09 de julho de 2026
Cultura

Entrevista da Semana: cantor, compositor e luthier Silvio Young

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 6 min

AO SOM DA LENDA

Entre boa conversa e boa música, Silvio Young fala sobre suas influências setentistas e como a música está presente em sua vida

Samantha Ciuffa
Silvio Young canta os clássicos do rock, folk e country tocando violão e gaita

Fotos: Arquivo Pessoal
Silvio com o filho mais novo, Vinícius da Silva

Silvio Young durante pescaria, um de seus hobbies

Cabelos longos, barba, óculos retrô e, claro, um chapéu - uma de suas paixões. Este é o visual do cantor, compositor e luthier Silvio Young, que esbanja talento em clássicos do rock, folk, blues e country. Filho de Ourinhos, há 13 anos, Silvio Moreira da Silva, como foi batizado, encontrou em Bauru palco para suas canções e fixou-se aqui com sua esposa e o filho mais novo.

Nesta semana, a reportagem foi recebida com muito carinho na casa de Silvio, ao som do folk que tocava em uma rádio online americana. A entrevista seguiu assim, em tom de bate-papo com trilha sonora da rádio e das músicas que o cantor puxava entre uma resposta e outra, arrancando elogios da fotojornalista - que é guitarrista e fã descarada de Bob Dylan.

Jornal da Cidade - A música está na sua vida desde a infância?

Silvio Young - Sim. Meu pai, João Moreira, era ferroviário em Marquês dos Reis, em Jacarezinho, no Paraná, e tinha uma banda de Carnaval. Eles se apresentavam em um cinema lá e minhas irmãs também cantavam. Éramos em quatro mulheres e quatro homens, todos gostavam muito de música. Lembro que, na época da Jovem Guarda, as minhas irmãs tinham pôsters do Ronnie Von, do Roberto Carlos, do Jerry Adriani, dos Beatles também.

Silvio Young com a esposa Edna Prado

JC - E você começou a cantar quando?

Silvio Young - Foi quando eu arrumei um violão Tonante, eu tinha uns 15 anos. Nessa época, eu morei em Santos, com a minha irmã. Ela casou com um marinheiro e foi passar a lua de mel em Nova York e me trouxe o primeiro disco ao vivo do Kiss e umas fitas com umas músicas. No meio tinha "Year of the cat", do Al Stewart. Eu me apaixonei por ela e comecei a tirar a música no violão. Nunca fiz aula, fui autodidata. Na mesma fita tinha "My, my, hey hey", do Neil Young, que eu amei (Nesse momento, ele parou a entrevista para tocar um trecho de "My, my, hey hey").

JC - Foi daí que veio o Young para o seu nome?

Silvio Young - É, é uma referência ao Neil Young. Ele é uma das minhas maiores influências e eu toco duas a três horas de músicas só dele.

JC - As suas influências são todas da década de 70? Você respira isso, não é?

Silvio Young - Sim e eu fico feliz em saber que as novas gerações gostam desse som. Bob Dylan é o início de tudo, Neil Young, Bread and David Gates, Beatles e os country, têm muitos nomes que me inspiram e que estão no meu repertório.

JC - Tem alguns nomes nacionais?

Silvio Young - Gosto bastante do Clube da Esquina e tenho as minhas músicas. Gravei um vinil com quatro músicas autorais country, mas tenho muitas músicas.

JC - E como apareceu Bauru na sua vida?

Silvio Young - Eu trabalhava na fábrica de colchões Castor e em um certo momento, eu e minha esposa decidimos vir para Bauru, tentar a vida por aqui. Faz 13 anos. Viemos nós dois e meu menino, que era bem novinho. Eu não consegui encontrar emprego na área de compras e pensei em começar a viver só com a música. Coloquei uma placa em frente à minha casa para dar aula de contrabaixo, guitarra e violão. Arrumei quase 20 alunos e era uma farra com as crianças.

JC - Foi assim que se estabilizou na cidade?

Silvio Young - Então, foi a partir daí. Ficamos em Bauru por causa da música e porque minha esposa teve a possibilidade de trabalhar com a área de costura, que é o que ela faz até hoje. Nessa experiência com as aulas, logo os alunos começaram a me trazer violão para arrumar e eu fui começando a mexer com isso também. Comecei a expandir na parte de luthieria e começaram a aparecer mais e mais clientes. Hoje, eu tenho uma avaliação muito positiva em Bauru e região na área de manutenção dos instrumentos.

Samantha Ciuffa
O cantor Silvio Young também fala de sua paixão por chapéus; ele tem uns 30 em sua coleção

JC - E você faz shows todo final de semana?

Silvio Young - Tenho trabalhado bastante. A gente até recusa algumas coisas, porque me chamam em diversos lugares, em vários Estados. No próximo dia 30, vou tocar em um evento muito legal, o BBQ, no Festival "De todo al fuego". Tenho feito bastante evento corporativo também, que é muito bacana. Em shows, eu levo alguns músicos comigo, mas geralmente sou eu, meu violão e minha gaita.

JC - De onde surgiu esse codinome "a lenda"?

Silvio Young - Ah! Eu sou muito amigo do Fernando Gimenes, dono da casa James Joyce, onde eu sempre toco. Ele me deu esse apelido, mas é coisa dele (risos).

JC - Saindo um pouco dos palcos e falando sobre seu trabalho como luthier, você sempre atendeu aqui na sua casa?

Silvio Young - Sim, fico em casa ouvindo música o dia inteiro. Deixo essa rádio americana ligada e trabalho o dia todo aqui na minha sala. Foi trabalhando com isso que eu conheci o José Luiz Paes. Um dia ele veio aqui, conversamos e ficamos muito amigos e aí começou o Clube da Toca.

JC - O que é o Clube da Toca?

Silvio Young - Faz dois anos que não existe mais. Mas era um lugar em que se reuniam só músicos bons, com churrasco e cerveja, toda segunda-feira. Durou uns quatro anos. A gente ficava até as 4 horas da manhã conversando e tocando.

JC - E, atualmente, como você se diverte quando não está fazendo seus shows e trabalhando como luthier?

Silvio Young - Eu gosto bastante de pescar, também assisto muito televisão. Gosto de ver filmes e esportes. Assisto futebol - já até deixei de ir na igreja para ver o 'coringão' jogar - e têm os torneios de golf que eu também acompanho e gosto muito.

JC - Além da música, mais alguma paixão?

Silvio Young - Os meus chapéus. Guardo o primeiro que tive, que já está velhinho, e também os que ganhei. Tenho uns 30 chapéus guardados no total.

PERFIL

Nome: Silvio Moreira da Silva

Idade: 58 anos

Signo: Touro

Esposa: Edna Prado

Filhos: Rafael, de 33 anos, e Vinícius, de 18 anos

Time: Corinthians

Música: “House of the rising sun”, The Animals

Ídolo: Neil Young

Hobby: Pescar

Para quem dá nota 0: Para a fome

Para quem dá nota 10: Para músicos como Paul McCartney, que continuam fazendo suas turnês

Confira o vídeo: