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| Território do Calçado é muito conhecido na região e serve para escoar a produção das indústrias instaladas em Jaú |
O segmento de calçados em Jaú ainda gera muitos empregos no município, mesmo com uma série de dificuldades enfrentadas nas últimas décadas que vai da "invasão" dos produtos importados da China até a forte concorrência interna e os solavancos da economia brasileira.
Apesar de a indústria de calçados jauense não ter tradição na exportação, dependendo sempre do acirrado mercado interno, no período 1996 a 2001 o número de empresas aumentou de 183 para 211 (15,3%), entre 2002 a 2009 de 231 para 448 (93,94%), conforme estudo feito pelo economista Célio Favoni, numa pesquisa feita para doutorado na Universidade de São Carlos.
A partir de 2010 a 2016, o número de empresas reduziu 39,87%, sendo a maior redução em comparação a outros polos de produção do Estado de São Paulo e das cidades de São João Batista (SC) e Nova Serra (MG).
A crise também provocou redução no número de empregos formais em 50%. O segmento chegou a empregar 9.300 pessoas em 2010, mas declinou para 42,9% em 2016. Com todas das dificuldades ainda é o setor que mais emprega na indústria de Jaú (4.482 empregos em 2016).
O presidente do Sindicalçados, Caetano Bianco Neto, afirma que todas as dificuldades nos próximos 50 anos Jaú vai continuar produzindo calçados. Realmente a retração na economia provocou o fechamento de empresas de médio e grande porte, mesmo assim aumentaram as pequenas. Muitas delas são de ex-funcionários demitidos, que apostaram na informalidade para continuar no ramo. "O setor passa por altos e baixos. No momento é de baixa fruto principalmente da dificuldade enorme que estamos passando na economia do Brasil como um todo", relata Bianco Neto.
E ainda em plena atividade o Território do Calçado com 180 lojas, ainda considerado o maior showroom de calçados da região, principal polo de venda da produção jauense. Há inquietações no setor, como uma possível abertura da economia ao produto estrangeiro, anunciada recentemente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem planos de adotar um sistema de redução das taxações, o que pode prejudicar o produto nacional. "Se isso acontecer, queremos a redução do custo Brasil para poder concorrer", diz o presidente do Sindicalçados. Leia mais nesta página e na 18 e 19
Cidade pretende realizar Fashion Show em junho
A Jaú Fashion Show vai antecipar as tendências e mostrar o que irá predominar no catálogo das fábricas na temporada primavera-verão. O objetivo é receber lojistas de todo o País, com principal foco em compradores do Estado de São Paulo. O Sindicato da Indústria de Calçados de Jaú (Sindicalçados) vai promover nos dias 16 e 17 de junho, das 9h às 19h, no Galeria Hotel a segunda edição do Jaú Fashion Show - Feira Paulista de Calçados Femininos.
"A expectativa é muito boa e Jaú tem qualidade para fazer aquilo que o mercado espera. Sempre nos demos muito bem na temporada primavera-verão e acreito que neste ano não será diferente", disse o presidente do Sindicalçados, Caetano Bianco Neto. O Galeria Hotel fica na avenida Deputado Zien Nassif, 900.
Território do Calçado atrai média de 120 mil visitantes a cada mês
O Território do Calçado continua sendo um ponto de referência para compradores de calçados. Localizado às margens da rodovia SP-225, em Jaú, mesmo com todas as dificuldades que o segmento enfrenta com fechamento de fábricas e queda na produção, ainda é o maior shwroom da região na venda de calçado, maior parte feminino.
O gestor das instalações do local, Heraldo Alonso, afirma que são 180 lojas que atrai uma média de 120 mil pessoas/mês, grande parte compradores, mas houve nos últimos queda de 5% no número de comerciantes. O espaço tem condições de abrigar até 200 lojas. Ainda é o principal canal de produção calçadista de Jaú. "Ainda a predominância é venda das indústrias locais, pois assim conseguimos um valor de venda final bem abaixo do mercado, mas também temos produtos multimarcas", relata Heraldo Alonso.
Mas os tempos são outros para enfrentar as novas tecnologias. Não se trata mais só de venda física. "Estamos 'atacando' muito em mídias sociais, criando um aplicativo para podermos divulgar as promoções, temos um setor de divulgação para atacadista e excursões", relata.
No Território do Calçado é um termômetro também de como anda a economia do País. A maior concorrência não são os produtos asiáticos, mas os calçados produzidos no Sul do País e, claro, a atual conjuntura econômica. "Temos expectativa e aguardando uma melhoria na economia", afirma Heraldo Alonso.
Setor de calçados reduz contratações
Economista Célio Favoni pesquisou segmento e constatou que houve queda no número de contratações no período que vai de 2010 a 2016
| Aurélio Alonso |
| Economista e professor do câmpus da Fatec de Jaú Célio Favoni pesquisou o segmento calçadista para universidade |
A indústria de calçados feminino de Jaú é reconhecida no Estado e até nacionalmente, embora o setor tenha encolhido nos últimos nos anos com queda na produção e nos empregos. O professor e economista da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Jaú Célio Favoni analisou a fundo o setor na tese de doutorado na Universidade de São Carlos e demonstra que o número de empresas no período 2010-2016 teve uma redução de 39,87% (de 454 para 273), sendo a maior queda quando comparada com os polos de Franca e Birigui no Estado de São Paulo e em relação a São João Batista (SC) e Nova Serra (MG).
Conforme o professor, os empregos do setor calçadista já representaram 50% do total da indústria no período 2004-2012, chegando a empregar mais de 9.300 pessoas em 2010, mas esse percentual declinou em 52,31% no período de 2010 a 2016, quando decaiu de 9.398 para 4.482 empregos formais.
Favoni ressalta que mesmo com queda de empresas continuou sendo o maior empregador da indústria de Jaú (4.382 empregos em 2016), ficando à frente do segundo colocado a fabricação de produtos alimentícios com 1.238 postos de trabalho. "Quando comparado ao total de empregos da cidade de Jaú, o setor já representou quase 25% nos anos de 2006 e 2007, em 2016 declinou esse percentual para 11,6%, ficando somente atrás do comércio varejista, com 7.629 ocupações", consta no levantamento do economista.
Para o professor Favoni, Jaú enfrentou uma perda de identidade depois que deixou de fazer o produto de couro e entrou forte no segmento sintético. Isso está ligada à tendência de baixar o custo de produção para alcançar preço no produto final, mas ocorreu no segmento em todo o país. "A exceção foi Nova Serrana, que apostou muito em fazer cópia de outros produtos. São mais agressivos na produção e tem mais força politicamente. Nas estatísticas, enquanto Jaú teve queda no número de empresas, Nova Serrana se manteve", cita.
As mudanças na produção global de calçados estão relacionadas às diferenças de custo e fator trabalho. A China, Índia, Vietnã, Indonésia e Nigéria entraram forte no mercado com produtos de baixo custo. "O calçado asiático não influenciou diretamente a produção de Jaú, mas indiretamente teve consequência. Ao importar produtos asiáticos, as grandes empresas do Sul tiveram dificuldade de concorrer e, então, elas entraram no mercado interno mais forte, afetando concorrência com produtos de Jaú", explica.
RESISTÊNCIA
Para enfrentar o mercado competitivo, Favoni explica que as empresas do Sul passaram a lançar marcas para ter mais valor agregado, enquanto o calçadista de Jaú passou a baixar o preço para conseguir vender. "Enquanto um foi para a venda de produto diferenciado, o jauense foi para o preço mais barato, para tentar vender mais. Essa estratégia foi ruim, porque todo mundo vende barato e acaba não vendendo grande quantidade. As grandes empresas de Jaú não conseguiram agregar valores, muitas delas fecharam", cita.
O setor calçadista jauense resiste, porém cerca de 80% é de pequenas empresas, de médio e grande porte fecharam. "É fácil abrir fábrica de sapato, é possível alugar equipamento e espaço, porque há barracões ociosos. Para produzir 200 pares é fácil, como qualquer um pode montar, vem a concorrência por preço e aí vira canibalismo", cita o professor.
