11 de julho de 2026
Geral

Família escapa ilesa após muro cair e destruir casa: 'Foi a mão de Deus'

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Samantha Ciuffa
Muro de arrimo desabou e atingiu em cheio o quarto do casal e também o da filha deles; Defesa Civil afirma que o acúmulo de água das últimas chuvas fez com que o muro cedesse

Tiago relata como conseguiu sair da casa e socorrer a família

"Senti 1% do que as famílias de Brumadinho passaram". É assim que Tiago Windersor Justino, de 36 anos, define o desastre que acabou com sua casa, localizada na rua Gabriel Rabelo de Andrade, no Parque Jaraguá, por volta das 3h dessa quinta-feira (14). Um muro de arrimo, construído a 10 metros acima, caiu sobre a residência em que o autônomo morava com a esposa e a filha, de 7 anos. O quarto do casal ficou destruído, mas, justamente naquela noite, a mulher e a criança haviam pegado no sono na sala do imóvel.

Com uma visão otimista em relação às perdas materiais e de fé e gratidão por terem saído ilesos, Tiago conta, emocionado, como foram os momentos que passaram na casa onde a família morava há 13 anos. "Por Deus, minha esposa e minha filha estavam dormindo na sala. E eu estava no nosso quarto, mas estava deitado no lado da cama em que minha esposa dorme. Na parte que era para eu estar, foi onde caíram os móveis. Então, eu acordei com tudo caindo. Foram momentos terríveis. Levantei assustado pensando nelas", conta, sobre o conjunto de acasos que salvou a vida de todos. "Foi a mão de Deus que nos preservou", completa.

Ao cair, o muro atingiu em cheio dois cômodos: o quarto do casal e o quarto que seria da filha deles, a pequena Ana Luísa.

A esposa de Tiago, Gabriela Justino, de 36 anos, conta que o muro foi construído há quatro meses, o que foi motivo de temor para eles. "Sempre tivemos medo dele cair. Então, não deixava mais a minha filha dormir no quarto dela e ela passou a dormir na sala. Como ela não pega no sono sozinha, eu a faço dormir e vou para o meu quarto depois. Mas, nessa quinta-feira (14), eu peguei no sono na sala mesmo".

DESESPERO

Após a queda do muro, Tiago relata que teve de sair por uma fresta que se abriu na parede, pelos fundos, pois, por dentro da casa, não havia mais passagem. "Eu fiquei preso, não consegui sair pela porta. Então, vi o buraco que tinha aberto e saí. Fui atrás de uma lanterna para me ajudar a enxergar e tirar elas da sala. Na pressa, ainda furei meu pé em um anzol, que caiu da minha caixa de pesca. A gente tinha uma geladeira paro lado de fora que também estava segurando a casa pra ela não cair, quando eu tirei a geladeira para ter acesso à porta da sala, a casa tremeu um pouco e minha esposa gritou. Mas, consegui abrir uma fresta na porta e elas saíram", relembra.

AJUDA

Logo, o Corpo de Bombeiros e vizinhos chegaram para ajudar a família. "Conseguimos pegar, hoje (quinta-14) de manhã, as minhas roupas e as da minha esposa, graças à Defesa Civil que nos ajudou muito. As coisas da minha filha estão mais difíceis porque o muro caiu quase todo no quarto que tinha tudo dela. Ela saiu daqui assustada, chorando e preocupada com as bonecas que perdeu", diz Tiago. "Foi Deus que segurou a nossa casa. As coisas materiais nós trabalhamos e conquistamos de novo, mas, a nossa vida foi a mão do Senhor que cuidou. Graças a Deus elas estavam na sala", finaliza, ainda emocionado.

Benedito Melchior, de 61 anos, vizinho do casal, foi um dos que ajudaram. "O barulho foi muito grande, fiquei preocupado com eles. Ainda bem que saíram todos sem ferimentos. Eu os levei para a casa de parentes, onde passaram a noite", conta.

A família, agora, ficará na casa da mãe de Tiago e está recebendo auxílio dos amigos e parentes. Quem quiser ajudá-los, pode entrar em contato pelo telefone (14) 99677-1702.

Samantha Ciuffa
Muro construído dez metros acima da casa cedeu na madrugada de quarta (13) para quinta-feira (14)

Acúmulo de chuvas

O muro foi construído em um terreno localizado na rua Liberto Resta, que fica acima da rua da casa da família. De acordo com a Defesa Civil, as últimas chuvas fizeram com que cedesse.

"Devido ao acúmulo de chuvas nesses últimos dias, o muro de arrimo não aguentou e acabou caindo por cima da casa. A Defesa Civil esteve no local, pela manhã, e interditou todo o perímetro. Agora, o responsável pelo muro será notificado para arcar com as despesas", explica o coordenador da Defesa Civil, Thiago Azambuja.