10 de julho de 2026
Nacional

Bolsonaro indica que Vélez pode ser demitido do MEC na segunda-feira

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Educação, Ricardo Vélez, participa de audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados

O presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a afirmar que vai se reunir com o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, na próxima segunda-feira (8), mas ponderou que ainda não decidiu se vai efetivamente demiti-lo e não pensa em eventuais substitutos. "Não está decidido ainda, tudo pode acontecer, disse. Ele destacou que a Educação é um dos ministérios mais importantes e, por isso, "tem que funcionar redondinho".

Nesta sexta-feira, em café da manhã com jornalistas, Bolsonaro disse que Vélez "não está dando certo" como comandante do MEC. "É uma pessoa bacana, honesta, mas está faltando gestão, que é uma coisa importantíssima", disse o presidente, marcando para a próxima segunda-feira, 8, a decisão sobre a "situação da Educação".

Em analogia ao casamento, disse que ainda está "noivo" do ministro e na próxima segunda pode decidir manter a aliança na mão direita, passá-la para a mão esquerda ou colocá-la na gaveta. Sobre um eventual substituto para Vélez, disse que ainda não pode pensar nisso porque é "fiel".

"Eu não posso pensar nisso... É a mesma coisa que ficar viúvo hoje, e já vou ter outra namorada", disse Bolsonaro, em tom de brincadeira.

Indagado se, mesmo assim, poderia ter outra opção, respondeu que ele é "diferente da maioria dos homens". "Eu sou quase igual à maioria das mulheres, eu sou fiel. Não tem esse papo de reserva" declarou a jornalistas nesta sexta-feira, dia no qual participou de inauguração do Espaço de Atendimento de Ouvidoria da Presidência da República.

Após o evento, durante coletiva de imprensa, Bolsonaro foi indagado se, mesmo sem a definição de um substituto para o ministro, Vélez deve deixar a função. Diante do questionamento, o presidente ficou em silêncio por alguns segundos e começou a rir.

Ele fez uma brincadeira com o chefe da Secretaria de Comunicação (Secom), Floriano Amorim, que estava ao seu lado. "Você também deve sair, né, Floriano?", provocou Bolsonaro em tom bem humorado. Mais cedo, Bolsonaro confirmou que Floriano será substituído por Fábio Wajngarten.

Questionado se o MEC pode funcionar mesmo se Vélez continuar no comando, Bolsonaro respondeu que "só a morte não tem conserto".

Críticas de Olavo

Após a sinalização do presidente sobre Vélez, o escritor Olavo de Carvalho, que é influente no governo, disse em seu perfil no Facebook que não irá lamentar a suposta demissão do ministro.

"Conheci o Prof. Vélez por seus livros sobre a história do pensamento brasileiro, publicados mais de vinte anos atrás. Nunca tomei conhecimento das suas obscenas tucanadas e clintonadas, que teriam me prevenido contra seu comportamento traiçoeiro", escreveu Olavo, para então concluir: "Não vou fazer nada contra ele, mas garanto que não vou lamentar se o botarem para fora do ministério".

A publicação de Olavo é mais um revés para o ministro Vélez, que assiste a pedidos de demissão sucessivos na pasta, além de um permanente conflito entre alas militaristas, técnicas e olavistas dentro do MEC. Em março, Olavo já havia feito publicações contra o ministro, inclusive atacando-o com palavrões. O ministro, no entanto, foi levado ao cargo no começo do ano justamente por indicação do escritor, de quem se distanciou ao demitir funcionários próximos a Olavo, considerado um "guru" do governo Bolsonaro.