| Fotos: Divulgação |
| Banda La Mata (de São Carlos): 8/6, hoje, às 16h, com show "Reggando a Alma". Reggae e ska com pegada pop e sucessos nacionais e internacionais de nomes como Cidade Negra e Bob Marley. Gratuito. Av. Aureliano Cardia, 6-71. (14) 3235-1750. |
A agenda cultural anual de boa parte dos municípios paulistas, no Interior, está organizada em pelo menos três fatores principais: os eventos tradicionais, típicos; os ligados a datas específicas e os vinculados a demandas da educação. Ao redor de Bauru, a temporada de temperaturas baixas consolidou também as programações dirigidas, como os Festivais de Inverno.
A característica, abrangência e porte das agendas refletem a capacidade orçamentária de cada localidade. Mas mesmo diante da retração da atividade econômica, secretarias de Cultura de várias localidades estão conseguindo manter o ímpeto em ação no segmento.
| Divulgação |
| Cidades da região organizam programação específica para este período de acordo com características de turismo, de tradição e de movimentos culturais, como os Festivais de Inverno |
A amostragem desta semana revela que alguns fatores contribuem para essa situação. Além da visão de gestão, onde cultura integra o mapa de investimento social e fortalecimento de laços comunitários, as cidades que contam com agenda mais robusta no inverno são as mesmas que enxergaram, no planejamento anual, a inter-relação entre cultura e educação.
Com isso, não por acaso, as férias escolares de julho convergem com densidade de mostras em literatura, dança, performances teatro e música nesses locais. A identificação dessa origem é simples, embora profunda a longo prazo: nessas cidades, o planejamento da educação converge com a de cultura.
| As agendas têm shows, performances, oficinas, encontros literários e até concurso de piano |
E, também por isso, julho é período de férias para estudantes mas, ao mesmo tempo, época em que jovens de orquestras, grupos teatrais, coletivos de poesia, de leitura e instrumentos musicais se preparam para apresentar ao público de sua comunidade o que aprenderam e criaram no primeiro semestre.
Há, por outro lado, as cidades que conseguiram criar mais longe. Instalaram palcos sofisticados, estruturados, como o belíssimo e moderno Teatro Adélia Lorenzetti, em Lençóis Paulista, e fizeram de suas vocações, turísticas ou de identidade, um impulso de hábitos e costumes. É o caso do Festival de Inverno em Jaú, da culinária com ecoturismo em Brotas e da tradição e característica de relevo, como a Cuesta e as manifestações fincadas na cultura caipira em Botucatu.
Cada município "vende seu peixe", sua cachoeira, sua montanha, seu cheiro, tempero, seu ponteio de viola, seu instrumental, seu encontro de bandas. Assim, o frio é uma estação, e todos desembarcam em seus Festivais para celebrar a cultura.
Dos livros à coxia
Lençóis Paulista tem ações consolidadas na dança, formação musical e literária
| Fotos: Divulgação |
| A Orquestra Sinfônica de Botucatu estará na programação |
| Divulgação/Prefeitura de Lençóis |
| Crianças do Projeto Guri do núcleo de aprendizado lençoense |
A grandiosidade do Teatro Adélia Lorenzetti dá a dimensão de como as manifestações culturais em Lençóis Paulista ganharam impulso. A conhecida "Capital Nacional do Livro" tem nas atividades do palco, além da vocação consolidada em literatura, uma nova frente de interação com a comunidade. Além disso, a cidade conta com a formação de grupos em dança e músicos, do instrumental ao erudito.
É com este perfil ampliado, indo da literatura à dança e roteiros teatrais, que o município vem atraindo público local e de cidades próximas, inclusive bauruenses. Para o secretário municipal de Cultura de Lençóis Paulista, maestro Marcelo Maganha, a diversificação cultural trouxe novo panorama. "Nós temos uma questão que é tradição e prezamos muito por ela, que é estimular os círculos de leitura e programação ligada à literatura em razão de nossa própria identidade, a capital nacional do livro. Mas temos nesta fase do movimento cultural da cidade, a dança muito forte e a formação de alunos em diferentes frentes da música, com 1.800 jovens participando de aulas gratuitas. No conjunto das ações, temos 4 mil cidadãos lençoenses envolvidos direta e indiretamente com ações na área", menciona o secretário.
