08 de julho de 2026
Articulistas

A distância do olho do poder público

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

A frase acima, título do artigo, não é minha. Foi dita ontem, na Rádio Bandeirantes, dos estúdios em São Paulo, pelo jornalista Agostinho Teixeira. Motivação: violência nas escolas, notadamente aquelas localizadas em regiões mais distantes. As mesmas onde, do vazio gestor maior, brota todo o tipo de barbaridade.

Lógico: se a camada mais sofrida da população vive sem esporte, lazer e cultura por perto, os protagonistas sinistros de sempre ocupam o espaço.

É por isso que se vê, no Rio e em Salvador, para ficar em dois exemplos, tantos projetos sociais premiados no exterior. Funcionam e, de quebra, ajudam a manter a comunidade unida - e as escolas em pé.

São iniciativas de múltiplas vertentes: das artes plásticas à prática do basquete, passando por dança e hip hop. A gente não se dá conta, mas em Bauru também há iniciativas legais de instituições - como a ABDA e seu "braço" musical - e voluntários.

A administração municipal, aliás, reconhece que descentralizar atividades é sempre uma boa. Sem redução daquelas que já ocorrem na região central. Nem precisaria dizer isso.

Muita coisa já é feita, sim. Mas, incrível: sempre parece ser maior a demanda. Imagine só nas metrópoles e suas alargadas complexidades.

No plano ideal, a sociedade parceira do poder público reduz a lonjura entre gabinetes e quintais. A sensação (sob um ponto de vista mais ou menos otimista) é de que estamos no meio do caminho. Se houver um equilíbrio entre ações e intenções, sem recaídas de populismo, pode daí o avanço se fazer valer.

Quantos talentos estão ainda invisíveis nos tais subúrbios?

São crianças e adolescentes que não podemos deixar que se tornem jovens que depredam escolas. Precisam, ao contrário, ter seu poder valorizado, tornado público, para brilhar de perto - a olhos vistos.