| Aceituno Jr. |
| Vereadores conversaram na sessão dessa segunda-feira (24) sobre as indefinições do curso de medicina |
A Câmara Municipal vai levar para a Assembleia Legislativa os problemas enfrentados pelo curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru, fato que foi mostrado pelo JC nos últimos dois meses. O vereador Sandro Bussola (PDT) afirmou nessa segunda-feira (24) que já acionou o vice-presidente da Comissão de Saúde da Assembleia, deputado estadual Alex de Madureira (PSD).
O pedido é que o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann Ferreira, o reitor da USP, Vahan Agopyan, e o diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), Carlos Ferreira dos Santos, sejam convocados a prestar esclarecimentos a respeito de falhas no curso. O professor José Sebastião dos Santos, que era o coordenador do curso, também deve ser chamado. O parlamentar deve ir hoje até São Paulo protocolar ofício na Comissão da Alesp e acredita que uma audiência seja chamada em até duas semanas com as convocações.
As matérias do JC mostraram que há insegurança dentro do curso, inclusive com alunos temendo pelo encerramento das atividades e transferência para outras unidades, e a falta de investimento em professores, livros e equipamentos específicos para o curso de medicina.
Outro ponto que vem sendo cobrado é um convênio com a Famesp para que os estudantes tenham acesso aos hospitais, necessário dentro da formação. "Foi uma verdadeira luta de vários anos para conseguir este curso e agora se fala até em conspiração contra a medicina da USP, falta até a grade curricular do segundo semestre, estamos abrindo esse debate. Como não é possível a Câmara convocar os responsáveis, estamos falando com a Assembleia Legislativa para que sejam convocados e deem as respostas", afirmou.
Ao sair, o professor Sebastião apontou resistências em relação à grade curricular diferenciada do curso, que prioriza aulas práticas desde os primeiros anos em serviços municipais e estaduais de saúde. Outro motivo foram divergências sobre o perfil de atendimento do futuro Hospital das Clínicas (HC), que tem previsão para começar a ser implantado a partir do ano que vem no conhecido 'Predião'.
Sebastião também reclamou da demora para a contratação de seis professores, necessários para garantir a realização das aulas no segundo semestre deste ano. O pedido foi feito pelo então coordenador em fevereiro deste ano. Ele, contudo, descartou a possibilidade de fechamento do curso.
PREOCUPA
A vereadora Chiara Ranieri (DEM) também demonstrou preocupação com o curso e disse que algumas ações do então coordenador José Sebastião dos Santos foram questionadas e precisam também de esclarecimentos agora. "O professor ressuscitou a Funcraf e não fez o convênio com a Famesp, sendo que os outros dois cursos, odontologia e fonoaudiologia, já possuem esse convênio. A Associação Paulista de Medicina (APM) também fez um esforço muito grande para que ele não saísse do curso. Então, tudo deve mesmo ser mais bem respondido agora", comentou.
O vereador Fábio Manfrinato (PP) também citou que vai colaborar. "Causa preocupação e como atualmente não temos deputados estaduais, vamos nos unir para apresentar a situação aos parlamentares com quem mantemos contato, porque outros municípios estão vendo essa situação e querem um curso de medicina, cabe aqui correr atrás para manter e melhorar o que temos, vamos falar sobre esse problema com os deputados estaduais", declara.
Por fim, a vereadora Telma Gobbi (SD), presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, comenta que as respostas precisam acontecer. "Em alguns casos, os temas discutidos aqui vão além da competência municipal, como é o caso do curso de medicina da USP, precisa da participação do Estado. O Hospital das Clínicas (HC) precisa virar uma realidade para a população, e o investimento em saúde deve ser feito naquele prédio, já que está perto de ter condições de uso em pouco tempo, deve ser a prioridade a partir de agora", frisou.
Censo habitacional tem críticas e defesa
O censo habitacional promovido desde a última semana pela Prefeitura de Bauru foi criticado pelo vereador Coronel Meira (PSB). "As pessoas estão achando que o município vai construir casas e estão se cadastrando, isso é um estelionato eleitoral, precisamos informar as pessoas", declarou. O vereador José Roberto Segalla (DEM) também fez ponderações e afirmou ser superestimado o investimento previsto de R$ 3,5 bilhões e geração de 50 mil empregos, feita pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD).
Ainda de acordo com Segalla, essa promessa vai acabar trazendo ainda mais pessoas de fora para Bauru em busca de moradia.
Já o líder do governo na Câmara, vereador Markinho Souza (PP), afirmou que a prefeitura está fazendo o censo, mas as obras ocorrerão por conta da iniciativa privada e que já são 37 empreendimentos em fase de avaliação na Seplan.
Ainda na área habitacional, o vereador Coronel Meira mostrou que alguns moradores do antigo assentamento Canaã montaram barracos perto da Rodovia Marechal Rondon, na região do Jardim Marabá. Ele destacou que são pessoas que não se enquadravam nos critérios socioeconômicos para ocupar o terreno do Parque Primavera, onde 195 famílias foram levadas pelo governo municipal.
ETE, vacinas, limpeza e transporte
A tribuna da Câmara teve a repercussão de vários assuntos nessa segunda-feira (24). O vereador Manoel Losila (PDT) voltou a falar dos problemas nas obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, e que ontem manteve conversa com o procurador da República Pedro de Oliveira Machado.
O parlamentar lembra que a Arcadis precisa assumir os projetos complementares e o Acompanhamento Técnico de Obra (ATO), ou então que seja acionada na Justiça e outra empresa assuma. Losila ainda cobrou o conserto do aparelho de ar condicionado da sala de vacina da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bela Vista, quebrado há oito meses.
O vereador Miltinho Sardin (PTB) criticou os problemas no aplicativo de limpeza criado pela prefeitura, o que vem dificultando a emissão de multas e do serviço para a empresa terceirizada Urban, contratada pelo município.
A vereadora Telma Gobbi (SD) falou que o Estado precisa assumir a responsabilidade do transporte de estudantes mesmo daqueles que moram a menos de dois quilômetros das escolas, e também dos estudantes com deficiência, pois parte é feito pelo município.
Aprovada proibição de uso de armas por agentes de trânsito
A Câmara aprovou, em primeira discussão, por unanimidade, projeto de lei do vereador Sandro Bussola (PDT) que proíbe o porte de armas de fogo por agentes do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Emdurb. Os fiscais atualmente já andam desarmados, mas o projeto foi apresentado para evitar mudanças futuras. Os quatro processos em segunda discussão e uma Moção de Aplauso em votação única também foram aprovados nessa segunda (24).
No começo da sessão, foi lido um pedido de Comissão Processante (CP) do munícipe Alexandre Paulovich Pittoli, em que era pedida a cassação do mandato do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD).
Os vereadores rejeitaram a abertura da comissão por 15 votos a 1. O pedido era bastante parecido com outro apresentado e também rejeitado na semana passada.