| Samantha Ciuffa |
| A ‘Greve Geral’ culminou em uma manifestação na região central da cidade, nessa sexta-feira (14) pela manhã |
A chamada "Greve Geral" reuniu diversas categorias em frente à Câmara dos Vereadores, em Bauru, na manhã dessa sexta-feira (14). Tanto que alguns serviços, como parte das agências bancárias e das escolas municipais, foram interrompidos. Mais cedo, por volta das 4h, os circulares atrasaram a sua saída em aproximadamente duas horas. Apesar da pauta principal consistir na indignação diante da Reforma da Previdência, a maioria dos participantes se manifestou a favor da Educação. O ato não ocorreu apenas na cidade, mas em vários locais do País.
De acordo com o coordenador regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Itamar Calado, o protesto se deu de forma pacífica, sem qualquer intercorrência. A Polícia Militar (PM) acompanhou todo o trajeto, que saiu da Câmara, na Rodrigues Alves, rumo à Araújo Leite. Depois, passou pela Primeiro de Agosto até a Gerson França, retornando à sede do Legislativo.
Ainda segundo Itamar, os trabalhadores atenderam ao chamado para a greve e os estudantes os apoiaram, devido ao contingenciamento na área da Educação, anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), recentemente.
Inclusive, as palavras de ordem giravam em torno desta temática. Alguns participantes diziam: "A nossa luta unificou. Estudante está junto com trabalhador".
A expectativa do coordenador regional da CUT era de reunir até 45 entidades de classe. "Na nossa região, tivemos a paralisação de transporte, além dos Correios e muitos outros", acrescenta.
Presidente do Sindquimbru, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e integrante da direção nacional da Força Sindical, Edson Dias Bicalho afirma que o objetivo da movimentação é pressionar os políticos a discutirem a Reforma junto aos trabalhadores.
Para ele, o modelo proposto não atende aos anseios deste público. "Os militares ficaram de fora e as suas filhas continuarão recebendo pensão cinco vezes maior do que a do INSS. A idade mínima obrigatória, de 65 (homens) e 62 anos (mulheres), acabará com a chance da aposentadoria dos mais pobres", argumenta.
O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Restaurantes e Bares de Bauru e Região (Sechorbs), Francisco Pereira de Andrade, também participou do ato. "Estou preocupado com o futuro da nossa profissão", justifica.
Outras entidades, como o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sindecteb) e o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, aderiram à iniciativa. Coordenador desta última instituição, Paulo Tonon informa que todas as agências privadas da região central ficaram fechadas até as 12h dessa sexta-feira (14).
A reportagem, então, percorreu alguns destes locais. Na ocasião, constatou que o Itaú e o Santander da rua Primeiro de Agosto, bem como o Bradesco e o Itaú da Ezequiel Ramos, de fato, seguiram a decisão da categoria.
Os motoristas de circulares não aderiram à "Greve Geral", segundo informações junto à Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb). No entanto, por conta do piquete organizado por centrais sindicais, demoraram para dar início ao trabalho.
| Polícia Militar/Divulgação |
| A PM divulgou uma imagem aérea feita por volta das 10h dessa sexta-feira (14) na frente da Câmara |
MAIS ADESÕES
Os servidores municipais também paralisaram as atividades. De acordo com o advogado do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), José Francisco Martins, a maioria dos adeptos era da Educação. A instituição já negociou a reposição, mas ainda não obteve retorno quanto aos demais setores.
Em nota, a assessoria de comunicação da prefeitura esclarece que 264 servidores da Educação Infantil não foram trabalhar. Ainda nesta área, apenas a Emei Aparecida Pezzatto teve adesão total. Outras 64 unidades pararam parcialmente. Do total de 7.099 alunos atendidos, 3,2 mil foram dispensados.
Quanto à educação fundamental, 171 professores aderiram à greve e somente a Santa Maria apresentou aprovação total, também no decorrer de todo o dia. Mais 14 escolas ficaram parcialmente paralisadas. Dos 8.620 estudantes da rede, 2.474 não tiveram aula.
Já a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo informou que 8,9% das escolas registraram ausências de professores em todo o Estado. Apesar de ter sido solicitado, não foi especificada o índice específico de Bauru. "Em caso de eventuais faltas, o superior imediato irá analisar a justificativa apresentada, de acordo com a legislação", destacou.
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Educação
Muita gente se manifestou a favor da Educação, como o estudante do 3.º ano da Escola Estadual Ernesto Monte, Vinicius Rodrigues Nicola, de 16 anos. Ao lado da auxiliar administrativa Cananda Naiara Castro de Oliveira, de 17, ele diz que sonha cursar Biologia na Unesp. "O que vai ser do meu futuro, se houver cortes?", questiona.
A professora universitária Ana Bia Andrade, de 51 anos, protestava com a psicóloga e produtora de megaeventos Patrícia Caju, de 52. A docente afirma que saiu para defender os direitos dos alunos. "Já estou para me aposentar, mas penso muito no que vai ser das minhas crianças".
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