Ela foi recebida com apenas 4 meses de idade, com muito carinho, para ficar sob meus cuidados de avô materno, de segunda a sexta-feira, das 6h30 até 18h30. Com muito orgulho e zelo, fui seu cuidador. No começo ela chorava muito quando a mãe ia embora. Mas eu então me deitava na cama, com ela sobre meu peito. Para aquecer seu corpinho. Para imitar o abraço materno. Ela ia se acalmando e acabava dormindo, tranquila. Isto foi criando um liame afetivo entre mim e ela. Como um vovô babão, dava sempre muito calor humano a ela. Quando ela ensaiou os primeiros passos, eu a incentivei.
Quando era hora dela tirar uma soneca gostosa e relutava, era eu que a colocava no meu carro. Escolhia uma rua com paralelepípedos, para que o balanço do carro estimulasse um sono mais rápido. Algum tempo mais tarde eu a levava até o colégio maternal. A entrega dela, para a escola, sempre foi traumática, no começo. Com muito choro. Só quando eu retornava para pegá-la, tudo era só alegria. Ela desesperadamente corria e me abraçava muito forte.
Recordo, com saudade, quantas vezes assistimos aos desenhos na TV. Quando a levava ao "Mac Donald's" para um lanche com refrigerante. Dos nossos passeios no Bosque da Comunidade, no Zoológico e no Calçadão. E do dia mais emblemático de minha vida, quando ela, do alto de seus 7 aninhos, me disse a famigerada frase, inesquecível : ". . . vovô, eu gostaria tanto de ter nascido da sua barriga...!"
Esta é uma saga de puro amor entre mim e a minha neta, Lívia Letícia Vieira Marquez.