09 de julho de 2026
Articulistas

Não somos iguais e ponto final

Lucas Dias
| Tempo de leitura: 1 min


Cor da pele, textura do cabelo, densidade corporal, sexo biológico, orientação, gênero, famílias, costumes, crenças, necessidades e privilégios: não somos iguais – somos diferentes. Não existem direitos iguais, não existe igualdade de acesso, permanência, sucesso profissional, educacional ou espaço para todos. O texto é belo, mas a prática é cruel.

Como podemos ser “iguais” num mundo de diferentes caminhos, destinos e tratamentos? Aquele que declara que “somos todos iguais”, esconde dentro de si a fúria de que o “diferente” possa, talvez, ter as mesmas oportunidades que ele. O pretexto da igualdade é egoísta e tenta empurrar para de baixo do tapete a realidade histórica e social.

O menino que faz malabarismo no farol pode ter o mesmo sucesso profissional que o menino que faz inglês aos sábados e vai à Disney no Natal?

A mulher oprimida, que sofre agressões domésticas diárias, pode dar a volta por cima e ter uma vida digna? O homossexual taxado no ambiente de trabalho com inúmeros estereótipos negativos consegue impor o devido respeito que tanto merece? Sim, todos podem! Porém, o caminho será muito mais doloroso do que os seus opostos tomam durante a vida.

E a humanidade egoísta, que mede as dores do mundo comparadas com vivências pessoais, te sorri com a proposta da igualdade para esconder, no início do processo, as feridas ardentes que o “querer” nunca será “poder”. Portanto, respeite a minha diferença, não quero ser igual a você, e sim, melhor.

O autor é geógrafo e professor.