08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Kairós

Alex Martins Pereira, Reginópolis, instagram: alexmartinspereira
| Tempo de leitura: 1 min

O instrumento perde alicerce no executar do giro em mão observadora, retorna à superfície do móvel, contato sonoro é ignição da mensura.

Aglomerado arenoso escorre, disputa passagem em estreito afunilar, criado por cintura do encontro duplo e cônico.

O semblante curioso, etiquetado por bigode grosso, assiste os grânulos caminharem para futura câmara translucida, com a permissão das cortinas raios tocam o cômodo.

Fusa os cabelos desprovidos de cor e penteado, interroga a tarefa do tic-tac com lastro granular: - O pontuar de meros intervalos padrões é insuficiente e há um abismo entre mensurar e definir?

Questão propaga-se no universo. Garimpa e aniquila o aceitar de verdades sem racionalidade, incomoda o ancorar com o véu da ignorância, sem navegar nos enigmas. Seus estudos admitem o embrulho orgânico que somos, mas sua intuição lhe dá confiança que há algo além.

Lança o tato em direção do bolso superior, encontra o que procurava para o traço, cria rascunho com contracapa poupada pelo autor, de um volume dentre tantos outros acomodados e bronzeados pelo repouso nas estantes.

Massageia a rugas frontais, soletra para si abafadas incertezas:

- Um outro plano nos aguarda, somos instáveis gotas delimitadas, prestes a romper em oceano fluídico, com o deslocar onipresente da corrente dos instantes que degrada o presente encaminha-nos ao futuro, impossível descanso.

A inspiração profunda alimenta e prolifera indagações: - Inquieto e nebuloso, este é o tempo, ainda incompreensível por minha atual bagagem intelectual.

Talvez eu ainda esteja dentro da caverna das sombras de Platão, à espera de ser conduzido ou arrastado para fora e chocar com a luz da realidade.

Lá deve estar a causa que persigo sem solução, no questionável e relativo terreno de obra divina.