09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

'O amor nos tempos do cólera'

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Talvez eu peque, mas peço licença póstuma ao grande Gabriel Garcia Marques para fazer "trocadilho" com uma de suas geniais obras para tentar traduzir ou mesmo fazer uma "mea culpa" e, ao mesmo tempo, culpar os outros pelos ódios os quais, afinal, exalamos todos juntos.

Nunca, ao menos que eu tenha em lembranças, passamos por tempos tão cheios de cólera entre as pessoas na Brasil, por causa da política.

E o maior disseminador desse ódio feito um mosquito transmissor estaria a cargo das redes sociais amplificadas pelas tecnologias de ponta.

Confesso que até que as poucas das amizades sinceras (que me restaram na seleção natural) de cinquentenária história de vida encontram-se no momento em frangalhos mediante os embates, quase que diários, no tocante à "situação X oposição" do nosso atual governo.

Nas redes sociais, tudo agora toma corpo em proporções muito grandes, antes o máximo que podíamos fazer para externar nossos sentimentos era escrever nos muros da cidade sorrateiramente (com medo do dono do muro ou da cavalaria que poderia passar), hoje, acrescido pela facilidade de teclar perto, porém longe, faz também crescer o ódio (pelo tempo real destas ações que reverberam em alta). Antes desse "progresso", brigávamos contra quem não fosse do nosso time (de futebol) quando chorávamos ou ríamos juntos nos velhos tempos da "pátria de chuteiras", à parte feminina restavam as telenovelas, e no sentido anti-horário as radionovelas acrescidas dos afazeres domésticos, onde o feminismo era externado de outra forma.

Mas, recapitulando, hoje as coisas estão tomando proporções assustadoras, seja pelo excesso de exposição das pessoas, onde se vê e se copiam desde coisas tão absurdas como o acontecido na escola Raul Brasil São Paulo e que tem acontecido em tantos outros países, que fica mesmo muito difícil de prever e/ou prevenir fatos dessa natureza, tanto quanto outras modalidades destes "cibers perigos".

E o fato é que nem mesmo os que têm certa consciência desses novos pecados que nos oferecem em mãos conseguimos parar, então, feito eternas crianças, que de fato realmente somos continuadamente, vamos repetindo nos novos tempos velhos erros, onde todos têm pouco ou quase nada de razão (incluindo aqueles que escolhemos para nos representar como políticos), mas como pessoas fortes que (achamos) somos, não podemos esmorecer nem mediante um final infeliz "do Amor nos tempos do cólera".