Acompanhando o andamento da greve dos servidores de Bauru, não posso deixar de tirar minhas conclusões: estamos todos a mercê de uma administração separatista, quase como um apartheid. Para os servidores da Emdurb, um acordo foi rapidamente oferecido e aceito pelos servidores. E a pergunta que não quer calar: por que não é o mesmo acordo oferecido também aos servidores da PMB? Nosso trabalho é menos importante que o dos coletores de lixo?
Uma sensação de completo abandono me invade, pois nossos direitos estão sendo tirados a cada ano que passa, e nesse lamaçal nacional de corrupção nem no Judiciário os brasileiros confiam mais.
A tão falada valorização do servidor que o atual prefeito disse que faria foi isso: para os servidores da educação, uma convocação com "direito" a uma palestra, onde a discursista gritou como uma louca, e onde a secretária da Educação quis que acreditássemos que devemos trabalhar por 4, pensar que o trabalho não é trabalho, e receber o salário de apenas 1.
Nos resta apenas copiar o modelo usado há décadas pelos meninos da coleta: confeccionar nossos envelopes e entregar aos pais de alunos (no caso da Secretaria da Educação), pedindo ajuda para a páscoa, natal, ano novo etc dos funcionários da escola. Cada escola faz o seu e depois divide entre os funcionários. Mas eu tenho comigo que não conseguiríamos quase nada, pois são poucos os pais que se importam com o que acontece na escola em que seu filho estuda. Para a grande maioria, basta que ele esteja na escola, não importa se ela é um depósito de crianças, com salas superlotadas, com prédio decrépitos, onde chove mais dentro da sala de aula do que lá fora, onde o barro invade as salas, onde serventes se matam tentando deixar limpo o ambiente. E para depois ser falado que o servidor pega muito atestado médico. Enfim, poucos sabem das nossas mazelas, poucos se importam conosco.
Mas se importar por que, não é mesmo? O primeiro escalão dessa administração está com os salários lá em cima, as crianças estão sendo acolhidas (acolhidas?) nas escolas, os pacientes esperam pacientemente pelo atendimento nas unidades de Saúde. Não importa que haja algo de podre no reino da Dinamarca.