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| Por ser vereadora, Aparecida de Fátima Ottênio terá conduta investigada pela Seccional de Lins |
Lins - A pedido do Ministério Público (MP), a Polícia Civil de Lins (102 quilômetros de Bauru) instaurou um inquérito policial para apurar suposto crime de estelionato envolvendo valores de cerca de R$ 250 mil que teria sido cometido por Aparecida de Fátima Domingues Ottênio, funcionária de uma agência do Banco do Brasil (BB) no município. Como, hoje, ela exerce o mandato de vereadora, a investigação ficará a cargo da Delegacia Seccional de Polícia de Lins.
O pedido de investigação foi feito nos autos de processo de inventário de um casal de idosos, que não tinha herdeiros. O homem morreu em 13 de julho de 2018, aos 91 anos. Já a esposa dele faleceu em abril deste ano, aos 87 anos, em uma clínica geriátrica de Lins.
Durante o levantamento de valores em contas bancárias mantidas pelo casal no Banco do Brasil, solicitado à justiça pela proprietária da clínica para saldar as despesas decorrentes da internação, foram constatadas movimentações financeiras em benefício de Ottênio.
As transações, que ocorreram entre os anos de 2016 e 2018, envolvem várias transferências bancárias feitas diretamente da conta dos inventariados para a conta corrente da funcionária do BB e pagamentos de diversas faturas de cartões de crédito em nome dela.
Documento judicial a que o JC teve acesso cita que muitas das movimentações foram realizadas por meio de aplicativo de celular, em um período em que o casal estava com idade bastante avançada e sem mínimo de consciência em razão de graves problemas de saúde.
SIGILO
O delegado assistente da Delegacia Seccional de Lins, Marcelo Muniz, confirmou a instauração do inquérito na semana passada, mas explicou que não poderia fornecer detalhes em razão do decreto-lei nº 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras.
A reportagem apurou que o advogado da funcionária do BB, Celso Modonesi, chegou a solicitar a decretação de sigilo do processo de inventário "em razão de suspeitas que recaíram sobre a conduta profissional" da sua cliente, mas o pedido foi rejeitado pela Justiça.
O JC entrou em contato com Ottênio, mas ela afirmou que iria se manifestar por meio do seu advogado. Em nota enviada por ele, a funcionária agradeceu eleitores e moradores de Lins pelas "inúmeras manifestações de apoio irrestrito" e disse que "todos os fatos lançados contra a sua moral serão devidamente esclarecidos em local apropriado, a justiça, oportunidade que demonstrará sua total e inabalável inocência".
Também por meio de nota, o Banco do Brasil informou que mantém estrutura dedicada à prevenção a fraudes e apta a detectar a atuação de golpistas por meio de sistemas e soluções de segurança. "Quando detecta esse tipo de ocorrência, o Banco noticia as autoridades competentes e colabora com as investigações por meio do repasse de subsídios no seu âmbito de atuação", ressalta.
"A conduta de funcionários do Banco envolvidos em irregularidades é analisada sob o aspecto disciplinar. De acordo com as normas internas, as soluções administrativas passíveis de aplicação vão desde a advertência e suspensão até destituição do cargo, demissão sem justa causa e demissão por justa causa".