| Arquivo pessoal |
| O cartão de visita de Andy é o sorriso; na foto, ele gravava um clipe, em 2018 |
| Além de trabalhar como ator, Andy é modelo e faz diversos editoriais |
| Andy interpreta Augusto, na novela As Aventuras de Poliana |
| Andy protagonizou campanha da Rexona para a Copa |
Aos 31 anos, o ator e modelo bauruense Andy Augusto mantém a inocência daquele garoto que foi criado no sítio. Da infância humilde, ele também traz a sinceridade e o largo sorriso, considerado, por muitos, o seu cartão de visita.
A batalha do rapaz começou logo cedo, quando perdeu o padrasto, o pai e a mãe quase que simultaneamente. Ainda adolescente, ele se viu sozinho no mundo, com outros três irmãos para cuidar.
A dedicação de Andy surtiu efeito. Depois de trabalhar em várias áreas, finalmente, conseguiu ser reconhecido enquanto modelo. O estopim da sua carreira se deu na última Copa do Mundo, momento em que gravou o comercial da Rexona. O vídeo chegou às telas da TV.
O rapaz, então, se descobriu ator e, atualmente, interpreta o personagem Augusto, da novela As Aventuras de Poliana, veiculada pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).
Nesta entrevista, Andy revive a própria trajetória e relata, ainda, as principais dificuldades que enfrenta. O racismo é uma delas. "Certa vez, fui fazer um trabalho e um cara perguntou onde os modelos moravam. Quando chegou a minha hora de falar, ele já sugeriu que vivia no Itaquera, na favela", descreve, com um misto de raiva, indignação e tristeza.
Jornal da Cidade - Você nasceu e foi criado em Bauru?
Andy Augusto - Nasci em Bauru, mas passei boa parte da vida em Holambra, também no Interior de São Paulo. Quando eu tinha 2 anos, a gente se mudou para a zona rural desta cidade, porque a minha mãe havia se casado com o pai dos meus dois irmãos mais novos (Tiago e Diogo). Lá, ele era caseiro de um sítio. Ainda na minha infância, o meu padrasto faleceu e a minha mãe me contou a verdade: ele não era o meu pai. Até então, acreditava que fosse.
JC - Você nunca desconfiou?
Andy - Sim, porque eu era o único da família que não levava sobrenome de pai. O pessoal da escola até brincava que eu era adotado. O meu padrasto faleceu e a minha mãe acabou contando a verdade. Na época, o meu pai biológico também queria me conhecer. Voltamos a Bauru para que eu pudesse vê-lo. Depois, ficávamos indo e vindo de uma cidade a outra. Certa vez, o meu pai, que era motorista da Ajax, me chamou para viajar com ele. Minha mãe ia junto. No dia em que partiríamos, ele sofreu um acidente de trânsito, em Botucatu, e morreu. Então, retornamos a Holambra. Pouco tempo depois, a minha mãe morreu vítima de um atropelamento. Eu tinha apenas 12 anos.
JC - O que aconteceu com você e com os seus irmãos? Com quem ficaram?
Andy - Todos nós voltamos a Bauru. Por um ano, ficamos na casa de um tio, que era irmão da minha mãe. Depois, fomos morar com outro tio, também do lado da minha mãe. Nesta época, o meu irmão mais velho (André) decidiu viver com uma tia, que era irmã do nosso pai biológico. Eu fui com ele. Já os menores ficaram onde estavam. Era difícil demais, nós não conseguíamos nos adaptar em lugar algum.
JC - Você começou a trabalhar cedo, não?
Andy - Sim, aos 16 anos. Consegui um emprego perto da casa da minha tia, em uma terceirizada da Plasútil. Comecei como ajudante e, pouco tempo depois, virei encarregado de um barracão. Aos 17, aluguei uma casa no nome da minha então namorada, que já era maior de idade. Fui morar sozinho. Em seguida, os meus irmãos mais novos quiseram viver comigo. Aceitei.
JC - Você virou chefe de família. Não era uma responsabilidade muito grande para um adolescente de 17 anos?
Andy - Por isso precisava de um emprego melhor, mas não sabia nem o que era currículo. O pessoal que trabalhava comigo me ajudou e, ainda, me indicou para uma vaga na Plasútil logo que completei 18 anos. Na semana seguinte, já havia sido contratado como auxiliar de produção. O salário melhorou bastante. Consegui, também, colocar um dos meus irmãos mais novos (Diogo) para trabalhar lá. Passados três anos, decidi sair. Então, arrumei um novo emprego, desta vez, em uma gráfica. Primeiro, como auxiliar de produção e, depois, enquanto conferente. A empresa fechou e tive a oportunidade de ser vendedor de carros. Era tímido demais, não gostava muito. Optei por trabalhar em uma transportadora. Inicialmente, era ajudante de caminhoneiro e, em seguida, conferente líder.
JC - Como a moda entrou na sua vida?