A partir disso, o Teatro Adélia Lorenzetti multiplicou a presença da comunidade e de criação de espetáculos, performances e exibições musicais. "A agenda cultural, neste período mais frio, continua bastante ativa. Até porque nós temos um calendário programado que já direciona para atividades de fechamento de semestre nas áreas de formação em dança, orquestra, cursos específicos de instrumentos musicais", diz Maganha.
| Divulgação/Prefeitura de Lençóis Paulista |
| A Orquestra de Lençóis Paulista sobe aos palcos há 22 anos |
"É neste período, a partir de junho, que o aprendizado desta fase do ano e das demais turmas é demonstrado com apresentações, por exemplo. A Orquestra Municipal tem 22 anos, fizemos uma apresentação no Teatro com o Quarteto de Saxofone, mais completo musicalmente. Estimulando ações e agregando valor ao palco, como o Teatro fez para a comunidade, ela responde com participação, e o Adélia Lorenzetti fez muito bem esse papel. Como equipamento estrutural de manifestação cultural, o Teatro é algo excepcional, de grande porte, um dos maiores e mais bem equipados do Interior do País", emenda.
Hábitos
Para o maestro e secretário, as atividades culturais não "esfriam" nessa época. "Se você tem atividade cultural forte, com várias frentes, em formação, fomento e diversificação, com calendário por temporadas, o hábito de participar e fazer cultura ganha outra dimensão e costume. Tivemos uma apresentação para orquestra no meio da semana e a casa estava cheia, mesmo com o frio intenso. O comportamento cultural faz o hábito", comenta Marcelo Maganha.
De outro lado, as férias escolares preenchem o espaço, natural, em julho. "As atividades culturais ganham o direcionamento em razão das férias. E as atividades que não são realizadas nas escolas, em julho vão para dentro de espaços como a biblioteca e mesmo o Teatro. Em julho, teremos três concertos (Star Wars) com o maestro João Carlos Martins. Nós temos uma programação extensa, mas ainda não chamamos esse período de Festival de Inverno. Mas vamos, sim, pensar em 2020 batizar esse calendário de fomento a leitura, oficinas literárias, shows e apresentações teatrais dentro de um festival, por que não", observa.
Espaço Cultural Cidade do Livro
A exposição "Espaço Cultural Cidade do Livro em Lençóis integra as atividades deste período e é um espaço de memória viva do interior paulista. A mostra traz a história e trabalhos realizados tanto na preservação e conservação quanto na recuperação de livros e documentos feitos no Espaço Cultural Cidade do Livro.
São destaque os livros recuperados do acervo pessoal do fundador do Museu Municipal de Lençóis, Alexandre Chitto, que foram afetados pela enchente de 2016; o livro de registros do Cemitério Municipal de 1932; Atas da Fundação de Lençóis Paulista; além de embalagens e materiais especiais utilizados para esses trabalhos.
A exposição também divulga a Biblioteca Digital da cidade também gerida pelo Espaço Cultural, com mais de 1.500 documentos online. O trabalho é fruto de projeto contemplado pelo ProAc, com equipamento e materiais adquiridos para a melhoria dos serviços prestados. É possível também agendar visita monitorada pelo local.
Semana de homenagem na Cuesta
Botucatu abre a temporada do frio com a realização da Semana Angelino Oliveira. A partir do dia 16 deste mês, o público local e da região é convidado a ouvir de concerto de orquestra sinfônica a show instrumental e eminentemente caipira, como a apresentação do "3 na Roça" no dia 21, com Osni Ribeiro, Arnaldo silva e Marcos Lopes.
Angelino, nascido em 1888 em Itaporanga (SP), radialista, compositor e com habilidade em outros ofícios, fez história na cidade da Cuesta, da comunicação à sonoridade. Ele é autor de "Tristezas do Jeca", uma das músicas mais regradas e cantadas do universo caipira. Os traços da cultura originária do homem simples interiorano fizeram história no País. E Botucatu comemora, neste ano, o Centenário de Angelino de Oliveira.
Em julho, a cidade aposta no turismo e no calendário do Festival de Inverno. O Parque Municipal receberá festival mundial de rock, shows musicais no teatro, concertos e o I Concurso de Piano, com alunos locais.
Angelino de Oliveira
Instituída em 1982, a Semana Angelino de Oliveira resgata a memória de um dos compositores mais reconhecidos no início do século passado. A agenda mistura música e manifestações artísticas em um evento que relembra e homenageia este cidadão botucatuense, que chegou ainda criança à cidade, vindo de Itaporanga - onde nasceu -, e onde desenvolveu uma sólida carreira musical.
Aos seis anos de idade Angelino mudou-se, com os pais, para Botucatu. Lá fez seus primeiros estudos e tomou contato com violeiros vindos de diversos pontos do Brasil, em busca oportunidades, o que despertou seu interesse para a música caipira.
Angelino de Oliveira foi um verdadeiro homem dos sete instrumentos: dentista, escrivão de polícia, comerciante, radialista, violonista, trombonista e compositor. Mas seria com esta última profissão que ficaria para sempre na história da música. Angelino é autor de "Tristeza do Jeca", entre outras. Veja no quadro desta página a programação da Semana Angelino Oliveira.