09 de julho de 2026
Internacional

Hostilidades entre Gaza e Israel aumentam com ataques aéreos

Por Nidal al-Mughrabi e Maayan Lubell | Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

   
 
Parente do bebê palestino de 14 meses, Seba Abu Arar,morto nos ataques, carrega o corpo dele durante funeral na cidade de Gaza  

Militantes de Gaza dispararam dezenas de foguetes em Israel neste domingo (5) e um ataque aéreo israelense matou um palestino armado conforme hostilidades aumentavam na fronteira pelo segundo dia seguido.

A escalada começou na sexta-feira, quando dois soldados israelenses ficaram feridos por disparos de arma de Gaza perto da fronteira. O ataque aéreo israelense em retaliação matou dois militantes do grupo islâmico Hamas, que governa Gaza. Outros dois palestinos protestando perto da fronteira também foram mortos por forças israelenses.

No sábado (4), Israel atingiu Gaza com ataques aéreos e tanques depois que militantes palestinos lançaram mais de 90 foguetes contra cidades e vilarejos israelenses. O Exército israelense afirmou ter mirado lançadores de foguetes e postos do Hamas.

O confronto, que levou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a convocar seu conselho de segurança, ocorre dias antes de os muçulmanos começarem o mês sagrado do Ramadã e os israelenses celebrarem o Dia da Independência.

Israel e o Hamas conseguiram evitar uma guerra total nos últimos cinco anos. Mediadores egípcios, com o crédito de terem intermediado um cessar-fogo após um ataque com foguetes do Hamas ao norte de Tel Aviv, em março, têm trabalhado para evitar qualquer nova escalada de hostilidades.

Um pequeno grupo armado pró-Hamas em Gaza, Os Protetores de Al-Aqsa, disse que um de seus homens foi morto em um ataque aéreo neste sábado.

O Ministério da Saúde de Gaza disse que quatro palestinos ficaram feridos e o Ministério da Educação palestino afirmou estar evacuando escolas em áreas sob bombardeio israelense.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou os "ataques em massa" contra a Faixa de Gaza. Netanyahu disse que o exército de Israel irá reforçar suas unidades nos arredores da Faixa de Gaza com armamentos, artilharia e infantaria em meio aos temores de que a violência continuará a escalar com o início do pior confronto entre Israel e Gaza desde que as tensões começaram a crescer em maio do ano passado.

Gaza disparou 450 foguetes contra Israel entre sábado e domingo, incluindo 180 foguetes durante a noite, e Israel respondeu atingindo o que definiu como 220 "alvos militares" em Gaza. O confronto prossegue neste domingo, com sirenes tocando em Beer Sheba e em comunidades próximas a fronteira em Gaza. O clima de tensão é crescente.

O primeiro-ministro israelense culpa o Hamas, que comanda Gaza, pelos ataques. "Eles estão pagando um preço muito alto por isso", disse Netanyahu.

Os ataques provocaram a morte de um israelense de 58 anos em Ashkelon - o primeiro cidadão israelense morto por um foguete desde a guerra com Gaza de 2014 - e pelo menos 12 pessoas em Gaza, incluindo uma mulher grávida e seu filho de 14 meses de vida. O exército de Israel diz que um foguete do Hamas acidentalmente matou a mulher e a criança.

Oficiais israelenses disseram não ter interesse em uma escalada no conflito a uma semana do festival Eurovision, um dos concursos de música mais assistidos do mundo e que deve atrair milhares de visitantes para a cidade de Tel Aviv. Alguns analistas têm sugerido que grupos militares de Gaza podem estar usando a ameaça de retomada dos ataques às vésperas do Eurovision para pressionar Israel a fazer concessões.

Representantes da televisão israelense e do Eurovision afirmam que estão monitorando a situação e os ensaios em Tel Aviv seguem de acordo com o previsto. Segundo as duas fontes, o concurso na próxima semana está mantido sem qualquer alteração.