10 de julho de 2026
Geral

Gesto de amor repetido há 4 décadas tem quase 10 milhões de visualizações na web

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Vinicius Bomfim
Maria Lúcia e Olivio com o retrato do casamento em mãos: amor que só cresce com o tempo

A voz trêmula e a dificuldade de andar por problemas sérios no joelho não impedem que seo Olivio Gomes da Rocha Júnior, aos 83 anos, repita todo ano um gesto de amor que, há quatro décadas, emociona sua esposa, dona Maria Lúcia Anderaus Rocha, 82. Para comemorar a data em que se casaram, 12 de abril, o eterno apaixonado compra rosas e entrega à amada, cantando uma música que marcou a trajetória deles. Neste ano, ao celebrar Bodas de Cobre - 61 anos de união -, a surpresa foi em dobro e não só para Maria Lúcia. Filmado por um neto, o casal foi parar na Internet. Nessa segunda-feira (1), a postagem contabilizava quase 10 milhões de visualizações, além de 344 mil compartilhamentos, 58 mil curtidas e 21 mil comentários no Facebook.

Desde que o vídeo começou a viralizar na web, casais de Bauru, aliás, do Brasil afora, têm se emocionado e se inspirado com Olivio e Maria Lucia, moradores do Jardim Cruzeiro do Sul. Roger Barude, que publicou o vídeo, conta que internautas de Portugal, Argentina e até de Paris já interagiram com a publicação, que lhe rendeu quase 20 mil pedidos de amizade nas redes.

CUMPLICIDADE

Com um total de 47 segundos, o vídeo mostra seo Olivio, na cozinha de casa, entregando um ramalhete de rosas vermelhas para dona Maria Lúcia e cantando a música "A Namorada que Sonhei", de Nilton César, lançada em 1971. O casal se abraça aos prantos e o vídeo segue até que seo Olivio termine o trecho da canção: "Receba as flores que lhe dou e, em cada flor, um beijo meu. São flores lindas que lhe dou, rosas vermelhas com amor. Amor que por você nasceu, que seja assim por toda a vida e a Deus mais nada pedirei. Querida, mil vezes querida, Deusa na terra nascida, a namorada que sonhei."

Desde o lançamento da música, há quase quatro décadas, ele conta que repete o gesto simples à esposa. "Eu também costumo fazer isso no aniversário dela e no Dia dos Namorados", detalha. "Pensei nela desde a primeira vez que ouvi esta música, na década de 70, porque ela ama rosas. E eu não peço mais nada a Deus. É a namorada e esposa que sonhei. Temos uma família linda, fomos privilegiados. É uma forma de comemorar e agradecer por tudo", ressalta Olivio.

Filha do casal, Silvia Azambuja, 57 anos, explica que a filmagem foi feita por seu filho Bruno e ela postou em um grupo de estudos bíblicos. Somente nas últimas semanas é que a família descobriu a popularidade do vídeo já no Facebook.

'ME EMOCIONO'

"Eu canto e choro no vídeo, porque me emociono mesmo. São 61 anos de muito amor e cumplicidade. E tudo isso faz com que a gente suporte as limitações que o tempo trouxe", acrescenta o aposentado, apontando para os joelhos, que o impedem de sair de casa e se locomover sem ajuda.

Com a visão prejudicada pelo diabetes, mas com extrema lucidez, dona Maria Lúcia brinca: "ele não é mais aquele 'homenzão' elegante de quando conheci, pulando de um bonde em São Paulo, mas isso não importa, porque ele é meu grande amor. A beleza se transforma", pontua a esposa, segurando as mãos do marido.

PAIXÃO INSPIRADORA

Tanto amor que inspira também toda a família, formada por dois filhos, sete netos e sete bisnetos.

Inclusive, Bruno, o mesmo que filmou os avós, casou há alguns meses e fez uma homenagem aos dois, considerados exemplos de amor conjugal na família. Eles foram chamados até o altar em meio à cerimônia para renovar os votos da união e para ouvir uma mensagem de amor do neto.

Como Olivio e Maria cultivam e multiplicam tanto sentimento? A resposta está na ponta da língua. "Todas as manhãs, eu leio jornal para ela, me tornei os olhos dela depois do diabetes", diz Olivio. "E eu sou a muleta para os joelhos dele, estou sempre atenta para não o deixar cair. Até porque, quando a gente se ama, a dor de um é a dor do outro também", finaliza a esposa apaixonada.

Paixão de bonde

Maria Lúcia conheceu Olivio na década de 50, em São Paulo, em um bonde que fazia a linha Ipiranga/Liberdade. Na época, ela ainda estudava e Olivio trabalhava. "Eu pegava o bonde até o final da linha só para vê-lo pulando e atravessando a avenida. Só que ele nem me notava nesta época", conta. O casal foi, de fato, se conhecer e iniciar sua história quando Maria Lúcia começou a trabalhar como datilógrafa na empresa de departamentos que seu pai atuava e que, por coincidência, era a mesma que Olivio trabalhava. "Começamos a sair por ter amizades em comum, até que ele me chamou para um cinema. Foi aí que tudo começou", lembra Maria.

Olivio chegou até a abandonar a faculdade para casar. Em 1958, eles iniciaram a vida a dois e, ao longo de seis décadas, moraram em várias cidades, até chegarem a Bauru, há 27 anos. "Eu levantava 4h da manhã e ela sempre acordou comigo, nunca fiz um café na vida. Ela sempre me incentivou a tudo", cita Olivio. 

Da união, nasceram Luiz Claudio e Silvia.

Vereador que postou o vídeo irá homenagear o casal na Câmara

Nas próximas semanas, a história de amor de Olivio e Maria Lúcia será alvo de homenagem na Câmara Municipal, proposta pelo vereador Roger Barude (PPS), que postou o vídeo na Internet. A Medalha Sebastião Paiva é uma honraria concedida desde 2014 e que homenageia pessoas longevas e que fincaram raízes em Bauru.

"Há muita falta de amor e cumplicidade entre as pessoas e os casais, hoje. O vídeo é muito tocante. Os dois se tornaram exemplos para todos nós", cita.

NÃO CONHECIA

O vereador Roger Barude conta ter recebido o vídeo em um grupo de WhatsApp, mas que não conhecia o casal, acreditando ser de fora da cidade. O alerta teria sido feito pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta, que conhece os pais de Silvia Azambuja. Após a publicação, o parlamentar recebeu 20 mil pedidos de amizades e pessoas da Argentina, Portugal e até de Paris já interagiram. 

CONFIRA O VÍDEO: