09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Os 'Salvadores da Pátria'

Jayr Avallone Nogueira - Advogado - OAB 9.447
| Tempo de leitura: 2 min

Há poucos dias saindo de minha solidão, me encontrei com um amigo e comentamos, durante nossa breve conversa, que nos últimos 70 anos elegemos três presidentes "salvadores da Pátria".

O primeiro deles foi Jânio Quadros. Com a sua famosa Instrução 204, da SUMOC (não havia Banco Central), ele dobrou o preço do dólar da noite para o dia, elevando, em consequência, os preços do trigo e do petróleo naquele tempo importados, de uma forma brutal. Em seguida, numa só penada, fez uma demissão em massa. Antes de completar um ano, renunciou.

O esperado "salvador da Pátria" foi um fracasso. O segundo "salvador da Pátria" foi Collor, que confiscou as economias do povo, na mais injusta das medidas governamentais que se tem notícia. Pouco depois foi afastado do governo por improbidade. O povo, porém, continuou com seus haveres confiscados.

Agora, elegemos um novo "salvador da Pátria". Este, como os anteriores, se não colocarem um freio, será o terceiro a prometer a paz celestial em um futuro distante, mas oferecendo como realidade presente o inferno com seus sofrimentos e lágrimas.

As extravagâncias que se anunciam são muitas, porém, uma me parece profundamente injusta e que castigará as mulheres idosas, especialmente.

Sabe-se que, por diversas razões, o número de viúvas é muito maior do que o número de viúvos. Por isso, quando se fala em pensão, deve-se imaginar que quem pleiteia uma pensão é, na maioria dos casos, a mulher idosa.

Pois bem, querem tungar as pensões que as viúvas têm direito a receber por morte de seu marido. A mulher idosa que trabalhou e fez jus a sua aposentadoria, em caso de falecimento de seu marido, terá que optar entre os vencimentos de sua aposentadoria e a pensão deixada pelo seu falecido marido. Mas, ainda mais. Se optar pela pensão, esta será em valor de 60% do recebido pelo seu marido em vida.

Conclusão óbvia: com a morte do marido, a viúva terá enorme redução em sua renda, aumentando o empobrecimento.

Ou seja, pune-se injustamente as viúvas. Aqui o paradoxo: no discurso, louvam-se as mulheres e, na prática, tomam-se delas o que têm direito, levando-as à miséria em sua velhice.

Para tristeza do povo, numa aliança urdida pelo demônio, o destino e governo juntam-se covardemente e no momento em que um rouba a vida do marido, o outro lhe tunga a pensão.

Tudo isso, fruto de um pacto perfeito elaborado pelo demônio e executado pelas mãos traiçoeiras do "salvador da Pátria".