| Malavolta Jr. |
| Cooperação: Edilson Marciano, Sérgio Ricardo da Silva Jr., Murilo Castilho Ciocca, Gislaine Caride, Bruna Pavaneli e Wilian Campos |
Atribuída ao filósofo grego Aristóteles, a expressão "uma andorinha só não faz verão" lembra que, por mais que cada um se esforce individualmente, conquistas só são alcançadas a partir de uma mobilização coletiva, que o inclui o suporte vindo de outras pessoas. Foi a partir desta consciência que profissionais de Bauru com atuações diferentes começaram a se unir em um sistema de indicações e trabalho conjunto que permitem a conquista de mais espaço e renda no mercado.
Ao descobrirem esta forma de trabalho, em que todos cooperam entre si dentro de um "time", indicando aos clientes nomes dos parceiros que oferecem serviços complementares, o resultado foi imediato: os custos ficaram mais baratos para quem os contrata e os profissionais, por sua vez, ampliaram seu alcance, com consequente aumento no faturamento.
Embora indicações não sejam uma novidade, este movimento, com características específicas, ganhou força nos últimos anos em meio à crise econômica do País. Muitos destes trabalhadores são os que saíram das empresas em estavam contratados e começaram a atuar por conta própria, quando vislumbraram a possibilidade de investir em uma modalidade colaborativa.
É o caso do corretor de imóveis Wilian Campos, 33 anos, que, depois de seis anos, se desligou de uma imobiliária e começou a atuar como autônomo, inclusive no ramo de leilões de imóveis. Inicialmente, ele fez parceria com o advogado Edilson Nogueira Marciano, 32 anos, seu amigo de infância, que passou a prestar o suporte jurídico necessário.
Depois, o grupo ganhou mais três componentes: a arquiteta e design de interiores Bruna Pavaneli, 23 anos, o marceneiro Sérgio Ricardo da Silva Júnior, 31 anos, e o engenheiro civil Murilo Castilho Ciocca, 41 anos.
"Trabalhamos com construções e oferecemos para o cliente o serviço completo: o profissional que vai fazer o projeto de construção da casa, o que vai desenhar os móveis e o que vai fazer estes móveis. Cada um tem liberdade para trabalhar individualmente, mas, sempre que um cliente precisa de um serviço complementar, indicamos uns aos outros", aponta.
GANHA-GANHA
Vale destacar que, neste modelo, cada um recebe pelo seu serviço sem pagar comissões pelas recomendações, mas garante, como contrapartida, a retribuição do encaminhamento de clientes para os seus colegas. É a confiança na qualidade do trabalho que cada um realiza o elo necessário para manter o "time" unido, em uma cooperação sistemática que amplia, em progressão geométrica, a rede de relacionamentos de cada um deles.
É o que explica Murilo Ciocca, que trabalhou em algumas empresas da cidade até decidir se tornar autônomo, em 2017. "Nunca fui muito bom para fazer marketing do meu trabalho e tem sido fundamental poder contar com este tipo de recomendação. Mesmo com a crise, que afetou também a construção civil, estou expandido na minha área", comemora.
Escritório compartilhado: ambiente favorece encontros de profissionais
| Samantha Ciuffa |
| Daniel Disposti é dono de escritório de coworking em Bauru |
Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedecon), Bauru conta, hoje, com três escritórios de coworking. Por conceito, trata-se de um modelo de trabalho que se baseia no compartilhamento de espaço e recursos de escritório.
Apesar de não ser esta a sua finalidade, estes ambientes são propícios para o encontro de profissionais que, não raramente, se unem para trabalhar em cooperação. Para a titular da Sedecon, este movimento ainda está no início na cidade, mas tem forte potencial para expandir, dada à crescente demanda por otimização de custos e de oferta de serviços, com a consequente conquista de novos mercados como resultado.
"Há muitos profissionais liberais fechando seus escritórios e indo para estes espaços compartilhados com a intenção inicial de reduzir custos. Depois, principalmente entre os mais jovens, há esta descoberta sobre a possibilidade de trabalhar de maneira colaborativa e oferecer serviços integrados. Mas é uma cultura ainda nova na cidade", afirma.
Inaugurado há sete anos, o primeiro escritório de coworking em Bauru recebe, atualmente, cerca de 200 profissionais, em sua maioria trabalhadores autônomos. De acordo com Daniel Disposti, 34 anos, dono do local, eles pagam mensalidades, cujo valor varia de acordo com a frequência e o tipo espaço demandados. O custo, ao final, acaba sendo menor do que a despesa que a pessoa teria para manter, sozinha, uma estrutura semelhante, com salas de reunião, café e atendentes.
Bauru terá escritório colaborativo municipal
| Malavolta Jr. |
| Aline Fogolin, titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico |
Buscando se inserir neste ambiente colaborativo que busca otimizar a oferta de serviços, a Sedecon revelou que irá inaugurar, ainda neste ano, o primeiro espaço municipal de coworking em Bauru, que terá como foco projetos de inovação. Segundo a titular da pasta, Aline Fogolin, a intenção é que o novo serviço também contribua para fomentar atividades que possam ser complementares, a exemplo do que já ocorre em cidades como Curitiba (PR) e Presidente Prudente (SP).
"São cidades que temos como referência para o que desejamos implantar em Bauru. Será um espaço público onde os profissionais poderão criar projetos e programas que possam ser úteis para a prefeitura ou empresas privadas", aponta.
O modelo definitivo do espaço municipal de coworking ainda não está definido, mas Aline frisa que poderá contemplar pessoas que tenham boas ideias e empresas que queiram melhorar seu negócio, desde que seja por meio de projetos inovadores. A ideia é de que o suporte seja prestado por parceiros, como empresas do Sistemas.
"A maioria frequenta todos os dias. Entre os ramos mais fortes, está o de advocacia. Há muitos advogados novos que querem trilhar seu caminho sozinho, mas o inverso também acontece. Muitas parcerias nascem neste ambiente, como é o caso recente de duas advogadas que se conheceram no escritório e, hoje, trabalham juntas ali", revela.
Encontro ao acaso virou parceria
| Samantha Ciuffa |
| O engenheiro André Berming e o mestre de obras Manoel dos Santos Neto firmaram parceria |
Foi quando saiu da empresa em que trabalhava e se tornou autônomo, há cerca de um ano, que o engenheiro civil André Berming, 39 anos, conheceu o mestre de obras Manoel Ferreira dos Santos Neto, 40 anos. Foi de um encontro ao acaso, em uma obra em que ambos foram contratados para trabalhar, que nasceu uma parceria que já dura quase um ano.
"Eu tinha os meus clientes, ele tinha os dele e decidimos unir forças. Nesta obra, um viu que o outro fazia um bom trabalho e houve esta identificação", conta André. Desde então, ele começou a chamar Manoel sempre que um novo serviço aparecia e o mesmo fez o mestre de obras, indicando o trabalho do engenheiro.
"Hoje, sempre trabalhamos juntos e uso o espaço de um escritório de coworking para atender clientes, na hora de apresentar projetos, por exemplo. Na maior parte do tempo, estamos na rua e não compensaria arcar com todas as despesas de um escritório próprio, incluindo aluguel, mobiliário, Internet. Com este modelo de negócio colaborativo, meus resultados foram muito melhores do que eu esperava", comenta.