| Fotos: Malavolta Jr. |
| Polícia Federal realiza simulado de roubo de carro forte com reféns no aeroporto Moussa Tobias |
| Uma das reféns precisou pegar o rádio comunicador; neste momento, os ladrões abriram espaço para a negociação |
| Ênio Bianospino ressaltou importância do treinamento |
| A primeira refém a ser liberada estava com ferimentos graves |
Um grupo de três criminosos aborda dois funcionários de uma empresa de transporte de valores, que transferiam pacotes de dinheiro para a aeronave Cesna, no Aeroporto Moussa Tobias, o Bauru-Arealva. Na ocasião, há troca de tiros, que se intensifica com a chegada da Polícia Militar (PM). Os ladrões entram no carro-forte e levaram consigo quatro reféns. Desta forma, a Polícia Federal (PF) deu início ao Exercício Simulado de Apoderamento Ilícito de Aeronave (Esaia), nessa quinta-feira (23) pela manhã, em Bauru. Inédito no município, o treinamento reuniu mais de 300 pessoas.
De acordo com o chefe da Delegacia de Polícia Federal, em Bauru, o delegado Ênio Bianospino, o objetivo da iniciativa foi capacitar todas as forças de segurança para agir em ocorrências de sequestro de avião. "Gostaria de ter feito há muitos anos, mas só hoje (quinta-23), conseguimos coincidir as agendas", revela.
Conforme o JC apurou, esta foi a maior simulação já feita no município, em termos de união de forças policiais.
Inclusive, o simulado contou com a participação de instituições de fora de Bauru, como o Comando de Operações Táticas (COT), vinculado à PF de Brasília; o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da PM de São Paulo; o Comando de Operações Especiais (COE), também da PM da Capital Paulista; e o Grupo Especial de Reação (GER), da Polícia Civil de São Paulo.
| Um atirador de elite, posicionado em local estratégico, acompanhava toda a movimentação |
Quanto às entidades locais, estiveram presentes a PM, a Polícia Militar Rodoviária, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil, o Grupamento Águia e o Grupo de Pronta Intervenção (GPI), formado por agentes da PF de Bauru, além de outros municípios da região, como Ribeirão Preto.
Os funcionários do Aeroporto Bauru-Arealva, bem como os representantes dos poderes Executivo e Legislativo das duas cidades, também foram convidados a participar da capacitação.
| Após uma hora de negociação, os três criminosos se renderam |
Segundo o delegado, os aeroportos com grande movimentação de passageiros têm de se submeter ao treinamento, mas o Bauru-Arealva, não. "É bom que se faça, afinal, em 2001, tivemos uma ocorrência deste tipo no Aeroclube. Na época, eu era tenente da PM e atendi o caso, que terminou com a prisão dos responsáveis", justifica.
PASSO A PASSO
O simulado começou por volta das 11h30 dessa quinta-feira (23) e só terminou uma hora depois. Quando a capacitação teve início, sequestradores e reféns já estavam dentro do carro-forte, estacionado na pista de pouso do aeródromo.
Então, a equipe foi dividida em vários grupos de ação: Grupo de Decisão, Grupo de Gerenciamento de Crise, Grupo Tático, Grupo de Negociação, Grupo de Apoio e Grupo de Inteligência.
NEGOCIAÇÃO
| Malavolta Jr. |
| A primeira refém a ser liberada, que estava gravemente ferida, foi atendida pela UR do Corpo de Bombeiros |
Homens do GPI levaram um rádio de comunicação ao veículo, momento em que os ladrões abriram espaço para a negociação, feita a portas fechadas, por questões táticas.
Uma refém, gravemente ferida após a troca de tiros, foi a primeira a ser liberada. Os agentes do GPI a encaminharam à Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros. Paralelamente, um atirador de elite, posicionado em local estratégico, acompanhava a movimentação.
Outras duas vítimas também foram entregues à polícia e a quarta saiu acompanhada dos três criminosos, que resolveram se render.
Os erros e acertos do treinamento serão apontados pela Polícia Federal, que ficou de, posteriormente, elaborar um relatório.