10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Caro economista Cafeo

Paulo Boccato
| Tempo de leitura: 2 min

Arthur Wellesley, primeiro duque de Wellington, foi um marechal do Exército Inglês e herói de guerra depois guindado por força das circunstâncias ao cargo de primeiro-ministro da Inglaterra, em todos os sentidos, um patriota.

Reza a lenda da história com 'h' que, recém-empossado no cargo, Arthur Wellesley convidou um amigo (aliás, um economista) para almoçarem juntos após sua primeiríssima reunião a ser feita com o novo gabinete apenas formado. No dia marcado, lá se foi o tal amigo para a ante-sala onde era possível se ouvir para além das grossas portas de carvalho aquela cacofonia normal das grandes reuniões onde todos querem, inflamados, falar ao mesmo tempo, menos a voz de seu amigo cuja vida havia sido toda ela feita no rigor e disciplina da tradicional caserna inglesa, esta não se ouvia!

Ao fim da reunião, abriram-se as portas e um grupo de animados ministros, todos civis e políticos de carreira, saíram alegres, gesticulando e confabulando importantes entre si, felizes da vida... Por último, saiu o primeiro-ministro Lord Wellington, cara amarrada, sisudo, face crispada, mudo, mãos atrás como era do rigor militar e, então, percebendo o humor do amigo perguntou o convidado: 'Milorde primeiro-ministro, mas o que houve? Lhe conheço e sei quando ficas bravo, o que aconteceu?"... E respondeu o marechal: 'Odeio este emprego! Imagine você que eu dei uma ordem a estes ministros todos!' 'Sim, e daí, sr. primeiro-ministro?' Então respondeu o amigo mais militar que político: 'Acredite se quiser, mas após dar a minha ordem, pasme você, que horror, eles se puseram a discuti-la! Como ousam?'

Conto isto, sr. Cafeo, para, com bom humor e respeito à sua pessoa, discordar de seu texto sobre o nosso capitão-presidente, pois acredite se quiser ou não: após vinte anos lá dentro, vivendo no insano parlamento tupiniquim como deputado, Bolsonaro está mais preparado para administrar do que o vetusto marechal inglês que achava que dando uma ordem seus ministros a cumpririam cegamente! Vejo em Bolsonaro esta vantagem, onde você, caro articulista, enxergou fraqueza. Bolsonaro sabe onde está e com quem fala, mas acima de tudo, como as coisas funcionam.

Tempo ao tempo, as coisas virão...