09 de julho de 2026
Política

Bauru tem protesto contra a reforma

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Protesto contra a reforma da Previdência ocorreu em frente à Câmara de Bauru, onde também foi realizada audiência pública

O ato nacional contra a reforma da Previdência, organizado por centrais sindicais, teve movimentação em Bauru na tarde dessa sexta-feira (22). Uma audiência pública foi realizada na Câmara Municipal, chamada pelo vereador Sandro Bussola (PDT), e uma manifestação ocorreu em seguida, com protestos contra a reforma. Escolas públicas municipais e estaduais tiveram paralisações por conta da adesão de professores. As mudanças propostas pelo governo federal são consideradas prejudiciais aos trabalhadores, especialmente os mais pobres, de acordo com os sindicatos e partidos políticos contrários.

Alguns partidos como PT, PSOL e PDT já declararam publicamente que são contrários à reforma da Previdência e que, portanto, deverão votar contra o projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados.

Na audiência pública que lotou a Câmara, nessa sexta-feira (22), diversas entidades participaram e demonstraram insatisfação com o projeto. Estiveram na audiência a Central Única de Trabalhadores (CUT), Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais (Funprev), Sindicato dos Empregados dos Correios, Comissão de Direito Sindical da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Municipal de Direitos Humanos, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Bauru (Sinserm) e Sindicato dos Eletricitários.

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, o presidente da Funprev, Gilson Gimenes Campos, declarou ser contrário ao projeto pois a idade mínima para a aposentadoria - 65 anos para homens e 62 para mulheres - não contempla a realidade dos servidores públicos.

O presidente da Comissão de Direitos Sindicais da OAB, Lázaro Eugênio, assim como a presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos, Kátya Valéria, são contrários à proposta. Presidente do PSOL, Roque Ferreira falou em nome da CUT e criticou o projeto de um sistema de capitalização, que já se mostrou precário em outros países, e lembrou que a Constituição garante o direito à Previdência, devendo ser custeada por toda a sociedade.

O vereador Sandro Bussola propõe uma Moção de Apelo da Câmara Municipal, para que seja assinada por outros parlamentares contrários ao projeto e que, depois, seria encaminhada até a Câmara dos Deputados.

ESCOLAS

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) participou de um ato na Capital Paulista, nessa sexta-feira (22), e teve adesão de cerca de 1.700 professores da rede estadual na região, afirma o coordenador da entidade em Bauru, Marcos Chagas.

Dois ônibus saíram da cidade e, com alguns carros particulares, mais de 100 professores de Bauru estiveram no ato da Capital, que se juntou ao movimento de outras categorias profissionais.

Por conta da adesão dos professores, ao menos 56 escolas estaduais da região tiveram paralisações em Bauru, Arealva, Ubirajara, Lençóis Paulista e Pederneiras.

A Secretaria de Estado da Educação afirma que a orientação foi manter as escolas abertas, chamando professores eventuais, se necessário, e que nenhuma unidade ficou totalmente paralisada. Na rede municipal, não houve suspensão em aulas das escolas infantis, mas, nas de Ensino Fundamental (Emef), seis foram afetadas. Na segunda-feira, as aulas de todas as escolas devem acontecer normalmente.

Deputado se posiciona

O deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB) esteve na audiência da Câmara Municipal, nessa sexta-feira (22), e destacou que, de modo geral, os parlamentares em Brasília enxergam com bons olhos a necessidade de uma reforma, mas que não há consenso sobre o texto final da PEC.

Na opinião do deputado bauruense, a proposta deve tramitar por alguns meses antes de ir à votação em plenário, já que o texto deve passar por comissões internas e receber diversas emendas. A principal contradição do texto, na visão de Agostinho, é a idade mínima estipulada. Ele acredita que a aposentadoria aos 65 anos foi prevista levando em conta parâmetros de países desenvolvidos e que, por isso, não atende à realidade brasileira.