| Malavolta Jr. |
| Intervenção artística realizada no Jornal da Cidade integra o projeto "Pra Elas e Por Elas", desenvolvido pela escola Janga |
| Amanda Cabo Grosso de Souza mostrou o sofrimento de milhares de brasileiras diante da violência doméstica, que, muitas vezes, leva ao feminicídio |
Com um relato pesado e, ao mesmo tempo, realista, a estudante Amanda Cabo Grosso de Souza, de 18 anos, interpretou o sofrimento de milhares de brasileiras diante da violência doméstica, que, muitas vezes, leva ao feminicídio. Apresentada para marcar o Mês da Mulher, no Jornal da Cidade, a intervenção artística integra o projeto "Pra Elas e Por Elas", desenvolvido por Amanda e outros 24 alunos da 3.ª série B do Ensino Médio da Escola Estadual Professor José Aparecido Guedes de Azevedo, situada na região do Bela Vista, em Bauru.
De acordo com a estudante, a escolha do tema "feminicídio" foi mais do que pertinente. Amanda se baseou em um vídeo publicado nas redes sociais para montar o texto e a interpretação.
O restante dos alunos pesquisou em fontes oficiais, inclusive em notícias do JC. Recentemente, o jornal publicou uma reportagem especial, na qual especialistas da área defenderam que o feminicídio é cometido por homens imaturos e que se sentem "donos" das respectivas parceiras.
PROJETO
O projeto "Pra Elas e Por Elas" faz parte do currículo da própria escola, cujo ensino é integral. "Então, aprendi a ser empática diante da dor de algumas mulheres e, ao mesmo tempo, conscientizá-las a denunciar", revela Amanda, que pretende cursar Jornalismo.
Além da intervenção, os alunos distribuíram panfletos e flores de papel. A estudante Francine Simões de Moraes, 17 anos, pensou até nas cores que o grupo utilizaria para a confecção das lembranças. "A flor representa a mulher, porque é delicada; a cor amarela foi usada, porque ela dá à luz; o preto significa o luto pelas vítimas de feminicídio; e o verde é a esperança em dias melhores".
PRESTÍGIO
Professora e orientadora do trabalho, Suzana Saconato também é 2.ª secretária do Conselho Municipal de Políticas para Mulheres. Segundo ela, os próprios alunos escolheram prestigiar o JC, que deu destaque a outro projeto desenvolvido pelo colégio.
Conforme noticiado no último dia 2, bem às vésperas do Carnaval, os estudantes da 3.ª série A do Ensino Médio da escola trouxeram à tona uma temática tão preocupante que até virou lei. Desde setembro do ano anterior, a importunação sexual, incluindo mão boa e beijo roubado, prevê pena de 1 a 5 anos de reclusão.
Para a professora, o assédio deve ser discutido com frequência. "No decorrer do ano letivo, desenvolvemos projetos sociais de vários assuntos e não deixamos de abranger este tipo de violência. Inclusive, recebemos um convite para fazer a mesma intervenção, mas em outro local".
A escola, carinhosamente chamada de Jaga, trabalha com 500 alunos, com idades entre 11 e 18 anos.