| Arquivo Pessoal |
| Planta foi levada aos alunos para experimento durante matéria eletiva de medicina indígena |
Dezesseis crianças do 6.º ano da Escola Estadual Professor Francisco Alves Brizola, no Parque Manchester, em Bauru, precisaram ser socorridas pelo Samu, na manhã dessa sexta-feira (24), após manipular uma planta durante uma das aulas. A reportagem apurou que o nome científico da espécie é Philodendron bipinnatifidum.
Quatro ambulâncias do serviço de atendimento médico e uma viatura do Corpo de Bombeiros estiveram na escola para atender as crianças e encaminhá-las a unidades de saúde. Treze alunos, de 11 a 12 anos, foram levados para a UPA Bela Vista e outros três, da mesma faixa etária, com sintomas mais intensos de coceira e falta de ar, foram encaminhados para a UPA Geisel.
Sete crianças permaneceram em observação nas unidades e tiveram alta até o final da tarde, de acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura.
MATÉRIA ELETIVA
A mãe de uma das crianças envolvidas na ocorrência, Juliana Barquilha Baldoino Carolino, de 34 anos, conta que a planta foi utilizada em uma matéria eletiva de medicina indígena. "Os alunos que escolheram ter essa matéria. O meu filho contou que, na aula de hoje (ontem), eles estavam manuseando urucum e uma planta chamada cipó imbé, com a ajuda das três professoras que dão essa matéria. Eles tinham que descascar e cortar o caule da planta para, junto com álcool, produzir uma substância que cura feridas", explica Juliana.
Ainda segundo ela, o filho e alguns colegas sentiram coceira. "As crianças passaram mal após contato com o leite da planta. O meu filho e alguns colegas apresentaram coceira, mas tiveram crianças com falta de ar", conta. "Conversei com as professoras após o ocorrido e elas tranquilizaram os pais. Sei que foi um acidente", complementa.
'NÃO É TÓXICA'
| Samantha Ciuffa |
| Gina Sanchez explica que a equipe da escola pesquisou sobre a planta |
Dirigente regional de Ensino, Gina Sanchez afirma que a professora responsável pela disciplina e a equipe da escola foram instruídas em relação ao processo que seria realizado com os alunos em sala de aula. "A professora foi até a aldeia indígena para aprender como manipular a planta, que não é tóxica. Ela é utilizada para fins medicinais e de uso tópico, sobre ferimentos. É uma planta que foi estudada pela equipe da escola antes de ser levada aos alunos", diz.
Ainda segundo Gina, o que houve entre os alunos foi uma suspeita de alergia, e não intoxicação. "A reação de alergia não foi confirmada em nenhum dos alunos. Três ficaram com suspeita de alergia. Embora ela não seja tóxica, ela pode causar uma alergia, assim como peixe, leite, pelo de cachorro, que não são tóxicos. Os médicos afirmaram que a planta não é tóxica".
Mas por que vários alunos sentiram o mal estar (algo não comum a uma alergia)? "As outras crianças ficaram sugestionadas e, por cautela da escola, todos que se queixaram de qualquer reação ou mal estar foram encaminhados ao atendimento médico, para que não restasse qualquer dúvida de que ficariam bem. Lembrando que nós trabalhamos com salas de 40 alunos", finaliza.
Biólogo consultado pela reportagem disse que a Philodendron bipinnatifidum tem, em suas folhas, o princípio ativo oxalato de cálcio. Trata-se de um composto químico que forma cristais e pode provocar reações alérgicas.