regime de Maduro e a polícia venezuelana entraram em confronto já na manhã deste sábado. Muitos manifestantes tentaram andar por uma avenida em Caracas, mas foram removidos para a calçada pela polícia em uma tentativa de evitar o motim. De acordo com uma emissora local, uma mulher foi atingida por spray de pimenta.
"A polícia é abusiva mesmo que eles também sofram da mesma calamidade que a gente", disse a comerciante Lilia Trocel, de 58 anos. "Eu ainda não tenho energia e perdi parte da minha comida", declarou em referência à comida que estragou durante o apagão.