Favoni aponta que um fato que atrapalhou o setor calçadista foi uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2009 contra o Sebrae devido a terceirização excessiva, que afastou a entidade pública das atividades de aperfeiçoamento profissional. "Na minha tese cito que, a partir de 2010, depois que o Sebrae saiu fora das atividades, por ser muito atuante no setor calçadista por envolver pessoas e trazer recursos, deixou mais vulnerável o segmento, porque bancava feiras e trazia cursos", cita.
O presidente do Sindcalçados, Caetano Bianco Neto, admite que o segmento abusou da terceirização, questão que foi resolvida com a reforma trabalhista.
Produção de botinas criou segmento
A atividade calçadista em Jaú teve as suas origens com os primeiros "sapateiros" no início do século passado que fabricavam botinas rústicas de couro, voltadas para viajantes, trabalhadores da lavoura e comunidade local, de acordo com o economista Célio Favoni.
No estudo "Fatores de coesão organizacional na rede calçadista de Jaú" com o declínio da produção cafeeira e canavieira na década de 1950, a produção de calçados tornou-se uma opção viável, se fortaleceu economicamente e ganhou até projeção política.
Há um empreendedor que teve também papel importante no desenvolvimento do segmento. Trata-se de Jarbas Faraco que chegou a ser prefeito da cidade (1968-1973). "Ele foi incentivador e tinha um tino para negócio, não somente na produção. Depois que entrou para a política se afastou", relata Favoni. A partir da década de 70 e 80, o setor apostou no calçado feminino e cunhou o slogan "Capital do Calçado Feminino", eufemismo porque uma única fábrica do Vale dos Sinos/RS produz mais do que todas as fábricas de Jaú, conta o professor.
Crise econômica aumenta informalidade
A empresária Vera Avante da indústria "Bem me Quer" acredita que a concorrência de produtos asiáticos não é o fator determinante para a dificuldade no setor calçadista de Jaú. De acordo com ela, a retração econômica que o país enfrenta tirou o poder aquisitivo da população o que dificultou o segmento de calçado feminino da cidade, que concentra a produção em 90%.
"As grandes fábricas fecharam e desempregou muita gente. Essa mão de obra que ficou ociosa precisa colocar comida na mesa, decidiu fazer sapato no fundo do quintal. Isso aumentou informalidade e reduziu o preço. No meu caso tive que me adaptar ao mercado. Se não posso fazer 1.000 pares, então reduzo pela metade. As grandes empresas se reestruturaram com produção menor", relata.
A declaração da empresária bate com dados da pesquisa feita pelo economista Cesar Favori.
A empresária ressalta outro fator que tem também atrapalhado as vendas são as novas tecnologias de informação, no caso o comércio via Internet. "O cliente que compra na loja física para fidelizá-lo é importante ter uma boa qualidade no produto, com funcionário para atender e boas instalações. Ele vem uma vez só, se conseguir vender e fidelizar, será um cliente a distância por muitos anos. Hoje já temos os dois sistemas: venda de pronta entrega e venda com representantes. O custo fixo com representantes também está difícil de se mante na estrada e já usa de maneira arcaica pelo WhatsApp e tem feito a diferença de se manter no mercado", conta.
Novo empreendimento já está pronto para o segundo semestre
Com os altos e baixos do setor calçadista, os investimentos continuam em Jaú para alavancar as vendas tanto a varejista como o público. Mesmo com fechamento de fábricas de grande porte, há o segmento de varejo como o novo empreendimento que já chegou a ser apresentado ao mercado em novembro do ano passado. O empreendimento deve entrar em funcionamento no final de junho ou segundo semestre.
Trata-se do Jahu Center Plaza com espaço para 28 lojas criado também para comercializar produtos no segmento de moda, mas com custo benefício para empreendedores. O empreendimento está localizado na Bauru-Jaú, próximo do posto da Polícia Rodoviária, perto do Território do Calçado.
O local vai oferecer infraestrutura completa e moderna com lojas prontas e suporte de marketing.
A cidade já tem outro conhecido na região, o Território do Calçado, que abriga cerca de 180 lojas, considerado o maior showroom de calçados.
O Jahu Center, de acordo com a empresária Vera Avante, tem diferença em relação ao Território do Calçado. "Vamos reinventar o nosso negócio no novo local. Vamos sair do Território do Calçado e criar um espaço diferenciado, com custo e lojas menores. Vamos procurar expor para a venda os calçados de melhor qualidade. O showroom ficou mais um comércio popular", declarou a empresária da fábrica "Bem Me Quer".
