| Fotos: Malavolta Jr. |
| Angela Pimenta e Francisco Belda falaram sobre formas de garantir credibilidade às notícias |
A Unesp comemora em 2019 os 35 anos de criação do curso de jornalismo no câmpus de Bauru e programou uma série de eventos ao longo deste ano. O primeiro deles, realizado na semana passada, discutiu na universidade o papel do jornalismo na sociedade e a credibilidade da mídia, que passa a ter como prioridade o combate às fake news, definição para as chamadas notícias falsas que ganharam força com as mídias sociais.
| Palestra sobre cobertura jornalística foi dirigida a estudantes de graduação e pós-graduação |
O projeto Credibilidade, desenvolvido em parceria entre o Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) e o Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia da Unesp de Bauru, tem a participação do JC, e vem trabalhando com a montagem de um modelo de indicadores para verificação de notícias. A atual presidente do Projor, Angela Pimenta, e o conselheiro da entidade que será o sucessor dela a partir do mês que vem, Francisco Belda, mostraram aos universitários o funcionamento do projeto, que é uma versão brasileira da proposta criada na Santa Clara University, dos Estados Unidos.
A aproximação entre universidades e o mercado é outro ponto defendido, também para mostrar para a população o papel da imprensa na construção de notícias que efetivamente sejam condizentes com a realidade.
Na medição da credibilidade, com indicadores específicos que serão apresentados no mês que vem, a formação da notícia é um ponto importante, de maneira a apresentar para o público quais critérios levaram aquela informação a ser divulgada. "O protocolo vai desde a origem até a distribuição da notícia, para que as pessoas possam ter conhecimento de como foi a construção da informação, o que ajuda na credibilidade", frisa Belda.
Ainda de acordo com ele, o meio digital em crescimento levou mais dificuldade ao público para diferenciar notícias verdadeiras e falsas, o que reforça a necessidade de uma mídia com profissionais especializados na área e preparados para a checagem da notícia, pressuposto básico do jornalismo desde a sua origem. "Surgem iniciativas no meio digital que precisam de uma qualificação, porque muitas vezes o jornalismo se confunde com o que não é necessariamente informação e pode levar a confusões, o que é um desafio também ao jornalismo tradicional, que deve rever algumas práticas. As iniciativas vão além do projeto Credibilidade, propomos a criação de indicadores, mas é necessário repensar a conceituação da atividade com a sociedade", destaca.
Outro ponto lembrado é a estruturação dos modelos de negócios, que passam por grandes transformações, o que obriga as empresas a se reinventarem para manter publicações com a devida checagem e apuração. Os novos 'players' do mercado global de mídia, como Google, Facebook e Twitter, participam do projeto, uma vez que, aos poucos, começaram a perceber que precisarão levar ao público notícias verídicas e combater as informações falsas, sob risco de caírem em descrédito. Mesmo com restrições, essas empresas começam a participar de discussões para coibir notícias falsas.