Ribeirão Preto - A indústria ferroviária aposta que o lançamento de um bilionário programa de financiamento para a compra e a modernização de locomotivas e vagões vai impulsionar o setor, que atualmente trabalha com ociosidade de 60%.
O Retrem será lançado às 10h30 hoje na Fiesp, em São Paulo, e terá R$ 1 bilhão em financiamentos por ano voltados às operadoras de transporte urbano de passageiros sobre trilhos para a compra de trens novos produzidos pela indústria nacional.
O programa vai usar recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com taxas de juros anuais a partir de 5,5%.
A avaliação da indústria é que 2019 já está perdido e que o programa é uma oportunidade para salvar o setor em 2020. Após os pedidos serem confirmados, a indústria pode levar até um ano e meio para fazer a entrega, no caso de novas composições.
Um trem com quatro carros de passageiros e ar-condicionado não custa menos de R$ 15 milhões, mas pode passar de R$ 17 mi conforme forem acrescentados opcionais.
O programa também é alvo de questionamentos por envolver dinheiro público a juros baixos para a compra de maquinário produzido no país, o que significa a criação de uma espécie de reserva de mercado para a indústria.
Avaliamos que é um projeto em que todos ganham, indústria, operadores e passageiros. A indústria precisa potencializar essa produção que está estagnada e dar empregos, enquanto as operadoras vão trabalhar com equipamento moderno, que consome menos energia, por exemplo. Já o passageiro ganha por ver ser reduzido o intervalo entre os trens e viajar num trem mais moderno, com mais conforto?, disse João Gouveia Ferrão Neto, vice-presidente da ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos).
Segundo ele, comprar da indústria nacional é importante por facilitar a assistência técnica e por evitar o hedge (proteção contra grandes oscilações na cotação do euro e do dólar) necessário em aquisições de fabricantes estrangeiros.
Os fabricantes nacionais têm uma larga vantagem nesse sentido e não deixam nada a desejar em comparação aos de fora?, disse.
O Brasil tem hoje 1.105 quilômetros de trilhos urbanos, que transportam diariamente 10,9 milhões de passageiros.