10 de julho de 2026
Nacional

Centrais sindicais fazem atos pelo Brasil com discursos divergentes

Estadão Conteúdo
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Tiago Queiros/Estadão Conteúdo
Público acompanha ato organizado no Vale do Anhangabaú

São Paulo - O inédito ato unificado das centrais sindicais realizado nessa quarta-feira (1) para celebrar o Dia do Trabalho não escondeu as divergências entre as entidades. No palco montado no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, os líderes reforçavam a importância da união, mas alguns ouviram vaias pontuais de militantes de sindicatos rivais enquanto falavam. O ato reuniu, segundo a organização, 200 mil pessoas.

Para garantir a presença de todas as entidades, foi definida uma pauta comum em defesa de direitos dos trabalhadores e crítica à proposta de reforma da Previdência do governo. Vagner Freitas, presidente da CUT, disse que "a pauta é única, contra a reforma previdenciária".

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, é preciso reformar a Previdência, mas ele critica o plano do governo. Em outra frente, a UGT, segunda maior central em número de trabalhadores - fica atrás da CUT -, busca se aproximar do governo. Conforme relatou a coluna Painel S.A., o presidente da entidade, Ricardo Patah, foi recebido por Bolsonaro na segunda-feira (29).

Foi a primeira reunião entre o presidente e um líder de central sindical. A UGT é a única das dez centrais que organizaram o evento a não defender a convocação de uma greve geral programada para 14 de junho.

O líder sindical, porém, não fez qualquer menção à reforma em seu discurso no Anhangabaú. Ele diz que foi pedir a Bolsonaro equilíbrio no que chamou de movimento para extinguir os sindicatos.

Para Juruna, as reuniões da UGT com o governo "são normais, não têm problema". Ele disse que "nenhum sindicalista vai para o tudo ou nada. O anúncio de greve é para quebrar a intransigência, fortalecer nossos deputados no Congresso e mostrar que estamos insatisfeitos".

Freitas, da CUT, afirmou que foi a hostilidade do governo aos direitos trabalhistas favoreceu a união das centrais. A necessidade de reduzir gastos também influenciou na organização de um evento só.

O imposto sindical foi extinto pela reforma trabalhista de Michel Temer (MDB), em 2017. Uma medida provisória 873 editada neste ano piorou a situação dos sindicatos ao determinar que o pagamento da contribuição só poderia ser feito por meio de boletos, e não mais automaticamente.

Em anos anteriores, as principais centrais organizavam seus próprios eventos separadamente e chegavam a realizar sorteio de carros e prêmios, além de shows de cantores famosos. No ato unificado deste ano, foram mantidos apenas os shows de artistas como Leci Brandão e Ludmilla.

Em seus discursos, líderes sindicais e políticos de esquerda criticaram a mudança da política de reajustes do salário mínimo. Disseram ainda que a reforma trabalhista não tem gerado empregos.

Atos pelo Dia do Trabalho foram realizados em várias cidades brasileiras. A reforma da Previdência deu o tom de todas as manifestações.