10 de julho de 2026
Nacional

Festival Lula Livre não destaca outras bandeiras de esquerda

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Dilma Rousseff/Divulgação Facebook
Grande público acompanhou shows do Festival Lula Livre, em SP

Três dias depois dos atos pro-Educação, o festival Lula Livre não contou com a presença de partidos e não enfatizou bandeiras políticas da esquerda.

O evento marca a separação de ambas as pautas - uma contra a prisão do ex-presidente petista e outra contra medidas do governo Jair Bolsonaro, como o contingenciamento de gastos na Educação. Os protestos contra o corte, realizados na quinta-feira em todo o país, não levantaram a bandeira do "Lula Livre".

A organização de atos paralelos é uma estratégia da oposição para manter agenda de protestos pró-Lula sem que essa pauta isole quem não simpatiza com o ex-presidente da agenda anti-Bolsonaro. "São pautas diferentes, mas complementares", disse ao 'Estado' Carina Vitral, presidente da UJS, braço jovem do PCdoB.

O evento é organizado pelo Comitê Lula Livre - que engloba partidos e organizações como o Instituto Lula -, em parceria com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

O festival teve início as 14h sob chuva fraca na Praça da República, no Centro de São Paulo, e lotou a área em frente à Secretária da Educação do governo de São Paulo. A PM não tem divulgado estimativa de público em protestos, mas a organização calcula que 20 mil pessoas passaram pelo evento à tarde.

O dia contou com a apresentação dos artistas Arnaldo Antunes, Thaíde, BaianaSystem, Emicida, Rael, Criolo, Nação Zumbi, Tulipa, Fernanda Takai, Aíla, Dead Fish, Chico César, Filipe Catto, Mombojó, Odair José, Otto, Junú, Everson Pessoa, Unidos do Swing, Francisco El Hombre, Slam das Minas, Bia Ferreira, Doralyce Soledad, Lirinha, Otto, Ilú Oba de Min, André Frateschi, Márcia Castro,Zeca Baleiro, Isaar, Junio Barreto, Fernanda Takai, MC Poneis, Chico Chico e Duda Brack, Triz, Anelis Assumpção e Drik Barbosa.

'Lula e educação são pautas inseparáveis', diz presidente do PT

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, negou neste domingo, 2, que haja uma separação entre a pauta do "Lula Livre" e as demais bandeiras da esquerda, como a da defesa da educação.

"Lula e educação são pautas inseparáveis. Essa moçada está indo às ruas pelo legado que ele deixou neste País", disse a petista, uma das únicas autoridades do partido a estar presente no festival Lula Livre, que não contou com discursos de políticos no palco.

"Para nós do PT, 'Lula Livre' é estratégico, nós achamos que não há salvação da democracia com Lula preso. Nós sempre levaremos a pauta do 'Lula Livre' junto com a pauta da defesa da educação", disse Hoffmann. Perguntada se os partidos aliados também fazem a mesma associação, a ex-senadora respondeu que "muitos têm levado (uma agenda em conjunto coma outra)". Citou o PCdoB e o PSOL e afirmou que Carlos Lupi, presidente do PDT, visitou Lula na prisão.

Além de não contar com discursos políticos, o ato deste domingo não enfatizou nenhuma outra grande pauta da esquerda, como a defesa das instituições públicas de ensino e a oposição à reforma da Previdência. O Broadcast/Estadão apurou que a organização de atos paralelos é uma estratégia da oposição para manter agenda de protestos pró-Lula sem que essa pauta isole quem não simpatiza com o ex-presidente da agenda anti-Bolsonaro.

Para Guilherme Boulos, que foi candidato do PSOL à Presidência da República ano passado, as manifestações dos dias 15 e 30 de maio - contra o contingenciamento de recursos de instituições de ensino anunciado pelo governo Jair Bolsonaro - foram "com centro na luta pela educação". "Agora aqui é um evento pensado com o tema do 'Lula Livre'".

Segundo Paulo Okamotto, presidente dos Instituto Lula, o evento deste domingo não conta com discursos por se tratar de um "ato lúdico". Ele disse ainda que os políticos com mandato ajudaram a fazer o contato com os artistas e a chamar público pelas redes sociais.