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| Antunes Filho em 2018: intenso, criativo e inovador até o fim; última peça, "Eu Estava em Minha Casa e Esperava que a Chuva Chegasse", estreou em setembro |
Um dos principais diretores teatrais do país, Antunes Filho morreu aos 89 anos. Ele estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com câncer de pulmão. O diretor completaria 90 anos em dezembro.
Desbravador, Antunes Filho foi um encenador brasileiro que gerou dezenas de espetáculos antológicos ao longo dos seus mais de sessenta anos de carreira.
Intuitivo e estudioso, idiossincrático e generoso, independente e comunitário, construiu um método próprio de preparar atores e torná-los autônomos, senhores de suas poéticas de atuação.
Pelo menos três gerações de atores brasileiros passaram por suas mãos e partilharam com elas a construção deste saber.
PESQUISADOR
José Alves Antunes Filho nasceu na Bela Vista, em São Paulo, em 12 de dezembro de 1929 e morreu na noite de quinta-feira. Conheceu o teatro levado pela mãe, mais sensível às manifestações artísticas do que o pai, um comerciante português sisudo que se encarregou de sua iniciação religiosa. Já adolescente optou pelos palcos, mas sempre mantendo forte apego à espiritualidade.
Antunes, ou Zequinha, como era conhecido pelos amigos que como ele se formaram frequentando a Biblioteca Mário de Andrade e a cinemateca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, iniciou suas práticas teatrais no Teatro Escola de Osmar Rodrigues Cruz, no ano de 1946, depois de assistir uma montagem de "Os Espectros", de Ibsen.
Em 1951 formou o seu primeiro grupo, Teatro da Juventude, e apresentou, no Teatro Municipal de São Paulo, uma de suas primeiras montagens, "O Urso", de Tchekhov.
O sucesso rendeu-lhe um convite para apresentar, naquele mesmo ano, a peça no "Teleteatro das Segundas-Feiras", da TV Tupi.
"O Diário de Anne Frank", em 1958, marcou a estreia de sua própria companhia, o PTC (Pequeno Teatro de Comédia), e agradou público e crítica. Nos vinte anos seguintes Antunes montaria vinte espetáculos até chegar à elogiada encenação de "Macunaíma", em 1978.
Ele deu continuidade a seu processo de pesquisa em montagens como "Nelson Rodrigues - O Eterno Retorno" (1981); "Romeu e Julieta" (1984), com Giulia Gam e Marco Antônio Pâmio; e "Xica da Silva" (1988), entre tantas outras. Também foram marcantes seus teleteatros exibidos na TV Cultura.
DERRADEIRA
Sua última peça, "Eu Estava em Minha Casa e Esperava que a Chuva Chegasse", estreou em setembro do ano passado no festival Mirada, em Santos. Era mais uma montagem no contexto de uma carreira extensa, porém, ainda tratava cada peça como uma situação de risco máximo, fazia e refazia as cenas ensaiadas à exaustão, exigia apuro em cada gesto e em cada voz
O ator Paulo Betti logo escreveu em seu Facebook: "Adeus Antunes Filho! Sua direção em 'Macunaíma' ficará pra sempre na minha memória! Viva o Teatro! RIP".
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Repercussão
"Foram 11 dias torcendo por sua recuperação. Perco um grande amigo e todos perdemos um grande artista" - Cenógrafo J. C Serroni
"Fui para dramaturgia por conta do Antunes Filho. Como fã e aprendiz" - escritor Marcelo Rubens Paiva
"Quem nos deixou foi Antunes Filho, um dos maiores diretores teatrais do Brasil" - escritor e roteirista Walcyr Carrasco
"Foi-se Antunes Filho, mestre que me iniciou nas artes, assim como fez tantos outros atores, atrizes, autores e diretores de teatro" - Jornalista e apresentador Marcelo Tas
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