10 de julho de 2026
Nacional

Ensino Waldorf completa 100 anos em expansão no Brasil

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

As aulas de Artes e Música são consideradas tão importantes quanto Língua Portuguesa ou Matemática. Até o ensino médio, os alunos têm todas as disciplinas ministradas por um mesmo professor, não possuem boletins com notas nem livros didáticos e não usam computadores ou aparelhos eletrônicos nas atividades escolares. Apesar de seguir na contramão do que faz a maioria das escolas tradicionais - que busca dar cada vez mais conteúdo e oferecer mais tecnologia em sala -, a pedagogia Waldorf completa cem anos em 2019 e está em expansão no País. 

Segundo a Federação das Escolas Waldorf, nos últimos dez anos o número de unidades que segue o método cresceu 200%. O Brasil tem 88 escolas filiadas, reunindo mais de 16 mil alunos e cerca de 1 7 mil professores. Há ainda outros 170 colégios em processo de filiação. 

Para os educadores, o aumento na procura se deve a uma mudança de preocupação das famílias e também à abertura e desmistificação da pedagogia. “Havia um estereótipo de que nossas escolas são hippies, que não ensinamos o conteúdo e as crianças fazem o que querem. Quando passamos a explicar e mostrar o trabalho, o preconceito caiu e as escolas passaram a ter mais procura”, diz Melanie Guerra, diretora da Faculdade Rudolf Steiner, a primeira no País a usar o método na graduação, no curso de Psicologia.

As escolas Waldorf se diferenciam das demais em uma série de aspectos. A alfabetização, por exemplo, só começa aos 7 anos, quando se entende que as crianças já adquiriram maturidade. O Ministério da Educação e a maioria das escolas particulares defendem que a introdução ao processo deve começar o quanto antes, ainda na educação infantil - a Base Nacional Comum Curricular prevê que ao fim dos 7 anos a criança já esteja plenamente alfabetizada. 

“Esperamos a criança ter domínio do próprio corpo, e motricidade fina e grossa bem desenvolvidas. Assim, a alfabetização acontece de forma mais fácil e natural. Não temos pressa”, diz Melanie. Segundo ela, essa visão diferente de ritmo orienta todos os processos educativos. As educadoras dizem que, apesar de o conteúdo não ser a prioridade, ele não deixa de ser explorado. 

Também chama a atenção a organização dos espaços, que não segue o modelo convencional. Não há carteiras enfileiradas nas salas, por exemplo. Na educação infantil, o espaço se assemelha a uma casa, como sala de estar e cozinha. 

“Para aprender, a criança nessa idade precisa de um ambiente acolhedor e aconchegante, como o de casa. Nesse espaço, elas brincam, cozinham, desenham, tudo como fariam se estivessem em casa”, diz Melanie. Se privilegia o tempo em que o aluno passa na parte externa da escola.