Genebra - O Irã afirmou nessa segunda-feira (1) que o acúmulo de mais urânio enriquecido do que o permitido por seu acordo com potências globais não foi uma violação do pacto, uma vez que estava exercendo seu direito de responder à saída dos Estados Unidos do acordo no ano passado.
"Nós NÃO violamos o #JCPOA", disse no Twitter o ministro de Relações Exteriores do país, Mohammad Javad Zarif, se referindo ao acordo nuclear por sua sigla formal em inglês.
"O parágrafo 36 do acordo justifica. Nós acionamos e esgotamos o parágrafo 36 após a saída dos EUA. Demos a E3 2 algumas semanas, enquanto nos reservávamos a nosso direito. Finalmente agimos, após 60 semanas. Assim que E3 cumprirem suas obrigações, iremos reverter", disse ele.
Zarif tuitou a mensagem juntamente com o texto do parágrafo 36 do acordo, que fornece um mecanismo para a resolução de disputas quando as partes acreditam que outros signatários não estão cumprindo suas obrigações totalmente.
MARCO
De qualquer forma, a admissão do Irã marca a primeira violação intencional do pacto e que pode levar ao desmantelamento do tratado nos próximos meses.
O consentimento iraniano a um estoque de, no máximo, 300 quilos era uma das apertadas restrições ao seu trabalho nuclear em troca da suspensão da maioria das sanções internacionais. Teerã diz que está desconsiderando alguns dos limites impostos pelo acordo porque os Estados Unidos se retiraram do pacto e reimpuseram sanções sobre o país persa.
Com a violação intencional do acordo, cresce a pressão sobre os signatários restantes do acordo - França, Reino Unido, Alemanha, Rússia e China - para encontrar uma forma de salvar o pacto.
Na mensagem, E3 se refere a Alemanha, Reino Unido e França, enquanto E3 2 também inclui Rússia e China.