Um novo balanço da pior epidemia de dengue da história de Bauru foi divulgado ontem. Outros 1.150 registros foram confirmados e, com isso, a cidade já conta, somente em 2019, com 18.028 casos oficiais, sendo 17.996 autóctones e 32 importados. Vale destacar que esse é o número de registros de todo o ano e não reflete a quantidade de pessoas doentes neste momento. As mortes seguem em 17 e há ainda outras vítimas fatais em investigação. Contudo, pela quarta semana consecutiva, a prefeitura parou de divulgar quantos óbitos a mais estão em apuração e podem ter sido causados pela doença.
A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que os casos confirmados ontem tiveram início de sintomas ainda entre 1 de janeiro e 31 de março deste ano. "Ressaltamos ainda que os casos são referentes ao período de mais notificações e maior fase de transmissão da doença, sendo que, no mês de abril, os números de notificações tiveram redução de 66% em relação ao mês de março", destaca a pasta, em nota.
Mesmo a prefeitura indicando a tendência de queda, o número total de casos segue alarmante. Para se ter ideia da intensidade desta epidemia, 2019 já tem mais que o dobro de registros oficiais de 2015, período com recorde anterior de casos da doença. Naquele ano, foram contabilizadas 8.482 pessoas com dengue.
MORTES
O balanço divulgado ontem não traz novas confirmações ou descartes de vítimas fatais. Assim, Bauru segue com 17 mortes, também recorde histórico para a doença. Conforme o JC mostrou, 2019 já matou mais do que todos os anos anteriores juntos.
Antes, os anos que haviam registrado mortes pela doença foram 2011 (seis óbitos), 2013 (dois), 2015 (seis) e 2016 (um). Assim, todos os anos somados mataram 15 pessoas, ou seja, duas vítimas fatais a menos do que em 2019.
Apesar do recorde, por meio de nota emitida nas semanas anteriores, a Secretaria Municipal de Saúde pondera que o número de mortes está abaixo do preconizado pela Diretriz Nacional para Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue.
Pelo menos três outros casos de mortes suspeitas seguem em investigação. Há quatro semanas, porém, o balanço oficial não divulga a quantidade exata de óbitos em apuração.
A pasta se limita a dizer apenas que "aguarda os outros resultados pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) - São Paulo".
EM 10 MINUTOS
O poder público tem atuado em diferentes frentes para tentar conter a epidemia de dengue, com mutirões de limpeza, visitas a casas e também multas, além de diversas outras ações.
Mesmo assim, a participação da população dentro de casa é fundamental no combate ao mosquito. Inclusive, uma das campanhas é a "10 minutos contra o Aedes". Desenvolvida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), baseia-se em uma ronda semanal de 10 minutos observando vários pontos (veja o quadro acima).