Resistência na produção de calçados
Caetano B. Neto, do Sindicalçados, diz que independentemente das dificuldades da economia, nos próximos 50 anos Jaú continuará produzindo calçados
| Aurélio Alonso |
| Presidente do Sindcalçados, Caetano Bianco Neto, diz que Jaú se reinventa na produção de calçados |
O atual momento da indústria de calçados não é dos promissores, mas independente dos solavancos da economia brasileira que levou ao fechamento de indústrias em Jaú com redução do número de contratações, o setor sobrevive e, ao contrário, se pulverizou com abertura de pequenas empresas no setor.
A concorrência asiática foi um dos fatores na última década que atrapalhou, mas o mercado interno também é forte com muita concorrência.
O presidente do Sindicalçados, Caetano Bianco Neto, ressalta, porém, que em 2021 vence o prazo de mecanismo antidumping contra os produtos chineses e novamente esse acordo será rediscutido. Ele acredita que não deve ser renovado, mas não é o principal entrave, porque as medidas de antidumping já foram renovadas com os chineses por duas vezes. "A medida antidumping não resolveu muito, porque houve a triangulação ou seja a China diminuiu a exportação para o Brasil e aumentou de outros países asiáticos como Vietnã, Taiwan, entre outros", salientou.
O que tem inquietado os fabricantes, é a possibilidade do atual governo abrir a economia, como já declarou recentemente o ministro da Economia, Paulo Guedes, que admitiu que vai adotar um sistema progressivo de redução na taxação dos importados de 35% para 15%. "Queremos pelo menos condições iguais para concorrer. Se baixar a taxação, tem que baixar o custo Brasil. Se for proporcional, sou até otimista porque não vamos perdeu força no mercado nacional - o quarto maior do mundo de consumo. Se isso acontecer continuamos competitivos no mercado nacional e melhoramos no internacional", afirma o presidente do Sindcalçados.
Jaú também busca a identificação geográfica, que é um selo para firmar que a cidade é um polo de produção de calçados. Atualmente é conhecida como Capital do Calçado Feminino, mas isso só no Estado de São Paulo, se incluir a produção brasileira, há indústrias no Sul com muito mais produção de calçados femininos
JC - Apesar das dificuldades econômicas do País, o setor de calçados de Jaú ainda é representativo para a cidade. Como é que está no momento?
Caetano Bianco Neto - Há 20 anos já dizia: Jaú vai continuar fazendo sapato ainda para os próximos 50 anos. O setor passa por altos e baixos. No momento é de baixa fruto principalmente da dificuldade enorme que estamos passando na economia do Brasil como um todo.
JC - É a economia ou a concorrência de produtos asiáticos que atrapalhou a produção local de calçados?
Caetano - A economia. Quanto a produtos da China existe ainda mecanismo antidumping, que acaba em 2021, e acredito que não vamos renovar. Hoje está mais ou menos resolvido, mas existem incertezas com relação ao futuro. Na época pensamos em medidas mais rígidas, tanto é que houve antidumping, renovadas por duas vezes. A primeira foi que todo sapato importado da China paga taxa de 15 dólares e agora está em 12 dólares. Isso não resolveu muito, houve a triangulação, ou seja, a diminuição da China diminuiu a importação e aumentou do Vietnã, Taiwan, entre outros países asiáticos. Diante disso não há como ter medida antidumping contra todos os países. Outro fato temos 33% de imposto de importação de qualquer calçado, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, fala em abrir o mercado de maneira geral. A maior abertura da economia vai atingir o setor calçadista.
JC - Isso pode atrapalhar o setor?
Caetano - Muito, porque o governo fala em reduzir a taxação de 35% para 15%. Nós temos acordo, se é que podemos falar que seja isso, de pelo menos o governo dar condições iguais para concorrer com o importado. Se baixar a taxação, tem que baixar o custo Brasil. Se for proporcional, sou até otimista que não perderemos força no mercado nacional - o quarto maior do mundo de consumo. Se isso acontecer continuamos competitivos no mercado nacional e melhoramos no mercado internacional.
