| Samantha Ciuffa |
| A contaminação da água por ácido foi constatada antes do início das sessões de hemodiálise |
Botucatu - Após a contaminação por ácido da água que seria utilizada nas sessões de hemodiálise de 100 pacientes agendados para a manhã do último sábado (16), Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) reforçou a segurança na unidade. A Polícia Civil aguarda o resultado da perícia feita no local e analisa imagens do circuito de segurança do hospital para apurar se o ato foi criminoso e tentar identificar eventuais responsáveis.
Segundo a assessoria de imprensa do HC, nesta segunda-feira (18), as sessões de hemodiálise ocorreram normalmente. Em média, o hospital realiza aproximadamente 110 procedimentos do tipo por dia. "O atendimento está normal e as investigações seguem. O HC reforçou a segurança, o controle de acesso e o monitoramento da Unidade de Diálise", informa.
No boletim de ocorrência (BO) registrado no plantão policial, o HC disse que a hipótese de contaminação espontânea, por algum outro fator que não seja por ação humana, é mínima e pode ser descartada diante da rotina preventiva que existe no local. "Acreditamos que não foi acidente, mas estamos à disposição da polícia para as investigações", cita a assessoria.
A água utilizada nas sessões de hemodiálise é distribuída pela Sabesp e passa por um processo interno de tratamento e filtragem no hospital antes de ser redirecionada para os equipamentos médicos. De acordo com o HC, os pacientes poderiam sofrer infecções graves e até morrer caso a água contaminada tivesse sido usada no processo de filtragem do sangue.
INQUÉRITO
O delegado assistente da Delegacia Seccional de Polícia de Botucatu, Lourenço Talamonte Netto, conta que a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) já instaurou inquérito para investigar o caso. "Foi feita a perícia e o levantamento de digitais na tampa do local onde estava armazenada essa água que era utilizada para a hemodiálise", explica. Os peritos também coletaram amostras da água contaminada para análise.
"Também foi acionada a equipe de segurança da Unesp. Eles têm sistema de monitoramento por câmeras e tudo isso terá de ser analisado", declara o delegado. A ocorrência foi registrada com base no artigo 273 do Código Penal, que, em caso de condenação, prevê uma pena de 10 a 15 anos de reclusão para quem falsifica, corrompe, adultera ou altera produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.
RELEMBRE O CASO
Conforme divulgado na edição de domingo do JC, o HC suspendeu 100 sessões de hemodiálise agendadas para a manhã do último sábado após detectar que a água que seria utilizada no procedimento havia sido contaminada por ácido peracético, usado no setor para esterilização pelo potencial de combater fungos e bactérias. No mesmo dia, o hospital registrou boletim de ocorrência para a apuração de eventual crime.
Em nota, a assessoria de imprensa informou que a sua Unidade de Diálise é considerada referência em procedimentos dialíticos no estado desde 1982 e segue com rigidez e diariamente todos os protocolos, portarias e padronizações de conduta que priorizam a segurança do paciente.
"Antes de iniciar as sessões na manhã de sábado, ao analisar a qualidade da água usada para o tratamento de hemodiálise na Unidade, foi constatado que a mesma estava contaminada com ácido peracético, substância usada regularmente no setor para esterilização", revelou.
"As 100 sessões de hemodiálise agendadas para este sábado foram imediatamente canceladas e todas as medidas cabíveis foram tomadas para apuração do fato". A água da Unidade já foi recuperada e as sessões foram retomadas normalmente a partir de domingo. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, nenhum paciente chegou a ser prejudicado, já que todos eles tiveram as sessões reagendadas.