11 de julho de 2026
Geral

'Nem gritar eu consegui', diz jovem arrastado por 2 quadras pela água

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Aceituno Jr.
Victor Marcon machucou pernas e braços ao ser arrastado

"Eu estava voltando da faculdade para casa e a enxurrada cobria o meu pé. De repente, passou a cobrir a coxa e me derrubou". Foi assim que começaram momentos de terror para o estudante Victor Oliveira Marcon, de 19 anos, na noite do temporal da última quarta-feira. O universitário foi arrastado por quase duas quadras na rua Capitão Gomes Duarte, na região da Vila Universitária, e só não foi levado pela água que descia em direção à avenida Nações Unidas porque conseguiu se segurar em um poste.

Victor Marcon foi arrastado na chuva e machucou a perna

Naquela mesma noite, mãe e filha, Luciene Regina do Prado Silva, 43 anos, e Bianca Prado da Silva, 14 anos, morreram no Córrego da Grama, na avenida Comendador Daniel Pacífico, na altura da favela São Manoel.

'QUASE ME AFOGUEI'

Estudante do segundo ano de Química na Unesp, Victor desceu do circular nas imediações da avenida Nações Unidas e seguia, sozinho, para sua casa, por volta da meia-noite, quando se deparou com uma tromba d'água.

"Eu levei um susto. Não imaginava uma tromba d'água ali. Quando caí, tentei me agarrar a uma placa, mas a enxurrada estava muito forte. Achei que fosse morrer, quase me afoguei. E nem gritar eu consegui", lembra Victor, sobre os minutos de terror que viveu ao longo das quadras 20 e 23 da rua Capitão Gomes Duarte.

Quase chegando na Nações Unidas, ele conseguiu se agarrar em um poste, onde ficou por aproximadamente 10 minutos até a água baixar. "Depois, eu dei uma volta gigante para chegar em casa", conta.

Ele perdeu o celular, mas conseguiu recuperar a carteira. "Um homem achou ela no Vitória Régia depois da chuva e me devolveu com o dinheiro (cerca de R$ 50) e tudo".

Com as pernas inchadas e roxas das pancadas e os braços e mãos ralados, o estudante se diz traumatizado, contudo, aliviado. "Felizmente não me tornei uma terceira vítima fatal. Encaro isso tudo como uma segunda chance de vida. Meus pais ficaram desesperados. Chuva, agora, só na rua. Eu paro onde puder para me proteger e junto com outras pessoas", cita.

RECUPERAÇÃO

Secretário municipal de Obras, Ricardo Olivatto diz que deslocou toda sua força-tarefa para os pontos afetados pela chuva (veja no quadro ao lado). Com isso, serviços em outros endereços, como na quadra 13 da Marcílio Dias, que teve uma erosão contida, precisou ser postergado e gerou reclamações. "A chuva gerou demandas emergenciais, mas mandaremos uma equipe para lá já na segunda-feira".

Segundo a Defesa Civil de Bauru, não houve registro de desalojados em pontos atingidos, até essa sexta-feira (22). Na favela São Manoel, duas famílias foram retiradas de barracos pela prefeitura ontem por segurança. "Uma terceira família não aceitou ajuda da Sebes", afirma Thiago Azambuja, coordenador do órgão.

"Peço para que quem teve a casa afetada pela chuva nos ligue, porque nós avaliaremos se há riscos ou não. É importante para evitar mais tragédias", completa. A Defesa Civil pode ser acionada pelo (14) 99108-1200.

PERIFERIA E ASSENTAMENTO

Grupo de voluntários, o Esquadrão do Bem recebe doações para ajudar moradores da periferia de Bauru que tiveram a casa danificada pela lama. A favela São Manoel foi uma das regiões mais afetadas. Para ajudar, ligue para o (14) 99675-5495, falar com Maria Inês Faneco.

FAMÍLIAS DO CANAÃ

O Assentamento Canaã também foi afetado pela chuva. Vários barracos derrubados, gêneros alimentícios perdidos, roupas e móveis destruídos. As famílias necessitam de ajuda, principalmente leite (em razão do grande número de crianças), arroz, macarrão, roupas e cobertas. Doações podem ser deixadas na rua Cussy Junior, 3-40, no Sindicato dos Ferroviários, que providenciará a entrega.