10 de julho de 2026
Esportes

Paranatação: Técnica destaca inclusão e qualidade de vida que modalidade proporciona


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ABDA/Divulgação
Rayssa Cappelin coordena treinamento da equipe bauruense de paranatação na Arena ABDA

A natação paralímpica da Associação Bauruense de Desportes Aquáticos (ABDA) participa, de hoje a domingo, do Campeonato Open Loterias Caixa, com oito atletas: Ana Laura Vieira, Glauciene Ribeiro, Matheus Silveira, Matheus Ribeiro, Victor Morcelli, Vrajamany Rocha, Welison Damasceno e William Santana. A competição organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), será realizada no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

A competição internacional é uma das que constam do calendário da equipe, que vem se destacando em vários campeonatos e se tornando celeiro de atletas de rendimento. Mas, segundo a técnica Rayssa Cappelin, a natação paralímpica vai muito além de formar atletas e os maiores benefícios da natação voltada a pessoas com deficiência são trazer a liberdade, melhorar a qualidade de vida, promover inclusão e convívio social.

Ainda de acordo com Cappelin, a ABDA tem vagas disponíveis no momento para alunos com deficiência física. Mais informações: (14) 3202-9259. Em entrevista, a técnica explica como funciona a modalidade, que transforma vidas além de, muitas vezes, formar campeões.

Existe diferença entre natação paralímpica, paranatação e natação PCD ou são apenas nomenclaturas diversas para a mesma atividade?

Rayssa Cappelin - O termo natação paralímpica é usado quando nos referimos a uma equipe que já participou de uma paralimpíada. Paranatação é o termo correto, usado quando o atleta com deficiência treina natação. Natação PCD é a prática da modalidade por pessoas com deficiência.

Na ABDA, qual é o público atendido pela modalidade?

Cappelin - Hoje na ABDA atendemos cerca de 45 alunos/atletas de paranatação, com idades que variam de 6 a 45 anos, com deficiência física, deficiência visual e deficiência intelectual. Para a iniciação, as aulas variam de duas a três vezes por semana. Conforme os alunos vão evoluindo, a carga horária também vai aumentando e chegam a treinar até seis vezes por semana na água.

O portador de qualquer tipo de deficiência física pode praticar natação? 

Cappelin - Sim, algumas patologias físicas terão mais facilidade que outras, mas todas podem praticar natação. Nós da ABDA trabalhamos inicialmente com adaptações ao meio líquido, possibilitando a esse aluno que nunca teve contato com a água se adaptar e, a partir daí, começar a evoluir.

Existe limitação de idade para começar?

Cappelin - Na ABDA, temos uma faixa etária de 6 a 28 anos para início da prática, caso alguma pessoa com deficiência já saiba nadar e tenha idade superior a 28 anos ele também pode ser inserido no projeto.

A natação é uma prática segura para PCD?

Cappelin - A natação é uma prática segura para PCD desde que o profissional seja qualificado para a prática e que o local tenha uma estrutura adaptada. Acredito que a principal orientação é conhecer o profissional com quem o aluno fará aulas, bater um papo legal e avaliar se é o momento adequado para o início da prática.

Existe diferença ao se ensinar a natação para um aluno convencional e a outro com deficiência?

Cappelin - Não vejo diferenças significativas ao ensinar a prática propriamente dita. A diferença se dá apenas na metodologia de como aplicar a prática. A chave para ensinar o PCD é conhecer a patologia e encontrar a melhor forma de comunicação para que ele entenda a informação na íntegra. A atividade é trabalhada conforme a dificuldade que a deficiência apresenta. Para o D.V. (deficiente visual) é muito usado o espelho para ensinar o gesto motor por exemplo.

Especificamente sobre os cadeirantes, como funciona a prática da natação?

Cappelin - No caso dos alunos de L.M. (lesão medular), para a entrada na água é feita uma transferência da cadeira de rodas para o chão (com ajuda profissional e outros já fazem sozinhos). Em seguida, como outro aluno de natação entrará na água no início com ajuda até que fique totalmente independe nesse sentido. Ao final do treino, dependendo do nível da lesão, o atleta consegue sair sozinho ou o profissional responsável por ele o ajuda a sair e a transferir novamente para cadeira de rodas. Podem praticar a natação: PC (paralisia cerebral) leve, moderado e alguns casos de severo onde a PCD deve ser avaliada pré-prática esportiva.

Quais os benefícios que a natação traz para as pessoas com deficiência?

Cappelin - O esporte em geral trás benefícios não só para pessoas com deficiência mais para convencionais também. Dentre os benefícios mais importantes, no meu ponto de vista, está a liberdade. A água traz uma liberdade muito grande de ir e vir sem depender de ninguém, além da melhora da qualidade de vida, inclusão e convívio social.

Como é trabalhada a autoestima do deficiente?

Cappelin - Usamos ações motivacionais durante os treinos e até mesmo palestras próximo a datas importantes (competições). A interação entre os alunos é comum, como quaisquer outras pessoas interagindo. Conversam sobre o dia a dia, expectativas e frustrações. A patologia não influencia nesse quesito.

O foco da ABDA é a inclusão social, porém muitos se tornaram atletas de rendimento. Isso ocorre naturalmente?

Cappelin - Sim, é uma seleção natural. Alguns alunos evoluem e se destacam mais rápido que outros. Eles se desafiam a ser melhores a cada braçada e assim evoluem ao ponto de conseguirem índices para campeonatos brasileiros e até internacionais.