10 de julho de 2026
Geral

Bauruense na Nova Zelândia: 'Após o medo, o clima aqui é de solidariedade'

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Arquivo Pessoal
Erica com a filha Victoria e os pais Fátima e Paulo, que também são de Bauru e estão em Christchurch 

"Ninguém nunca imaginou que algo terrível assim pudesse acontecer aqui, porque é um País calmo, pacífico. Mas, agora, o que se vê é um ajudando o outro". É ainda em um misto de incredulidade e solidariedade que está mergulhada Christchurch, na Nova Zelândia, dois dias após o massacre que deixou 49 mortos e dezenas de feridos (leia mais na página 28). O relato é da bauruense Erica Almas Afonso Cordoba, que mora há 12 anos no País, sendo 10 deles exatamente na cidade alvo do atentado.

A corretora de imóveis de 37 anos reside a apenas 15 minutos da primeira mesquita atacada. "Ficamos sem saber o que fazer. O clima era de tensão, medo e preocupação. Uma amiga que me avisou que algo estava acontecendo, porque estavam fechando todas as ruas. Aliás, fechou tudo, inclusive as escolas. A cidade inteira foi fechada", conta.

O clima de tensão se intensificou quando os vídeos do massacre, que foi todo filmado pelo atirador, começaram a surgir. "Todo mundo começou a ficar ainda mais estressado e nervoso".

CONFIANÇA NA POLÍCIA

Reuters
De acordo com o relato, policiais só pegam armas na Nova Zelândia em situações graves

Érica, que é casada e tem uma filha de dois anos, descreve que o medo somente não foi maior porque a população confia muito na atuação da polícia. "Eles passavam alertas a todo momento. Isso nos deu certa tranquilidade".

Ainda sobre o policiamento, a bauruense relata que as equipes nem sequer andam armadas. "É um País pequeno e tão calmo que a polícia nem sequer anda armada. Quando tem uma ocorrência, eles vão buscar as armas. Então, ver todos eles armados daquele jeito pelas ruas, chamou a atenção".

ESTRANGEIROS

Érica narra que foi para a Nova Zelândia há 12 anos para estudar inglês. A viagem deveria ser de poucos meses. "E estou aqui até hoje", complementa. E não é só ela que escolheu Christchurch para morar. A cidade foi fortemente castigada por um terremoto em 2011 e, desde então, recebe muitos outros estrangeiros para a reconstrução do local.

"Esse atentado foi muito focado nos muçulmanos. Mas, aqui, realmente é um lugar com muitos estrangeiros. Algumas pessoas olham torto para os estrangeiros, mas eles sabem que exercemos um papel fundamental aqui".

'ABRAÇADOS'

Dois dias após o atentado, Erica Afonso é direta em responder se isso a fez pensar em retornar ao Brasil. "Não! Foi um episódio único aqui. Ainda nos sentimos seguros aqui. A polícia já orientou todo mundo a retomar sua rotina, mas mantendo a atenção".

E o que resta após tamanha tragédia? "Depois do clima de medo, o que vemos aqui é solidariedade. É um ajudando o outro. São passeatas e vigílias. Os muçulmanos estão sendo abraçados. É isso. O clima agora é de um ajudar o outro", finaliza.