10 de julho de 2026
Articulistas

Herdeiros da ditadura do proletariado

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

O comportamento dos parlamentares da oposição, durante a reunião da CCJ da Câmara Federal, quando da apresentação do projeto de Reforma da Previdência, foi uma amostra do que iremos ver daqui para frente, quando o projeto entrar em discussão. O ministro Paulo Guedes foi para apresentar o projeto em todos os seus detalhes e esclarecer as duvidas que surgissem, de modo que cada deputado possa discutir e tomar decisões com conhecimento de causa, quando o projeto estiver em outras comissões e no plenário. Ali não era o momento de discutir nada, apenas ouvir e perguntar para tirar dúvidas. A discussão com o ministro não tinha cabimento, não só por não ser o local adequado, como pelo fato de não ser um projeto pessoal, mas um projeto do governo e sua autoridade, no momento, estava limitada a apenas deixar os parlamentares bem informados.

Os parlamentares da oposição, entretanto, já foram preparados para mostrar que eram contra, ignorando o que diz o Regimento. Tal era o espírito de antagonismo, que se inscreveram em massa, como primeiros a falar, quase não deixando tempo para parlamentares da situação. Travestidos de democratas, porque sua origem está na ditadura do proletariado, usam a liberdade do regime democrático para se oporem a um projeto de indiscutível interesse nacional, encobrindo o seu interesse ideológico pela mentira de defesa dos trabalhadores e das minorias. Em entrevista ao Blog de Felipe Moura Brasil, em 11-02-2017, o ex-candidato a presidente, Eduardo Jorge, companheiro de Dilma na luta armada, disse que Dilma mentiu ao dizer que lutava pela democracia e afirmou: "Nós éramos contra a ditadura militar, mas éramos a favor da ditadura do proletariado".

O objetivo do lulopetismo era radicar-se no poder, como os amigos do Lula - Fidel Castro, Hugo Chaves e sua cria Nicolás Maduro e Evo Morales. Com esse objetivo procuraram reunir recursos e aparelharam o Estado, com suas empresas, e procederam à maior rapinagem de dinheiro público, como nunca antes neste país. Aí veio a Lava Jato e interrompeu a bandidagem, tirando-os do poder e trancafiando o líder. A eleição, constitucionalmente limpa, completou o serviço, mas não apagou o seu sonho, pois como disse José Dirceu a El País, em 26/09/18, ante a possibilidade de perder a eleição: "Acho improvável que o Brasil caminhará para um desastre total. Na comunidade internacional isso não vai ser aceito. E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição", disse o ex-ministro".

A estratégia desses maus brasileiros é simples, como a da plebe romana na arena, com o polegar apontado para baixo, matar o projeto para derrubar o governo. São cegos e surdos ao que vem acontecendo com a economia do país e suas consequências, principalmente nas camadas mais pobres. Essa é a característica típica da ditadura do proletariado. A presidente do PT foi à posse do Maduro e não viu a população sofrida, porque foi recebida pelo governo a quem, para ele, seus militares e milicianos cubanos a seu serviço, nada falta. Mais uma vez, com certeza, seu sonho será frustrado e as reformas, de qualquer modo serão feitas, como aconteceu com o projeto do Real, que o PT votou contra, mas depois tirou proveito dele com suas políticas de distribuir dinheiro público sem controle.

Se a atitude radical da oposição é ruim para o país, não menos ruim é a dos indiferentes, que reúne um expressivo número de parlamentares. Se os opositores representam ameaça, com fraca reação do governo, o mercado perde a confiança ou fica indeciso. É isso que verificamos diariamente no sobe e desce da Bolsa de Valores e do dólar. Os economistas e analistas políticos respeitáveis são unânimes em afirmar que sem a Reforma da Previdência o país caminhará para o colapso, já evidenciado em estados como Rio de Janeiro, Minas, Goiás, Rio Grande do Sul etc. O Congresso é que tem o poder de fazer, o Governo o de apresentar o projeto e depois executar o que foi aprovado. Se a maioria se intimida com essa minoria de herdeiros da ditadura do proletariado, o pior acontecerá.

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.