O instrumento perde alicerce no executar do giro em mão observadora, retorna à superfície do móvel, contato sonoro é ignição da mensura.
Aglomerado arenoso escorre, disputa passagem em estreito afunilar, criado por cintura do encontro duplo e cônico.
O semblante curioso, etiquetado por bigode grosso, assiste os grânulos caminharem para futura câmara translucida, com a permissão das cortinas raios tocam o cômodo.
Fusa os cabelos desprovidos de cor e penteado, interroga a tarefa do tic-tac com lastro granular: - O pontuar de meros intervalos padrões é insuficiente e há um abismo entre mensurar e definir?
Questão propaga-se no universo. Garimpa e aniquila o aceitar de verdades sem racionalidade, incomoda o ancorar com o véu da ignorância, sem navegar nos enigmas. Seus estudos admitem o embrulho orgânico que somos, mas sua intuição lhe dá confiança que há algo além.
Lança o tato em direção do bolso superior, encontra o que procurava para o traço, cria rascunho com contracapa poupada pelo autor, de um volume dentre tantos outros acomodados e bronzeados pelo repouso nas estantes.
Massageia a rugas frontais, soletra para si abafadas incertezas:
- Um outro plano nos aguarda, somos instáveis gotas delimitadas, prestes a romper em oceano fluídico, com o deslocar onipresente da corrente dos instantes que degrada o presente encaminha-nos ao futuro, impossível descanso.
A inspiração profunda alimenta e prolifera indagações: - Inquieto e nebuloso, este é o tempo, ainda incompreensível por minha atual bagagem intelectual.
Talvez eu ainda esteja dentro da caverna das sombras de Platão, à espera de ser conduzido ou arrastado para fora e chocar com a luz da realidade.
Lá deve estar a causa que persigo sem solução, no questionável e relativo terreno de obra divina.