JC - O mercado nacional tem forte concorrência, porque já há vários outros polos?
Caetano - Jaú não tem característica de exportar. Era muito complicado, não tanto atualmente. O Sindicato dos Calçados faz um trabalho muito grande, junto com à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), que está demonstrado às empresas que não é difícil exportar. É mais por essa fama de antigamente de dificuldade que existe esse desinteresse dos calçadistas jauenses, porém quando o Sul do país - maior mercado de calçado feminino - deixa de exportar, aumenta a concorrência no mercado externo. Então, quando não está bom para exportação, para nós piora muito o mercado interno, porque a concorrência fica mais acirrada. Outros polos que não eram tão tradicionais de calçados femininos, como São João Batista em Santa Catarina, hoje estão muito forte.
JC - A queda do poder aquisitivo provocada pela retração na economia também levou a abertura de pequenas empresas, fundadas por ex-funcionários de empresas de calçados que fecharam?
Caetano - Jaú é uma grande incubadora de indústrias. Fecha uma grande indústria na cidade e abrem 10 pequenas. O mercado consumidor tem diminuído por causa do desemprego muito grande e sub emprego. Ou seja, tem uma oferta de emprego muito maior que a procura, que acaba atrapalhando muito.
JC - A qualidade do calçado é bom?
Caetano - A qualidade é boa, porque o Brasil é um dos poucos no mundo que tem toda a cadeia produtiva. Tem o boi no pasto para o couro, indústria de máquina de alto tecnologia, tem design. No caso de Jaú, produzia calçado especificamente de couro, mas hoje é muito pouco e muito sintético. A qualidade que a cidade sempre teve acabou dando margem para as pequenas começarem a brigar por preço. Isso faz com que a qualidade caia. De uma maneira gera, Jaú foi sempre conhecida por lançar moda, por ter design muito arrojado, por agilidade devido a ter indústrias menores que as grandes do Sul. Costumo comparar as indústrias do Sul com um transatlântico: para mudar rota demora muito. Aqui em São Paulo e Interior se decidirem mudar a modelagem a gente consegue atender os nossos clientes em uma semana.
JC - A ação que combateu a terceirização teve um efeito também de reduzir a participação do Sebrae nos cursos de capacitação?
Caetano - Jaú terceirizava muito e somente agora a legislativa trabalhista mudou o entendimento. E começou a legalizar o que se fazia antigamente de maneira ilegal.
JC - A terceirização foi uma maneira de cortar custos?
Caetano - Sim, talvez por falta de conhecimento as indústrias abusavam da terceirização. Trouxe muitos problemas, mas estão sendo resolvidos com a nova legislação. Mas precisamos muito do Sebrae, Senai, Senac, Sesi e Fatec para construir nova era no calçado. É um produto de moda, pujante, por ter muita tecnologia envolvida e precisamos aperfeiçoar.
JC - O setor reduziu muito as contratações nos últimos anos?
Caetano - Nos três polos essa redução no Estado foi de 30%.
JC - Tem condições de melhorar?
Caetano - Acredito que sim, não sei se recupera os empregos perdidos.
JC - Jaú busca a identidade geográfica para se firmar no setor de calçados. Como é isso?
Caetano - A identidade geográfica é difícil mensurar, mas como o slogan Capital do Calçado Feminino isso traz um prestígio. Dou exemplo, todos conhecem o chamado queijo da Canastra, essa marca é a identidade geográfica. As empresas poderão explorar que seus produtos são do polo daqui, vai ter uma série de condições para usar esse selo. Em todo o mapa vai constar que Jaú é um polo de fabricação de produtos feminino. Acho que devagar isso vai se propagar, se a identidade pega será muito mais fácil.
Produção de Jaú é voltada para mercado interno
Com toda a dificuldade que país passa, dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de calçados, com um parque instalado de 7,7 mil fábricas, que empregam cerca de 300 mil pessoas direitos e produzem mais de 900 milhões de pares por ano.
No caso da cidade de Jaú conta atualmente com cerca de 300 fábricas de calçados, que geram aproxidamente 4,5 mil empregos e 8 mil indiretos. A produção jauense é voltada para o mercado interno de 120 mil pares por dia.