| Samantha Ciuffa |
| Artérias viárias como a avenida Nações Unidas ficam sobrecarregadas nos horários de pico; dica da polícia para evitar ficar preso em congestionamento é sair 10 minutinhos mais cedo de casa |
| Alex Mita |
| Nelson Augusto Neto: "Os projetos das artérias viárias foram para um fluxo completamente diferente do que temos hoje" |
Em seis anos, o trânsito de Bauru ganhou mais de 50 mil novos veículos. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP), foram 51.274 unidades emplacadas de 2012 a 2018, totalizando 284.576 em circulação no final do ano passado.
Para se ter uma ideia, atualmente, a cidade possui um veículo para cada 1,3 habitantes, considerando a estimativa populacional de 374.272 pessoas vivendo em Bauru em 2018, de acordo com o IBGE.
Tantos carros e motos circulando em meio a um sistema viário já bastante saturado em algumas regiões gera uma equação cada vez mais difícil de ser solucionada pelo poder público.
Hoje, as principais artérias viárias da cidade, como as avenidas Nações Unidas, Rodrigues Alves, Duque de Caxias, Getúlio Vargas e Comendador José da Silva Martha, já não conseguem dar vazão ao fluxo de veículos de maneira adequada nos horários de pico. E, à medida que as condições de tráfego vão se agravando, tornam-se cada vez mais limitadas as medidas para desafogar os gargalos de uma cidade como Bauru, que não cresceu de maneira planejada.
"Os projetos destas artérias viárias são antigos, dimensionados para um fluxo completamente diferente do que temos hoje. Além da frota de Bauru, a gente calcula que o trânsito receba, todos os dias, ao menos mais 9% deste total, que corresponde a veículos de pessoas que não moram na cidade, mas vem para estudar ou trabalhar", aponta o gerente do Setor de Estatísticas de Trânsito da Emdurb, Nelson Augusto Neto.
PALIATIVOS
E não há, por exemplo, como desapropriar imóveis para alargar estas vias. O que restam são estratégias paliativas, como retirar o estacionamento de um dos lados da via, implantar semáforos ou mão única de direção, para garantir maior fluidez ao trânsito em pontos críticos, mas apenas por alguns anos.
Já as soluções mais abrangentes não saem do papel porque custam caro e esbarram principalmente em restrições orçamentárias. Entre elas, conforme já apontaram especialistas consultados pelo JC, estão novos modelos de transporte coletivo, incentivo a modais alternativos de transporte, como a bicicleta, e a retirada da malha ferroviária da área urbana para a interligação de bairros por uma espécie de anel viário.
"Há a intenção de investir na interligação de ciclovias e ciclofaixas já existentes, mas ainda estamos engatinhando neste sentido. Seria uma forma de diminuir, ao menos um pouco, a sobrecarga no trânsito", comenta Augusto Neto.
ESTRATÉGIAS
Enquanto soluções definitivas para os grandes "nós" do trânsito bauruense não são encontradas, os motoristas podem adotar algumas medidas para tornar o trânsito menos caótico e, assim, chegar mais rápido ao seu destino. Uma delas é planejar o seu deslocamento e buscar rotas alternativas ao fluxo intenso de veículos. Outra é evitar trafegar nos horários de pico.
"Se a pessoa sair 10 minutos mais cedo de casa para o trabalho, vai encontrar um tráfego completamente diferente e escapar dos picos de congestionamento. Este é um hábito que o bauruense não tem", pondera o tenente José Sérgio de Souza, comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar.
Outra medida, essencial não apenas para a segurança, mas também para evitar mais transtornos durante o deslocamento, é manter-se sempre atento ao volante. Segundo o tenente, a associação entre a baixa velocidade desenvolvida pelos veículos nas vias saturadas e a desatenção dos motoristas tem resultado no aumento do número de acidentes sem gravidade, como colisões traseiras.
Apesar de não ser uma ameaça à vida das pessoas, estas ocorrências contribuem para atravancar ainda mais o tráfego já complicado de diversas vias da cidade. "O uso do celular continua sendo a segunda infração mais recorrente no trânsito de Bauru. Ele tira a atenção do motorista e um segundo pode ser suficiente para provocar um acidente", reforça.
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Otimismo no setor e tendência de crescimento
Concessionárias de veículos ouvidas pela reportagem demonstram otimismo quanto à retomada das vendas na cidade. De acordo com representantes das empresas, caso a promessa de aprovação de reformas e de austeridade fiscal feita pelo governo federal se concretize, a tendência é de que o mercado volte a ter confiança para investir no País, criando um ambiente propício para o aumento do consumo de bens de custo mais elevado.
"Já estamos verificando este aumento, gradativamente, em 2019, mas temos uma expectativa muito grande para o segundo semestre. Não esperamos uma explosão de vendas da noite para o dia, mas, felizmente, o 'maremoto' que vivemos nos últimos três anos passou", pontua Renato Amantini, diretor comercial da concessionária Chevrolet Amantini, de Bauru.
De acordo com ele, assim como o diretor da concessionária Ford Simão, Jorge Simão Neto, cerca de 70% das vendas são concretizadas por meio de financiamentos, o que demanda confiança do consumidor sobre a capacidade de assumir um compromisso financeiro de longo prazo. Em sua maioria, são os chamados veículos de saída, que correspondem aos carros populares com acessórios básicos, os que mais saem das lojas. O preço médio é de aproximadamente R$ 45 mil.
"Além de carros novos, temos percebido o aumento na comercialização principalmente de seminovos. Há uma recuperação mês a mês no volume de vendas. Um aspecto interessante, inclusive, é que tem crescido bastante a demanda por veículos com equipamento multimídia, que permite acessar os aplicativos do celular e recursos do veículo em uma tela touchscreen", acrescenta Simão.
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