| Samantha Ciuffa |
| José Eduardo Fogolin fala sobre os riscos do tipo 2 da dengue |
A Secretaria Municipal de Saúde confirmou, nessa segunda-feira (11), que dez pessoas morreram por dengue em Bauru neste ano. Trata-se do maior número de óbitos decorrentes da doença na história da cidade. Outras três mortes ainda estão sob investigação e uma quarta foi descartada.
Os óbitos confirmados até o momento ocorreram em um intervalo curto, de pouco mais de um mês, entre 17 de janeiro e 20 de fevereiro. Das dez vítimas, sete possuíam mais de 80 anos de idade, incluindo uma mulher de 108 anos, que tinha doença de Parkinson.
Apenas um paciente, um homem de 43 anos, não possuía doenças associadas que tendem a contribuir para o agravamento do quadro, como hipertensão, diabetes ou cardiopatia. Entre as vítimas, cinco morreram até quatro dias depois do surgimento dos primeiros sintomas.
Os dados detalhados foram divulgados pelo Departamento de Saúde Coletiva, a pedido do JC, que traça, nesta edição, o perfil das vítimas fatais de dengue em Bauru.
GRAVIDADE
Segundo o secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, a estatística recorde é resultado da entrada em circulação do vírus tipo 2 da doença, responsável pela maioria dos casos registrados até agora.
Ele explica que, como a população não tem memória genética contra este vírus, a dengue pode se manifestar de forma mais agressiva, principalmente para pessoas acima de 65 anos e com comorbidades ou que já tenham contraído ao menos um dos outros três tipos de dengue anteriormente.
"A taxa de mortalidade por dengue tipo 2, que há muito tempo não circulava, tem se mostrado mais elevada no Estado de São Paulo: em média, de 1% do total de casos. É uma epidemia diferente de todas as anteriores. Mas, pelo modelo assistencial que Bauru adotou, nosso percentual se mantém num patamar menor do que isso", frisa.
HISTÓRICO
Neste ano, 4.875 pessoas já foram diagnosticadas com dengue no município. A incidência continua mais elevada na região Noroeste da cidade, que inclui bairros como o Parque Jaraguá, Fortunato Rocha Lima, Santa Edwirges e Vânia Maria.
Em entrevista recente ao JC, Fogolin destacou que o número de infectados pode ser dez vezes maior do que a estatística oficial, considerando as subnotificações, já que muitos pacientes apresentam sintomas leves e sequer procuram os serviços de saúde.
A primeira grande epidemia na cidade ocorreu em 2007 e a segunda, em 2011, quando foram registradas as primeiras mortes pela doença - naquele ano, seis pessoas perderam a vida. O mesmo número de óbitos foi contabilizado em 2015 e este era, até então, o índice recorde de Bauru.
Secretário pede ajuda de toda a comunidade
Diante da grave realidade enfrentada pela cidade, o secretário de Saúde pediu, mais uma vez, a colaboração da população, para que se conscientizem sobre a importância de manter quintais e terrenos limpos. “É importante a participação de toda a comunidade, já que 80% dos criadouros estão dentro das casas”, aponta.
Em razão da epidemia, a pasta também se mobilizou, intensificando as ações para combater o mosquito Aedes aegypti e para prestar assistência aos pacientes diagnosticados com a doença. Entre as medidas, está a criação de um Posto Avançado da Dengue (PAD), que funciona no antigo prédio do Pronto Atendimento Infantil (PAI), no Centro, com atendimento exclusivo a casos considerados graves, inclusive com a supervisão de médicos infectologistas e epidemiologistas.
Outra estratégia foi a ampliação do horário de atendimento de algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) até as 23h. A prefeitura também lançou um aplicativo para a população fazer denúncias sobre terrenos com mato alto ou sujeira.
Criou, ainda, uma lei específica que permite realizar a limpeza de terrenos particulares e cobrar o serviço do proprietário. Também continuam sendo realizados mutirões, nebulização casa a casa e “fumacê” em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).
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Passeata nesta sexta
A Secretaria da Educação, em ação integrada com a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Nacilda de Campos, vai realizar uma passeata contra a dengue nesta sexta-feira (15), nos períodos da manhã (às 8h30) e da tarde (às 16h), no Jardim TV. A ação contará com alunos, professores e integrantes da comunidade escolar e irá percorrer as ruas do bairro.
Durante a passeata, as crianças vão utilizar máscaras e bandanas, em uma representação da relevância da ação de combate à dengue. Estudantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), da USC, também apoiam a iniciativa.
"Nós que fazemos parte da comunidade escolar temos que nos unir e reverter esse quadro crescente dos casos de dengue na nossa cidade", explicou a diretora da unidade, Érika Cristina.
Os alunos da Emef assistiram a vídeos educativos em sala de aula e participaram de uma roda de conversa sobre o tema semanas antes da passeata.
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