10 de julho de 2026
Geral

Após inscrições de ódio, Unesp realiza mostra contra nazismo

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis
Exposição de fotos na Faac escancara os prejuízos do nazismo para lutar contra todo o ódio

Marcelo Carbone Carneiro/Reprodução
Corpos no campo de concentração de Dachau, sul da Alemanha

Douglas Reis
O professor Marcelo Carbone fala sobre objetivo da mostra

Imagens impactantes da época em que a Alemanha era governada pelo regime nazista norteiam a exposição fotográfica "Memórias da intolerância dos campos de Auschwitz-Birkenau e Dachau", que está disponível na Central de Laboratórios da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), na Unesp, em Bauru. Perto do local, conforme o JC noticiou, foram encontrados dizeres de ódio, em maio deste ano. A mostra, inclusive, corresponde a uma das respostas da universidade contra tal ação.

Diretor da Faac, Marcelo Carbone Carneiro explica que o material pertence a ele e ao professor Eli Wagner, que visitaram os dois campos de concentração.

De acordo com Carbone, a exposição revela a barbárie cometida pelos nazistas junto às minorias, como judeus, inimigos políticos e homossexuais. "Logo, qualquer apologia a este regime é crime de ódio".

Entre as imagens da exposição, há fotografias de judeus extremamente debilitados, pilhas de corpos e também dos fornos usados para incinerá-los após a câmara de gás.

PROBLEMA ÉTICO

O diretor da Faac complementa que a humanidade possui um longo histórico de extermínio de iguais, não somente no período nazista. Para ele, que também é filósofo, existe um problema ético, que envolve a forma pela qual o indivíduo trata o outro.

Tanto que Marcelo Carbone acredita que tal questão deva ser rediscutida, em busca da aceitação do que é diferente. "As polarizações, bastante frequentes no País e no restante do mundo, talvez, deem vazão a ações do tipo", explica o professor.

Sob o ponto de vista do filósofo, a maldade é intrínseca à humanidade e cabe ao próprio indivíduo lutar contra ela, principalmente, ao conhecer a sua história.

Por isso, ele ressalta a importância das Ciências Humanas e da Educação propriamente dita.

RELEMBRE O CASO

Conforme o JC noticiou, a Unesp tem sofrido com inscrições de ódio nos últimos tempos. No caso mais recente, alunos encontraram, no dia 9 de maio, dizeres de cunho neonazista na parede de um dos banheiros da Faac.

As inscrições defendiam "Morte às aberrações" e davam o atributo de "herói" a Guilherme Taucci Monteiro, atirador de 17 anos que invadiu a Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, no mês de março.

Também foram deixados, na parede de um dos banheiros, o desenho de uma suástica, a saudação nazista "Sieg heil", a expressão "White Power" (Poder Branco, nome de um dos principais movimentos neonazistas do Brasil) e o número 1488, referente ao slogan de uma organização branco-separatista.

Um processo administrativo interno foi instaurado e a diretoria da instituição registrou um BO para que a Polícia Civil também investigasse o caso.

As inscrições foram apagadas e a direção da Faac aguarda a conclusão do inquérito policial, além da investigação interna. O órgão também levou o problema ao Ministério Público (MP).