09 de julho de 2026
Geral

Eclipse solar: quem viu, viu... quem não viu, só em 2045!

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Vinicius Bomfim
Quem olhou para o céu de Bauru nessa terça (2), entre 16h59 e 17h41, pôde ver o eclipse do sol

Marcele Tonelli
O garoto João Davi, boquiaberto, com os pais Jeferson e Mariana

São Pedro não cooperou muito, mas quem olhou atentamente para o céu de Bauru nessa terça-feira (2), entre 16h59 e 17h41, pôde ver, entre as nuvens, o eclipse do sol. Na cidade, observadores conseguiram visualizar cerca de 20% do astro rei encoberto pela lua, contudo, o eclipse total foi visto em sua plenitude em países como Chile e Argentina. O alinhamento perfeito dos astros havia acontecido pela última vez em 1994 e voltará a se repetir, agora, somente em 2045.

Até lá, João Davi, de 4 anos, que viu o seu primeiro eclipse solar ontem, já terá "trintado". Levado pelos pais, Jeferson Dias, 33 anos, e Mariana Gabriela Denadai, 36, para assistir ao espetáculo no céu em evento do Observatório de Astronomia da Unesp, no estacionamento do Atacadão, o garoto foi um dos mais animados ao perceber a lua entrando em frente ao sol. Ele abriu a boca e deu um sorriso ao focar o céu por meio de uma lâmina de vidro de solda.

Vinicius Bomfim
Paulo Vitor visualizou o fenômeno por um telescópio especial
Marcele Tonelli
Sônia Regina Pelichek utilizou óculos especial para ver o eclipse

Além da lâmina de vidro, um Telescópio Lunt profissional e alguns óculos especiais foram disponibilizados por professores e monitores do Observatório da Unesp. O evento gratuito reuniu dezenas de pessoas. Inclusive, uma grande fila se formou para observar o fenômeno "de perto" por meio do telescópio.

FASCINANTE

Em férias escolares, o professor de Química Paulo Vitor Guamdalin, 22 anos, foi ao local com amigos. "O céu é fascinante. Penso em um mestrado nessa área de astronomia", disse, observando o fenômeno pelo telescópio.

A professora de ciências Sônia Pelichek, 48 anos, utilizou o óculos especial para olhar para o sol sem prejudicar a visão. "Busco aprender mais sobre o céu", disse.

Professor do Departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Boczko, que está em Bauru ministrando cursos na Unesp, acompanhou o evento e se surpreendeu com a quantidade de pessoas no local. "Cresceu muito a procura pela astronomia nos últimos anos. Isto porque a mídia tem divulgado mais os fenômenos e as descobertas, a comprovação de parte da Teoria da Relatividade de Einstein é um exemplo", cita.

"Além disso, é curioso saber que, quando olhamos para o céu, vemos algo que já se passou há milhões de anos e que a luz do sol leva 8 minutos para chegar até a Terra e o brilho das estrelas até 4 anos. Ao entender o universo, compreendemos o infinito e percebemos que, apesar de pequenos, somos seres extremante inteligentes", completa.

Rodrigo Garrido/Reuters
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TOTAL OU PARCIAL?

O professor Rodolfo Langhi, coordenador do Observatório, explica que, apesar de o Brasil não ter visto o eclipse solar em sua plenitude - por conta da angulação -, o fenômeno é considerado total.

"É quando os astros ficam totalmente alinhados. E isso somente vai ocorrer em 2045. Até lá, haverá outros eclipses parciais, mas o total mesmo é só em 2045", explica.