09 de julho de 2026
Geral

Bauru tem 9,1 mil postes de madeira e moradores denunciam 'abandono'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Fotos: Douglas Reis
Na quadra 3 da alameda Corumbá, na Vila Dutra, equipamento está com boa parte da base corroída

Na quadra 4 da avenida São Paulo, também na Vila Dutra, outro poste de madeira aparenta estar comprometido

Antigos, os postes de madeira vêm causando temor nos bauruenses, afinal, alguns estão comprometidos e podem provocar acidentes. Atualmente, o município conta com 9,1 mil deles e a CPFL Paulista alega que realiza a manutenção ou, até mesmo, a substituição com certa frequência. O tema foi discutido, recentemente, em reunião entre a distribuidora de energia elétrica, o Conselho do Município e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) (leia mais nesta página).

A auxiliar de saúde bucal Giovanna Guinda Fratine, de 23 anos, por exemplo, não acredita que os postes próximos à sua residência, situada na quadra 5 da avenida São Paulo, na Vila Dutra, tenham passado por assistência técnica. "Eles podem cair em algum veículo ou pedestre a qualquer momento", afirma.

Ainda de acordo com a jovem, o bairro onde vive está repleto de postes de madeira mal cuidados. A reportagem, inclusive, não precisou andar muito para encontrar outro que estivesse comprometido: na quadra 3 da alameda Corumbá, boa parte da base de um poste estava corroída.

Morador do Parque União, Laudelino Carlos Moraes Neto, de 44 anos, ficou desempregado. Diariamente, ele passeia com a filha, a pequena Lívia Helena de Melo Moraes, de 1 ano e 8 meses, pela Vila Dutra.

O que era para ser um momento prazeroso em família tornou-se uma verdadeira dor de cabeça. "Eu preciso desviar dos postes de madeira, antes que aconteça o pior", revela Laudelino.

Só neste bairro, um leitor do JC identificou, ao menos, 11 deles degradados pelo tempo.

E AGORA?

Questionada sobre o assunto, a assessoria de comunicação da CPFL Paulista esclarece que a companhia dispõe um plano de manutenção estruturado e periódico.

Assim, a rede de distribuição passa por inspeção e, sempre que identificada a necessidade de assistência ou substituição de postes de madeira, a execução da obra é programada.

Tanto que, em 2016, o município possuía 11,4 mil equipamentos do tipo, sendo 8,3 mil em área urbana e 3,1 mil na zona rural. Em 2018, a distribuidora contabilizou 9,1 mil postes de madeira, dos quais 6,5 mil na cidade e 2,6 mil, em área rural.

REUNIÃO

No dia 18 de março, a companhia esteve reunida com a Semma e o Conselho do Município, presidido por Raeder Puliesi.

Segundo ele, o tema foi levantado por um dos conselheiros, que estava preocupado com eventuais acidentes. "A CPFL disse que realizava um trabalho de substituição gradativa, porque, se o fizesse de uma só vez, teria de repassar o custo ao consumidor", argumenta.

Além disso, Raeder reforça que existem equipamentos de madeira comprometidos, mas, ao mesmo tempo, há outros em perfeitas condições.

Agora, cabe ao conselho acompanhar e cobrar a execução da assistência técnica necessária.

Fotos: Douglas Reis
Laudelino Carlos Moraes Neto vive no Parque União, mas passeia com a filha, Lívia Helena de Melo Moraes, pela Vila Dutra; ele chega a desviar dos postes de madeira

Giovanna Guinda Fratine, de 23 anos, teme pela segurança do filho, o pequeno Théo Henrique Fratine de Lima Pereira, de 1 ano e 8 meses

Na pauta

Além dos postes de madeira comprometidos, outros dois assuntos estiveram na pauta da reunião entre o Conselho do Município, a CPFL e a Semma. De acordo com Raeder Puliesi, é o caso do projeto "Arborização Mais Segura". Por meio dele, a distribuidora propôs a supressão de 174 árvores, iniciativa recusada pela Semma. A pasta, porém, diz estar aberta para debater o assunto. Assim, os três órgãos envolvidos ficaram de se reunir novamente, com o intuito de definir a melhor logística para o programa.

"Não sabemos quem ficaria responsável pelo corte e pelo replantio. É preciso pensar na segurança e, também, no meio ambiente", adianta. Sobre isso, a CPFL diz que está à disposição para discutir os detalhes e, se possível, firmar uma parceria, a fim de colocar o projeto em prática. Outro tema debatido foi a utilização da rede compactada de energia elétrica, que evitaria a chamada bagunça de fios. Inclusive, o JC vem noticiando, há anos, o transtorno que o problema causa no município. Questionada, a CPFL afirma que o procedimento segue critérios técnicos estabelecidos pela própria distribuidora. O sistema tem algumas características que elevam a sua confiabilidade: a estrutura de sustentação é formada por ferragens e materiais poliméricos; e o convívio harmonioso com a vegetação, ou seja, contatos acidentais não provocam "apagões".

São de concreto, mas estão tortos 

Outra situação envolvendo os postes de iluminação diz respeito àqueles que são de concreto, mas estão tortos e também provocam queixas. Isso ocorre em vários pontos da cidade como na quadra 18 da avenida Comendador José da Silva Martha, além dos quarteirões 1 e 2 da rua Belém, em Bauru.

A professora aposentada Liliana Caldas Thomazini de Freitas, de 56 anos, vive na quadra 1 da rua Belém e, desde 2017, reclama de um equipamento do tipo, situado em frente à sua residência.

Inclusive, segundo a moradora, a falta de manutenção do poste já provocou rachaduras na calçada e no muro do seu imóvel. "Liguei para a CPFL em três ocasiões e, na última, fui informada de que ele não apresentava risco, mas não é o que parece. Temo que alguém se machuque", desabafa.

Já a distribuidora de energia elétrica informa, em nota, que os postes em questão entrarão no plano de manutenção regular da companhia. A empresa reforça que eles não oferecem risco à população.

Para qualquer necessidade, a empresa orienta a entrar em contato por meio de site, no portal de Serviços On-line, ou do aplicativo para celular, chamado CPFL Energia. A distribuidora disponibiliza ainda a Central de Atendimento por telefone, pelo número 0800-010-1010.

As solicitações relacionadas à falta de energia, segunda via de contas, consulta a débitos e religação podem ser realizadas por mensagem de texto (SMS). Para o consumidor se cadastrar no serviço, basta enviar a palavra IN e o seu código para o número 27351.

Todos os canais são gratuitos e funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana.