09 de julho de 2026
Geral

CTI e D'Incao lideram ranking de escolas no Enem em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Vinicius Bomfim
Pedro D'Incao diz que a nota é consequência do trabalho

Presenças constantes no topo da lista das escolas com melhor desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Bauru, o Colégio Técnico Industrial Isaac Portal Roldan (CTI), da Unesp, e o D'Incao Instituto de Ensino voltaram a liderar o ranking da prova na cidade, em 2018. O CTI figurou em primeiro lugar entre todas as escolas e o D'Incao ficou na frente entre as particulares. A instituição privada, inclusive, alcançou a segunda posição no ranking geral, atrás apenas do próprio CTI.

A sucessão de bons resultados do colégio vinculado à Unesp é explicada por uma somatória de fatores, conforme explica o diretor André Luiz Dalastti. E um deles é a oferta de cursos técnicos, de informática, eletrônica e mecânica, que ajudam o aluno a encontrar, nas aulas práticas, mais sentido no que aprendem na teoria.

Os estudantes têm aulas todos os dias pela manhã, de segunda a sábado, e até quatro vezes por semana com aulas à tarde, dependendo do curso técnico escolhido. "Os alunos cursam uma escola técnica profissionalizante e, ao mesmo tempo, o Ensino Médio. E um aprendizado complementa o outro", destaca.

HABILIDADES

Coordenadora do Ensino Médio do CTI, Daniela Mancuso Roda acrescenta que este perfil coincide com as habilidades exigidas pelo Enem, prova conhecida por demandar do aluno capacidade de interpretação de texto e de relacionar conhecimentos de várias matérias - a chamada interdisciplinaridade. "E isso possibilitou, inclusive, que o CTI ficasse em primeiro lugar entre todas as escolas da rede pública do Estado", destaca.

Dalastti acrescenta, ainda, o nível elevado de conhecimento dos alunos que chegam ao colégio, já que o processo seletivo para ingresso na instituição é bastante concorrido. "No Ensino Médio concomitante com informática, a concorrência chega a 15 candidatos por vaga. São alunos que reconhecem a qualidade do CTI e que ajudam a manter elevado o nível do nosso ensino, mesmo com todas as adversidades decorrentes da crise que assola as universidades públicas paulistas", pondera, complementando que parte dos estudantes também participa de projetos de iniciação científica voltados ao Ensino Médio, desenvolvidos na Unesp.

O D'Incao Instituto de Ensino também figura há anos entre os primeiros no ranking de notas do Enem, apesar de não realizar qualquer tipo de treinamento específico para os alunos fazerem a prova. Segundo o diretor Pedro D'Incao, o exame não é um dos focos da escola, até por entender que ele, por si só, não é uma ferramenta capaz de medir a qualidade de uma instituição de ensino.

"A prova não mensura, por exemplo, a formação e habilidades do aluno sobre aspectos associados à criatividade e autonomia, a existência ou não de laboratórios. A gente fica feliz com o resultado, até porque fizemos apenas duas semanas de revisão com foco neste exame, mas o Enem é apenas uma prova, que não norteia nosso trabalho", pondera.

INDÍCIO POSITIVO

D'Incao frisa, ainda, que o Enem recebe atenção secundária na instituição porque os alunos têm maior interesse em participar dos processo seletivos das universidades públicas paulistas, que realizam exames com características diferentes. "O nosso desempenho no Enem não é meta, mas sim consequência do nosso trabalho. É também um indício, principalmente para as famílias, de que a formação que estamos oferecendo para seus filhos é muito boa", pontua.

O diretor acrescenta que o D'Incao começou, neste ano, a realizar simulados de forma digital, já prevendo que as provas para ingresso em universidades passariam, em algum momento, a dispor deste tipo de tecnologia. De fato, o Ministério da Educação anunciou, nesta semana, que o Enem será aplicado com o uso de computadores a partir do próximo ano, em um projeto-piloto que prevê a participação de 50 mil candidatos em 15 capitais brasileiras.

Vinicius Bomfim
André Luiz Dalastti, Daniela Mancuso Roda e Beatriz Prudenciatti na oficina mecânica do CTI

A intenção do governo federal é extinguir a prova em papel até 2026.

DIFERENCIAL

Aluna do terceiro ano do CTI, Beatriz de Souza Prudenciatti pretende cursar Medicina na USP em Bauru. Com Ensino Fundamental concluído na rede pública, ela destaca que o curso técnico oferecido pelo colégio - no caso dela, o de mecânica - tem contribuído para o aprimoramento dos seus conhecimentos.

"Além disso, os professores são qualificados, com boa didática, o que ajuda muito os alunos a alcançarem bons resultados. Estudei bastante pra conseguir entrar no CTI porque sabia da qualidade do ensino. E o que a gente aprende ninguém pode tirar da gente", observa.

Ex-aluna do D'Incao, Carolina Tostes Marana está cursando o primeiro ano de engenharia de materiais na Escola Politécnica da USP, em São Paulo. Assim como Beatriz, ela atribui o sucesso de sua formação no Ensino Médio ao acesso a conteúdos interdisciplinares.

Vinicius Bomfim
Guilherme D'Incao e Carolina Marana falam sobre o ensino

"Na faculdade, percebi ainda mais este diferencial. Como o D'Incao tem muitos laboratórios, foi mais fácil fazer a prova do Enem e da Fuvest (responsável pelo processo seletivo da USP) e, agora, tem facilitado algumas disciplinas do primeiro ano de faculdade que contam com experimentos", destaca.

Já Guilherme Kodato D'Incao, aluno do cursinho do D'Incao, tem como principal foco a aprovação em Direito na USP. Para ele, o material didático utilizado pelo colégio, incluindo até mesmo livros utilizados por instituições de Ensino Superior, também são ferramentas importantes para proporcionar uma visão mais ampla sobre os conteúdos tradicionalmente aprendidos no Ensino Médio. "E, para fazer uma prova nível USP, é bom contar com este aprendizado que vai além", acrescenta.