| Vivian Vieira Quadra/Estadão Conteúdo |
| Maduro aparece com integrantes das forças armadas para passar uma demonstração de força |
São Paulo - Nessa quinta-feira (2), dia em que Maduro foi novamente à televisão, mostrando estar com o apoio dos militares mais graduados e que se mantém firme no poder, o presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil irá "até o limite do Itamarty" na busca por uma solução para crise na Venezuela e afirmou que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, "é vigiado o tempo inteiro".
"Nós vamos até o limite do Itamaraty. Sem partir para as vias de fato, vamos fazer de tudo para restabelecer a democracia na Venezuela", disse Bolsonaro em entrevista a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
O presidente disse que as autoridades brasileiras acreditam no desgaste que Juan Guaidó - autoproclamado presidente interino da Venezuela, reconhecido pelo Brasil e vários países como presidente legítimo do país - ainda pode impingir ao Maduro".
O presidente voltou a mencionar, como havia feito na véspera, sobre fissuras no apoio dos militares a Maduro. Na avaliação de Bolsonaro, "essa fissura que existe na base dos militares pode subir para o alto escalão" das Forças Armadas venezuelanas. "O Maduro não manda nele mesmo. Quem manda nele são os generais, os cubanos, em boa parte os russos. Ele é vigiado o tempo inteiro", afirmou o presidente.
MOURÃO
Já o vice-presidente Hamilton Mourão disse que, observando agora o cenário político na Venezuela, é possível avaliar que o oposicionista Juan Guaidó não tomou a melhor decisão ao ter iniciado o movimento para tentar derrubar o ditador Nicolás Maduro.
O general da reserva ponderou, no entanto, que não é possível saber quais informações o venezuelano dispunha para optar pela decisão que acabou adotando. Forças do governo têm reprimido manifestações favoráveis ao oposicionista, com um saldo de 4 mortos.
"Não estou no sapato dele, não sei quais dados ele tinha para essa decisão que ele tomou. A gente especula que não sei se estava com medo de ser preso ou se alguns elementos das Forças Armadas tinham prometido determinados apoios. Olhando agora, a gente julga que não foi a melhor [decisão] dele. Mas é o processo que está acontecendo lá na Venezuela", acrescentou.
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Argentina
Em sua transmissão semanal ao vivo em uma rede social, Bolsonaro disse que o Brasil não vai se envolver em países vizinhos, mas disse que "como cidadão" é contra um eventual retorno de Cristina Kirchner ao poder na Argentina, lembrando que quando ela foi presidente, se alinhou aos então governos brasileiros de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, assim como o de Nicolás Maduro, na Venezuela. Jair Bolsonaro, que afirmou que é preciso "dar as mãos" para evitar que a Argentina passe por um "retrocesso".
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