10 de julho de 2026
Política

18% dos imóveis não têm rede de esgoto

Thiago Navarro e Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
Na Vila Santista a rede de esgoto começou a ser implantada nesta semana pela prefeitura

A Prefeitura de Bauru vai lançar, na semana que vem, um plano de ação para levar rede de coleta de esgoto a todas as regiões da cidade, pois atualmente 17,96% dos imóveis ainda não contam com a rede coletora. O esgoto ainda corre na rua em alguns pontos periféricos de Bauru, e em outros, o uso de fossas continua.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) usará recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) para investir na ampliação da rede e, finalmente, após décadas em alguns casos, permitir que todos os moradores tenham esse direito básico de saneamento e higiene. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) estima o uso de R$ 18 milhões do FTE para esta finalidade. O FTE também foi utilizado na construção dos interceptores de esgoto nas margens de córregos e do rio Bauru, e na contrapartida do município para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, que ainda está em obras.

Nesta semana, o DAE começou a implantar redes coletoras de 1,2 quilômetro na Vila Santista, pedido antigo daquela comunidade, em um investimento de R$ 300 mil. A falta de coleta de esgoto também é verificada em partes da Quinta da Bela Olinda, Jardim Manchester, Jardim Tangarás, Vale do Igapó, entre outros.

Parte das obras deve ser feita pelo DAE, e as demais por empresas contratadas. O prefeito Clodoaldo Gazzetta considera que não dava mais para esperar. "Ainda temos diversos pontos que não contam com a coleta de esgoto, o que é algo até inimaginável, em muitos até são usadas fossas, mas consideramos que não é a destinação mais correta. A rede coletora é o ideal, pois futuramente teremos uma Estação de Tratamento de Esgoto para atender o município, porém, não adianta ter a ETE e não ter uma coleta adequada. Vamos investir com recursos do FTE, até porque foi criado para todo o sistema que envolve coleta e tratamento. O problema foi sendo empurrado por décadas, mas agora precisa resolver", enfatiza.

O problema está concentrado principalmente em loteamentos mais antigos, e que acabaram não recebendo investimentos, pois em loteamentos mais novos a construção de redes de água, esgoto, além de asfalto, iluminação pública, e estrutura como um todo já é obrigatório. "Vamos fazer um investimento que é esperado há muito tempo por esses moradores, e acabar de vez com o problema, levando a coleta de esgoto a todos os moradores", lembra.

BÁSICO

O saneamento básico é considerado essencial para a qualidade de vida da população, e também é um dos indicadores avaliados por empresas que pretendem investir, colocando o município em indicadores melhores para atração de empresas. Bauru trata, até o momento, apenas 5% do esgoto, com a ETE Candeia e também com a ETE do Distrito de Tibiriçá. A ETE Vargem Limpa vai tratar os 95% restantes, mas por enquanto está com as obras atrasadas. O DAE estima que a entrega ocorrerá apenas em 2021, mas o governo tanta antecipar para o ano que vem. Ainda faltam projetos complementares para que as obras continuem.

12% estão sem água encanada

Outro indicador de saneamento em que é necessário ampliação de investimentos é o abastecimento de água. O município tem 11,97% das casas sem rede de abastecimento, e também estão previstos recursos do DAE para essa finalidade. Neste caso, o montante virá diretamente dos recursos da autarquia. Recentemente, o DAE conseguiu a aprovação na Câmara de R$ 12 milhões para o abastecimento, para a construção de reservatórios, adutoras e redes de água que podem reduzir o problema.

Odor incomoda e moradores têm despesa adicional na Bela Olinda

O que era sonho da casa própria ganha contornos de pesadelo, principalmente, quando chove ou faz muito calor na região residencial do Quinta da Bela Olinda, que ainda não conta com rede de esgoto.

Malavolta Jr.
Adriana Gomes Lopes, moradora da Quinta da Bela Olinda, reclama do problema que é antigo naquela região: tem que pular por cima do esgoto a céu aberto

A nutricionista Adriana Lopes, 40 anos, mora há seis anos por lá em uma rua de terra, no cruzamento entre as ruas Carlos Alóia e Frederico Pagani, e reclama da situação. "Para transitar na rua temos que pular o esgoto e, quando chove, as fossas vazam e a rua vira um caos. No calor, então, o cheiro é insuportável e até tira o apetite. Como a casa é própria, não temos como sair", conta.

O mesmo drama é enfrentado por moradores do Jardim Manchester. Patrícia Cesarini, 29 anos, mora com três filhos pequenos e o marido há dois anos em uma casa na quadra 11 da alameda Euvaldo Lodi. A fossa na frente da residência vaza, às vezes, o que impede as crianças de brincarem livremente no local. "Temos que nos virar com até R$ 500,00 para a limpeza quando isso acontece, mesmo pagando IPTU certinho. É complicado. Tenho medo de doenças, meus filhos só ficam dentro de casa", reclama Patrícia.