| Thiago Navarro |
| Passeata contra reforma da Previdência percorreu um trecho da avenida Nações Unidas, no começo da tarde dessa quarta (1), em Bauru |
| Renan Casal |
| Os amigos André Ornellas e Renan Fernandes aproveitaram o feriado e marcaram presença no ato, nessa quarta-feira (1) |
O Dia do Trabalho contou com protesto e atividades culturais, nessa quarta-feira (1) à tarde, no Parque Vitória Régia, em Bauru. Organizado pelo Comitê Regional de Luta em Defesa da Aposentadoria e da Previdência Social, o ato começou com uma passeata pela avenida Nações Unidas, que saiu da Praça do Líbano com cerca de 200 pessoas e seguiu até o Vitória Régia. Em seguida, no parque, artistas se apresentaram no caminhão-palco cedido pela Secretaria de Cultura. Diversas tendas apresentavam temáticas políticas. Houve ainda intervenções com discursos ao microfone, contra a reforma da Previdência apresentada pelo governo federal.
O estudante de letras Renan Fernandes, 24 anos, considera que a participação da população é importante em eventos como o de quarta (1), para mostrar que mudanças precisam acontecer. "O ato é necessário, porque uma parte da população ainda está despolitizada. Muitas pessoas ainda não gostam de acompanhar política e entender o que está acontecendo. O ato tem, além da parte cultural, esse aspecto de politização, que considero muito importante atualmente", frisou o jovem que, apesar de não participar diretamente de nenhum partido político, gostou da iniciativa das entidades no feriado do Dia do Trabalho.
O seu colega de universidade André Ornellas, 28 anos, lembrou que manifestações pacíficas devem ser estimuladas. "As pessoas devem começar a discutir mais os assuntos. Não de uma forma violenta, mas com o respeito a opiniões diferentes, como foi neste evento", cita.
| Renan Casal |
| O autônomo Dário César Rodrigues Brito usou o dia 1 de Maio deste ano para justamente trabalhar |
Já o autônomo Dário César Rodrigues Brito, 51 anos, aproveitou para vender sorvetes. Atuando de maneira informal, ele também recolhe material reciclável para vender e conseguir mais algum dinheiro. Revela que passou por dificuldades nos últimos anos, chegando a morar na rua. "Vendo sorvetes, título de capitalização e recolho material reciclável. De uns anos para cá as coisas estão mais difíceis. Cheguei a morar na rua por oito meses. Felizmente consegui melhorar um pouco a situação com as vendas e estou morando em um hotel. É um local simples, porém tenho onde ficar. Esperamos que as coisas melhorem para todos, o mais rápido possível. As pessoas estão necessitando de emprego", afirma.
REFORMA
O ato dessa quarta-feira (1) teve a participação de partidos políticos de esquerda, como PT, PSOL e PCO, e de entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento Sem Terra (MST), Apeoesp, Esquerda Marxista, SindSaúde, Biblioteca Móvel 5º Elemento, Coletivo Juntos e Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), Sindicato dos Ferroviários, entre outros. A reforma da Previdência foi o principal ponto. A organização do ato é totalmente contrária à proposta apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), pois considera que retira inúmeros direitos dos trabalhadores.
Durante o ato, nos discursos, os organizadores também destacaram o momento do País e defenderam políticas públicas de inclusão social, com críticas à reforma trabalhista aprovada no governo passado e à situação de mais de 13 milhões de desempregados. Pela primeira vez, as principais centrais sindicais do País decidiram se unir em atos unificados, nessa quarta-feira (1).
O protesto teve ainda uma bandeira com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso há mais de um ano, e o pedido de 'Lula Livre'. Houve também pedido de apuração completa do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL).
| Renan Casal |
| Sílvio Durante montou uma tenda com a evolução do Dia do Trabalho no Brasil e no mundo |
Exposição conta a história da data
O professor de história Sílvio Durante fez uma apresentação de jornais de diversas épocas, desde o século 19 até os dias atuais, com a evolução das comemorações do Dia do Trabalho pelo mundo, chamado de Museu Primeiro de Maio. "A proposta é contar sobre a data, que já foi comemorada de várias maneiras. Em alguns momentos, de forma mais festiva. Em outros, como instrumento de luta da classe trabalhadora", lembra.
O feriado de 1 de Maio teve origem com uma greve ocorrida nesta data em 1986, em Chicago, nos Estados Unidos, onde funcionários reivindicavam melhores condições de trabalho. A data é feriado atualmente em vários países do mundo e, no Brasil, desde 1925, por ordem do então presidente Artur Bernardes. Foi também em 1 de Maio de 1943 que o presidente Getúlio Vargas anunciou a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o que deu mais peso ao feriado no País.
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