Andy - Comecei a trabalhar em outra transportadora, também no setor de conferência. Certa vez, uma mulher desconhecida me chamou no Facebook, falando que tinha um trabalho para mim. Não botei fé. Em seguida, ela insistiu tanto que concordei, mas não apareci no lugar combinado.Ela venceu pela persistência. Era um comercial e fiz o trabalho.
JC - E depois?
Andy - No dia seguinte, a mesma mulher me ligou, querendo que eu entrasse na agência. Contudo, eu não tinha dinheiro para pagar o book. Então, a empresa o fez gratuitamente. A partir deste momento, conciliava dois empregos (transportadora e moda). Só que a agência insistiu em um contrato de exclusividade, de dois anos. Concordei.
JC - Por que optou por viver em São Paulo?
Andy - No mundo da moda, o Interior não paga tão bem quanto São Paulo. Conversei com o pessoal da agência, que pediu para esperar o fim do contrato. Então, me apresentaram para uma empresa da Capital. Passei no teste e, aos 27 anos, me mudei para lá. Minha ex-esposa e mãe do meu filho, Kelly Clotilde dos Santos, me deu um super apoio.
JC - Para um menino que foi criado no sítio, a experiência de morar em São Paulo não deve ter sido fácil...
Andy - No começo, foi terrível. No primeiro mês, já queria voltar para Bauru. A cidade não para, é tudo muito corrido. Só que um amigo meu, Emerson Damaceno, o Macarrão, insistia para que eu ficasse. Quando cheguei, fui fazer um trabalho depois de seis meses. Já estava agoniado.
JC - Depois da tempestade, veio a bonança?
Andy - Sim. Fiz uma foto para a Cultura Inglesa, que ficou espalhada pelos pontos de ônibus e metrôs, em São Paulo, além de todas as cidades que abrigavam esta escola de idiomas, incluindo Bauru. Depois, gravei um comercial da Vivo, que rendeu um bom dinheiro. Cheguei até a ligar na produtora, perguntando se o valor estava correto. Também trabalhei com a Brahma, a Heineken, a Orloff, a Anhanguera, a Anhembi Morumbi, o CNA e o Bob's. Fiz, ainda, uma vinheta para a série Largados e Pelados, do Discovery Channel, bem como diversos clipes musicais. Em 2018, na Copa do Mundo, estourei com o comercial da Rexona, que foi para a TV. Ainda durante o Mundial, gravei para a Visa e a Seara. Em seguida, fiz rede de hotéis Ibis, Hellmann's, Jontex etc. Recentemente, participei da campanha da Tanger, em Bauru. Era um dos meus sonhos, acredita?
JC - Quando começou a carreira de ator?
Andy - Comecei a estudar teatro e, há um ano e meio, faço parte do elenco da novela As Aventuras de Poliana, do SBT, na qual interpreto o personagem Augusto. Também participei de um teste para a série As Fives, que será veiculada pela Globoplay, no próximo ano. Enfim, está tudo fluindo muito bem.
JC - Creio que o mundo da moda seja um pouco maldoso. Já sofreu preconceito ou discriminação racial?
Andy - Nossa, em várias situações. Certa vez, fazia um trabalho e um cara perguntou onde os modelos moravam. Quando chegou a minha hora de falar, ele já sugeriu que vivia no Itaquera, na favela. Respirei fundo e disse a verdade, que morava no Itaim Bibi, perto dos Jardins. É um bairro burguês de São Paulo.
JC - Para finalizar, qual conselho você deixa para quem tem o mesmo sonho de seguir carreira neste segmento?
Andy - Se você tem um sonho e sabe do próprio potencial, deve ir atrás, não pode desistir. Você vai receber vários "nãos" e não pode se abalar. Pelo contrário, precisa buscar o "sim".
Perfil
Nome: Anderson Augusto Correa (Andy Augusto)
Idade: 31 anos (nasci em 14 de setembro de 1987)
Profissão: Modelo e ator
Altura: 1,85 metro
Peso: 73 quilos
Pais: Adelaide Correa Benício dos Santos (falecida aos 32 anos)
Irmãos: Tiago Pereira Fernandes Filho, de 27 anos, Diogo Pereira Fernandes, de 28, e André Luiz Benício dos Santos, de 32
Esposa: Atualmente, estou solteiro
Filho: Kauã Augusto Correa dos Santos, de 8 anos
Time: Corinthians
Filmes: Gosto de muitos, devido à minha profissão, mas prefiro comédia
Livros: Nossa, tem muitos. Recentemente, terminei de ler "O Milagre da Manhã", de Hal Elrod, que mudou a minha vida. Ele conta a história de um personagem que quebrou o fêmur, assim como eu, e ficou muito tempo sem andar. Quando voltou, decidiu praticar esportes. Sofri este acidente na infância e, desde então, só inventava desculpas. Hoje, faço corrida de 5 e 7 quilômetros.
Signo: Virgem
Para quem dá nota 0: Para aqueles que não ajudam o próximo
Para quem dá nota 10: Para Deus (sou católico)
Contato: Andy Augusto (Facebook), @andyaugustoo (Instagram) e andyaugusto.46graus.com (site)