09 de julho de 2026
Polícia

Jovem tem pescoço cortado em assalto

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Arquivo Pessoal
Entregador de lanches de 24 anos ficou com o pescoço ferido; por sorte, corte não foi profundo

Um assalto quase terminou em tragédia em Bauru. Um jovem de 24 anos teve seu pescoço cortado com o gargalo de uma garrafa quebrada durante roubo ocorrido no Parque Vitória Régia. A vítima (os nomes não serão divulgados por questões de segurança) estava acompanhada por sua esposa, de 25 anos, que não ficou ferida. Ambos reagiram à abordagem de uma dupla de criminosos e ninguém foi preso. A polícia alega que, apesar de casos graves que chamam a atenção como este, o número de roubos em geral caiu na cidade (leia mais abaixo).

A jovem conta que era por volta das 4h deste sábado quando ela e o marido, que é entregador de lanches, compraram esfirras e estavam na escadaria do Parque Vitória Régia. Foi, então, que a dupla abordou o casal. "A todo momento, eles pediam para eu dar meu celular. E um deles pulou no pescoço do meu marido com um gargalo de garrafa. Eu tentei correr, mas o outro me segurou", conta.

Ela narra que, em meio ao nervosismo, colocou o celular dentro da calça legging que usava, segundos antes de dar uma cotovelada e correr do bandido que tentava a segurar.

"Eu gritei por socorro e ele ficou sem reação. Foi aí que o ladrão que estava me segurando pegou a pochete do meu marido, com dinheiro e cartões, e saiu correndo, deixando o outro lá com a garrafa no pescoço dele", lembra.

Em meio à confusão, o segundo bandido acabou cortando o pescoço do rapaz. Por sorte, a ferida na altura da jugular não foi profunda.

"O comparsa que estava com a garrafa ficou gritando e questionando como iria dar fuga dali. Meu marido, então, conseguiu se desvencilhar e bateu nele, mas ele conseguiu fugir. Ele (marido) achou que eu estava machucada por ter reagido, mas o ladrão que me abordou não tinha nada nas mãos", conta a mulher.

Desesperada, ela pediu ajuda em uma casa vizinha e a polícia foi acionada. A ação toda durou cerca de 5 minutos.

Os policiais militares fizeram diligências pelas imediações do Vitória Régia na busca pelos assaltantes, que trajavam bermuda, chinelo, camiseta verde e o outro vermelha. Alguns suspeitos foram abordados, mas ninguém foi reconhecido pelo casal. "Graças a Deus, não aconteceu nada de grave. O corte no pescoço do meu marido não foi tão fundo. Estamos vivos, graças a Deus", conclui a jovem, aliviada.

Pistas sobre os suspeitos podem ser fornecidas por meio do 190 (PM) ou 181 (Polícia Civil).

Empurrão, 'mata-leão' e agressão

Outros assaltos violentos foram registrados em Bauru neste final de semana. Um deles ocorreu por volta das 15h50 de domingo, na esquina das ruas Presidente Kennedy e Virgílio Malta, no Centro, conforme o boletim de ocorrência (BO).

A vítima, um idoso de 78 anos, estava entrando em seu veículo, quando foi abordada por um homem. O criminoso retirou o celular do bolso do idoso e o empurrou no chão. A vítima bateu com a cabeça na guia e sofreu ferimentos no braço.

Outro caso de assalto ocorreu cerca de uma hora depois, na esquina das ruas Alfredo Ruiz e Júlio Maringoni, no Jardim Estoril. Um homem de 43 anos caminhava pela via pública quando recebeu um golpe "mata-leão" de um assaltante.

O criminoso ainda ameaçou a vítima com uma faca, exigiu o aparelho celular dela e fugiu em seguida, conforme registrado no BO.

Na madrugada do mesmo dia, um homem de 28 anos foi assaltado dentro do Terminal Rodoviário de Bauru. De acordo com o BO, a vítima foi abordada por dois homens armados com cacos de vidro, que anunciaram o assalto. O rapaz, então, entregou sua carteira, que continha R$ 35,00 e documentos pessoais, aos assaltantes. Não satisfeitos, eles ainda agrediram a vítima antes de fugir.

Segundo o homem que foi vítima dos bandidos, um dos taxistas que trabalha no terminal disse que um dos criminosos seria conhecido como "Pikachu". A Polícia Civil deverá investigar todos os casos.

Roubos caem 23% em 2019, mas criminosos estão arriscando mais

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) sobre o índice de violência apontam para queda no número de roubos nos primeiros dois meses deste ano (março ainda não foi divulgado) em Bauru. De 145 roubos nesse período do ano passado, o número de registros de ocorrências caiu para 112, contabilizando 23% de crimes a menos.

Comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o tenente-coronel Ézio Carlos Vieira de Melo aponta que a queda é tendência e fruto de um esforço da corporação na cidade. "Temos um plano de policiamento de inteligência. Os comandantes das companhias realizam estudo semanal para direcionar as tropas aos locais e horários de maior necessidade. Há ainda um acompanhamento de condutas em crimes, o que nos faz chegar aos autores por meio do 'modus operandi'", cita.

Ézio destaca, contudo, que a bandidagem tem arriscado mais, cometendo roubos sem uso de armas de fogo ou facas, mas, por meio de objetos, que possam ferir. "É uma artimanha que eles têm usado para não serem surpreendidos pela polícia antes do crime. Já quando eles estão com armas, correm mais o risco de serem pegos. Muitos crimes também têm ocorrido quando o bandido apenas menciona ou gesticula estar armado", cita Ézio.

No caso ocorrido no Vitória Régia neste final de semana, o comandante afirma que ficou sabendo do fato e alerta para cautela quanto aos horários de passeio no local. "É direito do cidadão estar em qualquer lugar, mas é preciso cautela. Pois, ali, é um local ermo e, durante a madrugada, possui maior potencial de risco", pondera, complementando que as vítimas também não devem reagir.