08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A luz do Sol é o maior detergente

Márcio M. Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

A frase é do juiz Louis Brandeis, mito da suprema corte dos USA (de 1916 a 39), que é considerado o pai do "direito à privacidade", entre outras contribuições ao direito. Esta frase, mais do que nunca, se aplica às instituições brasileiras, sejam empresários ou do executivo, legislativo e principalmente do judiciário e no momento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em tempos de lava jacto, a luz do sol vem a calhar, pois necessitamos de receber informações claras e precisas, límpidas como a luz solar. É necessário saber se o juiz Dias Tóffoli teve ou não envolvido com a Odebrecht, se envolve ou não crime, se foi ou não ético. Se Gilmar Mendes usa ou não o cargo para se beneficiar, se Alexandre de Moraes pode ou não fazer o papel de promotor e juiz, fazendo censura à imprensa e se recusando a permitir que o Ministério Público cumpra seu papel constitucional.

Se Tóffoli pode iniciar um processo sem a participação do Ministério Público, já atribuindo resultado antes mesmo das investigações, inclusive indicando o juiz que vai julgar a causa, sem o sorteio determinado pelo estatuto da corte.

Interessante é notar o silêncio da maioria dos políticos, cadê o PSDB que indicou Gilmar Mendes, cadê o PT que indicou Tóffoli, cadê os ruidosos PSOL, PCdoB e o resto da esquerda. Cadê o PMDB que indicou Alexandre de Moraes, cadê o falante Ciro. Quase ninguém no mundo político quer a luz do sol, clareando o planalto.

Muitos não votaram em Bolsonaro temendo que ele fosse ser ditatorial, pudesse censurar a imprensa, mandar prender sem julgamento, perseguir condenando sem o devido processo legal. No entanto, o ataque hoje vem exatamente daqueles (STF) que deveriam ser a última trincheira de resistência da democracia.

Mas pobres são nossas instituições onde um ou dois juízes escolhidos por políticos podem votar em causa própria, não se considerar suspeitos quando julgam amigos, censurar a imprensa e iniciar processos onde são acusadores e juízes e principalmente atacar a maior base de uma democracia; a imprensa livre agindo como a luz do sol e mostrando para todos os brasileiros as mazelas e negociatas que se dão em Brasília.

Acima de tudo tem o presidente do Supremo não só o direito, mas também o dever como homem público que é de esclarecer a situação da denúncia e qual o seu envolvimento com a Odebrecht.

Só depois demonstrada a sua total inocência e a improcedência da notícia, pleitear como qualquer cidadão sob a lei, incluindo a indenização por danos morais e a punição por injúria, calúnia ou difamação, como for o caso. Deve-se, sim, apurar e punir quem vazou a informação à imprensa, tanto quanto quem a retirou do processo a delação ou não enviou isto à Procuradoria Geral da República.