| Malavolta Jr. |
| Pesquisas são orientadas pela professora de Fonoaudiologia da FOB Andrea Cintra Lopes |
Produtos comumente utilizados nas culturas agrícolas, os agrotóxicos são alvo de uma tese de doutorado desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP). O trabalho estuda o impacto destas substâncias na audição. Inclusive, este sentido humano está em evidência neste mês, uma vez que a Organização Mundial da Saúde (OMS) celebrou o Dia Mundial da Audição em 3 de março.
| Arquivo Pessoal |
| Amanda Bozza desenvolve a pesquisa com três grupos diferentes de trabalhadores rurais |
A pesquisa é orientada pela livre docente do Departamento de Fonoaudiologia da FOB, Andrea Cintra Lopes.
A tese está sob responsabilidade da fonoaudióloga Amanda Bozza, que analisa três grupos de trabalhadores: um exposto apenas ao ruído, outro aos agrotóxicos de diversas culturas e o último está sujeito aos agrotóxicos das plantações de fumo, especificamente.
Ainda de acordo com Andrea, as plantações de fumo são altamente tóxicas para o Sistema Nervoso Central (SNC), não só pelo uso de agrotóxicos, mas pela própria planta, que também é prejudicial.
A coleta de informações se deu na região de Irati, no Norte do Paraná, que abriga a maior produção de fumo do País. Ao todo, 40 trabalhadores de cada grupo responderam o questionário e todos, sem qualquer exceção, apresentaram alterações no sistema auditivo.
Porém, o grupo formado por fumicultores teve problemas auditivos mais graves. "Inclusive, perdemos dois trabalhadores, vítimas de câncer", observa a orientadora.
Andrea defende, ainda, que não é contra o uso de agrotóxicos. "A nossa intenção é fazer com que as pessoas - especialmente, os pequenos produtores - tenham a informação sobre a aplicação correta dos produtos, bem como o uso dos EPIs adequados", observa.
Em tempo: a pesquisa é realizada apenas com os trabalhadores rurais e não envolve quem ingere os alimentos com agrotóxicos.
OUTRA FRENTE
| Arquivo Pessoal |
| Karlla Cassol estuda os comportamentos e as atitudes das gestantes frente aos agrotóxicos |
Outra tese desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia da FOB é de autoria da fonoaudióloga Karlla Cassol, que estuda comportamentos e atitudes das gestantes frente aos agrotóxicos.
Neste caso, a pesquisa teve início em 2016 e está para ser concluída entre o final deste ano e o início do próximo. Karlla investiga o comportamento, as atitudes e as práticas das gestantes agricultoras em todo o território nacional, principalmente, no Estado de São Paulo, além das regiões Sul e Norte do País.
O objetivo secundário do estudo consiste em informar, a partir dos resultados, toda a classe trabalhadora. A ideia é levar as orientações aos serviços de saúde, que recebem estas mulheres. "Elas têm de ter cuidados como separar a roupa contaminada para lavar e manipular adequadamente os alimentos", exemplifica Andrea Cintra Lopes, orientadora da tese.
Para a realização do trabalho, Karlla contou com o apoio dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerests) e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Até o momento, 500 grávidas responderam o questionário aplicado.
Por enquanto, a pesquisa identificou carência de informações acerca do uso dos agrotóxicos e dos efeitos nocivos à saúde humana. "Por não ter cheiro ruim, a gestante acredita que o produto não fará mal para si ou para o bebê". revela Andrea.
Segundo ela, que também preside a Comissão de Audição, vinculada ao Departamento de Audição e Equilíbrio, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, muitas crianças nascem prematuras ou com baixo peso, fato que pode ter relação com a contaminação por agrotóxicos.
Falando nisso, há dois tipos de intoxicação, a aguda e a crônica. No primeiro caso, os sintomas aparecem dentro de algumas horas. No segundo, levam até 5 anos, se houver exposição continuada ao produto.
Já os sintomas mais comuns são: tontura, vertigem, dor de cabeça, distúrbios alérgicos, incoordenação motora, paralisia, distúrbios de equilíbrio e alterações em todo o sistema auditivo. Em casos mais graves, a literatura apinta que a contaminação provoca neuropatias e câncer.